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segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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Rádio russa UVB-76 registra 25 mensagens codificadas em um dia

Conhecida como “The Buzzer”, rede de ondas curtas ligada a comunicações militares russas teve forte pico de atividade; teorias sobre um gatilho nuclear continuam sem comprovação.

Por Matias Gomessetembro 3, 20267 min de leitura
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Resumo da notícia:

  • A UVB-76, conhecida como “The Buzzer”, registrou 25 transmissões codificadas em 27 de agosto de 2026, segundo logs de monitoramento do sinal.
  • A rede opera em 4.625 kHz e é acompanhada há décadas por radioamadores e pesquisadores de comunicações militares.
  • Não há evidência pública de que o aumento de atividade esteja ligado a armas nucleares ou ao sistema russo Perimeter.

A UVB-76, misteriosa rede russa de ondas curtas conhecida internacionalmente como The Buzzer, voltou ao centro das atenções após registrar uma sequência incomum de mensagens codificadas no fim de agosto de 2026. O episódio mais intenso ocorreu em 27 de agosto, quando sistemas de monitoramento contabilizaram 25 transmissões ao longo do dia.

A frequência, ativa em 4.625 kHz, normalmente mantém no ar um marcador sonoro repetitivo semelhante a um zumbido. Em determinados momentos, porém, o som é interrompido por vozes que leem indicativos, grupos de números e palavras aparentemente desconexas.

Apesar do apelido popular de “Rádio do Juízo Final”, não existe evidência pública de que a UVB-76 seja um mecanismo de lançamento nuclear ou um gatilho do sistema russo de retaliação conhecido como Perimeter. O projeto especializado Priyom, que acompanha redes militares de alta frequência, classifica o sinal como uma rede russa de comando militar.

UVB-76 registrou 25 mensagens em 27 de agosto

A atividade começou a chamar atenção em 24 de agosto. Naquela manhã, três transmissões foram registradas entre 6h08 e 8h, no horário de Moscou. Os logs indicaram palavras transliteradas como “Mylovar”, “Dolzhnostnoy”, “Belokury” e “Shketoring”, acompanhadas por sequências numéricas.

Depois de dois dias sem uma sequência semelhante, o ritmo mudou em 27 de agosto. Um acompanhamento publicado durante a tarde pelo Moscow 24, baseado em contagens da TASS e sistemas de monitoramento, registrava 19 mensagens até aproximadamente 14h31. A atividade, entretanto, continuou.

Logs posteriores do canal especializado UVB-76 Logs e um balanço semanal do UVB-76 Blog apontam que o total chegou a 25 transmissões. A última foi registrada às 17h09, horário de Moscou.

Isso explica por que diferentes publicações circularam com números como 19, 21 ou 24 mensagens: algumas contagens foram feitas enquanto a estação ainda estava transmitindo. O registro final do monitoramento daquele dia chegou a 25.

Entre os termos captados estavam palavras reais em russo, expressões incomuns e combinações aparentemente criadas para o sistema. Às 11h37, por exemplo, apareceu a palavra equivalente a “recorde”. Já a última transmissão registrada trouxe “Obliteratsiya”, termo que pode ser traduzido aproximadamente como “obliteração” ou “apagamento”.

O significado literal dessas palavras, porém, não permite concluir qual era a mensagem real. Em redes militares codificadas, uma palavra pode funcionar apenas como referência para uma instrução previamente distribuída aos destinatários.

Como funcionam as mensagens da UVB-76?

O Priyom documenta que as Forças Armadas russas utilizam formatos padronizados para radiogramas transmitidos por voz e código Morse. A UVB-76 transmite principalmente mensagens do tipo conhecido pelos observadores como Monolit.

Essas transmissões podem reunir um indicativo de destinatário, um grupo numérico, uma palavra-código e outros grupos de números. De acordo com a documentação reunida pelo projeto, a palavra pode apontar para instruções ou material de decodificação que já estão nas mãos do destinatário.

Há ainda mensagens chamadas de “zone-covering”, que usam estrutura semelhante, mas podem não transportar uma ordem real. Na prática, quem escuta o sinal de fora consegue registrar a transmissão, mas não possui os elementos necessários para determinar com segurança seu conteúdo operacional.

Por isso, palavras que parecem ameaçadoras não devem ser interpretadas literalmente. Uma transmissão contendo termos relacionados a ataque, foguete ou destruição não representa, por si só, a confirmação de uma operação militar.

