NASA registra fumaça de queimadas no Amazonas vista do espaço
Satélite da NASA registra fumaça de queimadas no Amazonas vista do espaço. Imagens revelam incêndios próximos de Manaus e a gravidade da poluição.

Uma imagem de satélite da NASA revelou a extensa camada de fumaça de queimadas no Amazonas, mostrando do espaço os efeitos dos incêndios florestais que atingem a região. O registro foi divulgado na sexta-feira (9 de outubro de 2026), em meio ao agravamento da poluição atmosférica em Manaus e municípios próximos.
A fumaça tem comprometido a qualidade do ar na capital amazonense, provocado mudanças na rotina da população e levado à suspensão de atividades presenciais em escolas e instituições públicas. Autoridades também emitiram orientações para reduzir a exposição aos poluentes.
- Registro espacial: imagens da NASA mostram grandes plumas de fumaça e incêndios próximos de Manaus e Iranduba.
- Qualidade do ar: a capital registrou concentrações elevadas de partículas finas prejudiciais à saúde.
- Consequências: aulas foram suspensas, serviços administrativos sofreram alterações e moradores receberam recomendações de proteção.
NASA registra fumaça de queimadas no Amazonas vista do espaço
O registro foi realizado pelo satélite Terra, equipado com o instrumento Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS), utilizado para observar fenômenos ambientais na superfície terrestre.
De acordo com a publicação oficial da NASA, a imagem foi capturada em 8 de outubro e disponibilizada em 9 de outubro de 2026.
As imagens mostram dezenas de incêndios ativos e extensas plumas acinzentadas sobre áreas da floresta amazônica. Parte dos focos aparece nas proximidades do Rio Amazonas, enquanto outros se concentram ao redor de Manaus e no município vizinho de Iranduba.
A fumaça também foi observada em uma imagem de 9 de outubro consultada na plataforma NASA Worldview, ferramenta que permite visualizar registros de satélites e acompanhar mudanças ambientais em diferentes regiões do planeta.
Nas imagens em cores naturais, a fumaça aparece em tonalidades acinzentadas, contrastando com as nuvens predominantemente brancas. Essa diferença ajuda a identificar a dispersão das plumas sobre a região.
As imagens permitem observar a distribuição espacial da fumaça, mas não determinam, isoladamente, a concentração exata dos poluentes respirados pela população. Para isso, são necessários dados de monitoramento da qualidade do ar.
Manaus enfrenta níveis perigosos de poluição
A situação ambiental se agravou em Manaus na quinta-feira (8) e na sexta-feira (9), quando uma espessa camada de fumaça reduziu a visibilidade e comprometeu a qualidade do ar em diferentes bairros da cidade.
Segundo informações divulgadas pelo G1 Amazonas, a capital registrou, na manhã de sexta-feira, um Índice de Qualidade do Ar de 366 na plataforma IQAir, classificação considerada perigosa.
Na mesma ocasião, a concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 258,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também registrou condições críticas. Bairros como Morro da Liberdade e Educandos apresentaram concentrações de partículas de até 320,2 µg/m³ durante a manhã de sexta-feira.
Esses valores representam medições em horários e locais específicos. As concentrações podem variar ao longo do dia conforme a intensidade dos incêndios, a direção dos ventos e as condições atmosféricas.
As partículas PM2.5 possuem diâmetro inferior ou igual a 2,5 micrômetros. Por serem extremamente pequenas, conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e estão associadas ao agravamento de doenças pulmonares e cardiovasculares.
Fumaça provoca suspensão de aulas e mudanças na rotina
O agravamento da poluição levou autoridades municipais e instituições de ensino a adotarem medidas emergenciais para reduzir a exposição da população.
Na sexta-feira (9), a Prefeitura de Manaus suspendeu aulas presenciais na rede municipal e atividades em repartições administrativas. Parte dos servidores passou a trabalhar remotamente, enquanto serviços essenciais de saúde continuaram funcionando.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e outras instituições de ensino também anunciaram alterações nas atividades presenciais.
De acordo com a Associated Press, a Prefeitura de Manaus informou que a concentração média de partículas poluentes havia atingido aproximadamente 196 microgramas por metro cúbico.
As autoridades alertaram que a fumaça proveniente de incêndios em diferentes municípios do Amazonas e em outras áreas da região representava uma ameaça à saúde e à qualidade de vida de milhares de famílias.
Incêndios florestais avançam pelo Amazonas
Os incêndios não estão restritos à capital. O interior do Amazonas também enfrenta focos de fogo em áreas de floresta e vegetação, ampliando a emissão de fumaça para a atmosfera.
Segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), divulgados pela imprensa regional, foram identificados 46 novos eventos de fogo entre os dias 4 e 7 de outubro.
Em Itacoatiara, na Região Metropolitana de Manaus, um incêndio na região do Lago do Canaçari já durava aproximadamente 20 dias em 8 de outubro, com cerca de 1,3 mil hectares atingidos, conforme informações divulgadas pelo G1.
Equipes de combate ao fogo e moradores atuavam na abertura de aceiros, faixas de terreno utilizadas para dificultar a propagação das chamas.
