FAB usa KC-390 para combater incêndios florestais no Amazonas
KC-390 combate incêndios no Amazonas com sistema capaz de lançar 12 mil litros de água. Entenda a operação da FAB e o avanço das queimadas.

A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou nesta segunda-feira (12 de outubro de 2026) uma operação com aeronaves KC-390 Millennium para combater os incêndios florestais que atingem o Amazonas. Dois cargueiros militares foram mobilizados para Manaus, sendo um deles equipado com um sistema capaz de lançar aproximadamente 12 mil litros de água sobre áreas atingidas pelas chamas.
A operação ocorre em meio ao agravamento das queimadas no estado, que registrou 1.380 focos de incêndio entre os dias 1º e 10 de outubro, um aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025. A situação levou ao reconhecimento de emergência em 36 municípios amazonenses.
Resumo da operação:
- Mobilização: dois KC-390 Millennium chegaram à Base Aérea de Manaus no domingo (11).
- Combate aéreo: uma das aeronaves utiliza o sistema MAFFS II, capaz de transportar aproximadamente 12 mil litros de água.
- Situação ambiental: o Amazonas enfrenta crescimento expressivo dos focos de incêndio, com impactos sobre a qualidade do ar e a população.
Como o KC-390 combate incêndios no Amazonas
O KC-390 Millennium é um avião militar multimissão desenvolvido pela fabricante brasileira Embraer. Embora seja utilizado principalmente para transporte de cargas, tropas e equipamentos, o modelo também pode ser adaptado para operações humanitárias e de combate a incêndios florestais.
Para essa missão, a FAB emprega o MAFFS II (Modular Airborne Fire Fighting System II), um sistema modular de combate a incêndios instalado no compartimento de carga da aeronave.
O equipamento possui um reservatório com capacidade aproximada de 12 mil litros e um tubo instalado na região traseira esquerda do avião. Durante o sobrevoo, a água é liberada sob pressão, permitindo atingir áreas específicas onde o fogo está ativo.
Dependendo das necessidades operacionais, a água também pode receber produtos retardantes de chamas. O lançamento é realizado em condições controladas de altitude e velocidade, com planejamento das rotas e identificação prévia dos pontos de maior intensidade do incêndio.
De acordo com a Revista Força Aérea, a instalação do sistema é realizada por técnicos especializados da FAB. A infraestrutura em solo inclui reservatórios de água para reabastecer o avião entre as missões, em um procedimento que pode levar aproximadamente 30 minutos.
Isso permite que a aeronave realize sucessivas operações, desde que as condições meteorológicas, logísticas e de segurança permitam.
Operação da FAB começou nesta segunda-feira
Os dois aviões chegaram à Base Aérea de Manaus no fim da tarde de domingo (11). A mobilização envolve o Esquadrão Zeus, sediado em Anápolis, Goiás, e o Esquadrão Gordo, baseado no Rio de Janeiro.
Uma das aeronaves foi destinada ao combate direto aos incêndios, enquanto a segunda atua no apoio logístico, transportando equipamentos e pessoal para as operações.
Segundo a Agência Brasil, o primeiro voo realizado nesta segunda-feira teve como objetivo identificar os focos de incêndio e ajustar os procedimentos de lançamento da água. Em uma decolagem posterior, a aeronave realizou a descarga sobre a área atingida.
A previsão inicial da FAB é de três lançamentos por dia, o que representa uma capacidade teórica de aproximadamente 36 mil litros de água em três operações com o reservatório completo.
Esse volume, entretanto, não deve ser confundido com a quantidade efetivamente lançada em um determinado dia. A execução das missões depende da localização dos incêndios, das condições de voo e das necessidades identificadas pelas equipes.
O planejamento de continuidade será ajustado conforme a evolução dos focos de fogo e a demanda operacional.
Amazonas registra aumento de 271% nos focos de incêndio
A chegada dos cargueiros militares acontece em um período de forte crescimento das queimadas. Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam 1.380 focos entre 1º e 10 de outubro de 2026.
No mesmo intervalo de 2025, haviam sido registrados 372 focos. A diferença representa 1.008 ocorrências adicionais e um aumento de aproximadamente 271% em um ano.