O que é realmente a “Rádio do Juízo Final”?

A denominação UVB-76 ficou famosa na internet, mas o próprio nome contém uma curiosidade. O Priyom afirma que “UVB-76” provavelmente surgiu de uma transcrição ocidental equivocada do antigo indicativo UZB-76. Ao longo dos anos, outros indicativos passaram a aparecer nas mensagens, incluindo MDZhB, ZhUOZ, ANVF e, mais recentemente, NZhTI.

A rede também não depende de uma única antena gigantesca. Segundo o levantamento do Priyom, antes de 2010 o sistema estava associado ao antigo centro de comunicações de Povarovo, perto de Moscou. Após uma reorganização militar, transmissores próximos a São Petersburgo e a Naro-Fominsk passaram a ser relacionados ao sinal.

O projeto atribui o controle da rede ao 60º centro de comunicações, conhecido pelo indicativo “Vulkan”, em São Petersburgo, e afirma que atualmente ela atende o Distrito Militar de Leningrado. O objetivo operacional exato das mensagens, entretanto, não é divulgado publicamente pelas autoridades russas.

UVB-76 tem ligação com armas nucleares?

Essa é a teoria mais conhecida envolvendo a estação, mas também uma das menos sustentadas por evidências públicas. Durante décadas, circulou a ideia de que o zumbido faria parte de um mecanismo de “homem morto”: se o sinal desaparecesse, um sistema automático poderia interpretar isso como destruição do comando russo e iniciar uma retaliação nuclear.

O FAQ do Priyom rejeita essa interpretação e descreve a UVB-76 como uma rede operacional de comando. Até agora, nenhuma documentação pública demonstrou que a frequência de 4.625 kHz seja um gatilho do sistema nuclear Perimeter.

O apelido “Rádio do Juízo Final”, portanto, deve ser entendido como uma expressão popular adotada por veículos de imprensa e comunidades da internet — e não como uma designação oficial ou prova da finalidade da estação.

Pico de atividade ocorreu em uma semana de atenção geopolítica

A concentração de mensagens chamou ainda mais atenção porque ocorreu em uma semana de movimentação diplomática envolvendo Moscou. Em 25 de agosto, um C-17 da Força Aérea dos Estados Unidos levou o diretor da CIA, John Ratcliffe, à capital russa, episódio detalhado pelo Xplora News.

A proximidade das datas levou perfis e publicações a especularem sobre uma possível relação entre a visita e o aumento das transmissões. Não há, porém, evidência que estabeleça essa ligação. A atividade da UVB-76 já apresentou outros picos sem que o motivo fosse conhecido publicamente.

O próprio Moscow 24 informou que, antes de 27 de agosto, outros dias de 2026 haviam registrado níveis elevados de atividade, incluindo 28 mensagens em 11 de fevereiro, 27 em 24 de junho e 20 em 12 de março. Isso mostra que uma sequência intensa não é, isoladamente, prova de um acontecimento militar específico.

O período também coincidiu com novas declarações de Moscou envolvendo países europeus. Em 27 de agosto, a Rússia voltou a ameaçar possíveis alvos militares britânicos em determinadas circunstâncias, tema também acompanhado pelo Xplora News. Novamente, não existe evidência de que essa declaração tenha relação direta com as transmissões da UVB-76.

A estação continua ativa em setembro

A sequência de agosto não marcou o fim das transmissões. Em 3 de setembro, o Moscow 24 informou o primeiro registro de voz do mês: uma mensagem dupla às 11h32, horário de Moscou, contendo as palavras “Babkin” e “Organichny”.

O episódio reforça que a UVB-76 permanece ativa e que transmissões de voz fazem parte do funcionamento da rede. O que muda de um dia para outro é a intensidade e a quantidade de mensagens enviadas.

O que ainda não se sabe

O principal mistério não é a existência da estação, sua frequência ou o fato de ela transmitir mensagens codificadas — tudo isso é observável e amplamente documentado. A incógnita está no conteúdo operacional desses sinais.

Sem os materiais de decodificação utilizados pelos destinatários, não é possível saber publicamente o que cada palavra e grupo numérico representa, quais unidades recebem determinada ordem ou por que o volume de mensagens aumenta em certos dias.

Assim, o aumento de atividade registrado no fim de agosto de 2026 é um fato verificável. A interpretação de que isso representa preparação para guerra nuclear, ativação do Perimeter ou resposta a um acontecimento diplomático específico continua, até o momento, sem comprovação.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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