Outro incêndio nas proximidades do bairro Jacarezinho também mobilizava equipes de emergência, diante do risco de avanço do fogo sobre novas áreas de vegetação.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), citados pela Associated Press em 9 de outubro, indicavam aproximadamente 33,5 mil focos de calor na Amazônia brasileira no acumulado de 2026 até o dia anterior.
Esse total representava aumento de quase 50% em relação ao mesmo período de 2025, embora permanecesse cerca de 53% abaixo da média histórica utilizada na comparação.
É importante distinguir focos de calor de incêndios individuais: um mesmo incêndio pode produzir diversos registros por satélite, e nem todo foco corresponde necessariamente a uma nova ocorrência.
Por que as queimadas aumentam durante a estação seca?
Entre julho e outubro, grande parte da Amazônia passa pelo período menos chuvoso do ano. A redução da umidade favorece o ressecamento da vegetação, aumentando as condições para a propagação de incêndios.
Entretanto, a presença de uma estação seca não significa que os incêndios sejam necessariamente naturais.
A NASA explica que incêndios na floresta amazônica são frequentemente associados à atividade humana, incluindo a abertura de áreas por meio do fogo, o desmatamento e o uso inadequado de queimadas.
Quando o fogo escapa das áreas inicialmente atingidas, pode alcançar a vegetação ao redor e se transformar em incêndios de maior dimensão.
A fumaça produzida nesse processo pode percorrer longas distâncias, dependendo da circulação dos ventos e das condições da atmosfera. Isso explica por que municípios afastados de determinados focos também podem registrar piora na qualidade do ar.
O registro espacial da NASA ajuda a acompanhar a distribuição das plumas e a compreender como os efeitos das queimadas podem ultrapassar os locais diretamente atingidos pelas chamas.
Fumaça representa riscos à saúde da população
O aumento da concentração de partículas finas e outros poluentes provenientes da combustão da vegetação representa um risco especialmente importante para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Entre os sintomas associados à exposição à fumaça estão irritação nos olhos e na garganta, tosse, dor de cabeça, dificuldade para respirar e agravamento de condições respiratórias preexistentes.
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e repercutidas pelo G1, foram contabilizados 82 atendimentos de urgência relacionados a possíveis efeitos da fumaça em Manaus entre 1º e 8 de outubro.
Desde o início de julho, o levantamento reunia 375 registros. A secretaria ressaltou, entretanto, que os dados precisam passar por avaliação clínica e não permitem, isoladamente, estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre cada atendimento e a exposição à fumaça.
Como se proteger durante os períodos de fumaça intensa?
Diante da piora da qualidade do ar, autoridades de saúde e da Defesa Civil recomendaram medidas para diminuir a exposição aos poluentes.
- Evitar atividades físicas ao ar livre: principalmente nos horários de maior concentração de fumaça.
- Reduzir a exposição: permanecer em ambientes internos quando a qualidade do ar estiver comprometida.
- Utilizar máscaras adequadas: respiradores PFF2 bem ajustados podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas.
- Manter a hidratação: beber água regularmente durante os períodos de calor e baixa umidade.
- Acompanhar os alertas: consultar os comunicados da Defesa Civil e os dados de monitoramento da qualidade do ar.
- Procurar atendimento médico: especialmente diante de falta de ar intensa, dor no peito ou agravamento de doenças respiratórias.
Em situações de emergência médica, a população pode acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.
O que as imagens da NASA revelam sobre a situação na Amazônia?
O registro divulgado pela agência espacial norte-americana documenta um momento de intensa atividade de incêndios e dispersão de fumaça sobre áreas do Amazonas.
Além de permitir observar a localização aproximada dos focos, o monitoramento por satélite auxilia no acompanhamento das condições ambientais e pode contribuir para identificar regiões que exigem maior atenção dos órgãos responsáveis pelo combate ao fogo.
O Ministério do Meio Ambiente informou à Associated Press que mobilizou brigadistas e aeronaves para apoiar as operações no Amazonas, além de reforçar ações de fiscalização e prevenção.
A continuidade dos incêndios e as condições meteorológicas serão fatores importantes para acompanhar a evolução da fumaça nos próximos dias. A melhora da qualidade do ar dependerá, entre outros fatores, da redução das emissões, da circulação atmosférica e da ocorrência de chuvas.
Embora as imagens confirmem a presença de grandes plumas sobre a região, elas não permitem, por si só, determinar a área total queimada, a origem individual de cada incêndio ou a evolução futura da poluição.
O cenário reforça a importância de acompanhar tanto os registros espaciais quanto as medições locais da qualidade do ar, especialmente diante dos impactos já observados na saúde e na rotina da população.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.
Fontes consultadas
- NASA — Fires in Brazil, registro do satélite Terra de 8 de outubro de 2026
- NASA Worldview — Plataforma de monitoramento da Terra por satélites
- G1 Amazonas — Satélite da NASA registra fumaça de queimadas florestais no AM
- Associated Press — Incêndios no Amazonas agravam a qualidade do ar em Manaus
- Folha de S.Paulo — Fumaça de queimadas provoca suspensão de aulas




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