Os registros abrangem diferentes tipos de território, incluindo áreas públicas, propriedades privadas, assentamentos federais, terras indígenas e unidades de conservação.
É importante observar que um foco detectado por satélite não corresponde necessariamente a um incêndio individual. O indicador identifica ocorrências de calor e ajuda as autoridades a acompanhar a distribuição e a evolução das queimadas.
A dimensão da crise levou o governo do Amazonas a decretar situação de emergência em 36 municípios. A medida recebeu reconhecimento federal, permitindo ampliar a articulação institucional e o acesso a mecanismos de assistência.
O avanço das queimadas também atinge áreas próximas de cidades como Manaus, Itacoatiara e Parintins, onde a atuação das equipes de combate passou a exigir reforços adicionais.
Informações sobre o reconhecimento da emergência e a mobilização federal foram divulgadas em reportagem da UOL.
Fumaça das queimadas prejudica a qualidade do ar em Manaus
Os efeitos dos incêndios não se limitam às áreas onde as chamas estão concentradas. A fumaça liberada pela vegetação em combustão pode ser transportada pelo vento e alcançar centros urbanos, afetando a qualidade do ar em regiões distantes dos focos originais.
Em Manaus, a poluição atmosférica provocada pelas queimadas levou à suspensão temporária de atividades presenciais em instituições de ensino, diante dos riscos à saúde da população.
Conforme reportagem da Folha de S.Paulo, a concentração de partículas finas na atmosfera atingiu níveis elevados, gerando preocupação com a exposição prolongada à fumaça.
Essas partículas podem penetrar profundamente no sistema respiratório e agravar problemas como asma e outras doenças pulmonares. Crianças, idosos e pessoas com condições respiratórias preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis.
O controle dos focos de incêndio é, portanto, uma medida relevante não apenas para a proteção ambiental, mas também para reduzir a exposição da população aos poluentes produzidos pelas queimadas.
Por que o apoio aéreo é importante no combate às queimadas?
A dimensão territorial do Amazonas e as dificuldades de acesso a determinadas áreas de floresta tornam o combate terrestre especialmente complexo. Em locais afastados, o deslocamento de brigadistas e equipamentos pode depender de rios, estradas limitadas ou transporte aéreo.
A utilização de aeronaves permite alcançar pontos de difícil acesso e realizar lançamentos de água diretamente sobre áreas selecionadas pelas equipes responsáveis pela operação.
Entretanto, o emprego do KC-390 não substitui o trabalho dos brigadistas em solo. O combate aéreo funciona como reforço às ações de contenção, monitoramento e extinção de focos de incêndio.
Além dos dois cargueiros militares, a força-tarefa federal conta com outros aviões, helicópteros, brigadistas e equipamentos destinados ao enfrentamento da emergência ambiental.
O uso do MAFFS II também demonstra a capacidade de adaptação do KC-390 Millennium para missões que vão além de suas funções tradicionais de transporte militar.
O que acontece agora?
A FAB prevê a continuidade das missões aéreas conforme as necessidades operacionais e a evolução dos incêndios no Amazonas. A duração da mobilização ainda depende da situação encontrada pelas equipes e das condições necessárias para a realização dos voos.
Embora a capacidade de lançamento de água represente um reforço importante, ainda não há dados suficientes para determinar o impacto total dos KC-390 na redução dos focos ativos no estado.
Os próximos indicadores relevantes incluem a quantidade de missões efetivamente realizadas, o volume de água lançado, a evolução dos focos de calor e a recuperação da qualidade do ar nas cidades atingidas.
A operação reúne tecnologia militar brasileira e esforços de resposta à emergência ambiental em um momento de forte pressão sobre a Amazônia.
Fontes consultadas:
- Revista Força Aérea — FAB envia KC-390 com MAFFS II para combater incêndios no Amazonas.
- Agência Brasil — Aviões militares iniciam combate a focos de incêndio no Amazonas.
- UOL — Reconhecimento da situação de emergência no Amazonas.
- Folha de S.Paulo — Impactos da fumaça das queimadas na educação e na qualidade do ar.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.




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