El Niño 2026 pode ser o mais forte desde 1950, diz NOAA
Temperatura diária da região Niño 3.4 chegou provisoriamente à faixa de +3 °C, enquanto a NOAA prevê fortalecimento do fenômeno até o fim do ano.

O El Niño 2026 continua ganhando força no Oceano Pacífico e novos dados mostram um aquecimento excepcional das águas equatoriais. Leituras diárias preliminares da região conhecida como Niño 3.4 chegaram à faixa de 3°C acima da média em setembro, colocando o atual episódio próximo de valores extremos observados nos maiores eventos das últimas décadas.
O dado chamou atenção porque a região Niño 3.4 é uma das principais áreas utilizadas para acompanhar a evolução do El Niño. Um cálculo realizado a partir da série diária NOAA OISST v2.1 indicou anomalia de aproximadamente +3,04°C em 20 de setembro de 2026. Na mesma série, o dia anterior chegou à faixa de +3,1°C.
Os valores ainda são preliminares e podem ser revisados. Além disso, um pico registrado em um único dia não significa que o El Niño tenha oficialmente alcançado intensidade de 3°C.
Pacífico registra aquecimento excepcional na região Niño 3.4
A região Niño 3.4 ocupa parte do Pacífico Equatorial central e é acompanhada continuamente por órgãos meteorológicos porque alterações prolongadas na temperatura dessa área estão diretamente relacionadas ao fenômeno El Niño-Oscilação Sul, conhecido pela sigla ENOS.
Na série diária baseada nos dados de temperatura da superfície do mar da NOAA, o valor de 20 de setembro ficou em aproximadamente +3,04°C em relação à climatologia diária de 1991 a 2020. Como comparação, um dos maiores valores anteriores da mesma série ocorreu em novembro de 2015, durante outro El Niño extremamente intenso.
A comparação, porém, exige cautela. As medições dos últimos dias são preliminares e não constituem, por si só, um recorde oficial de intensidade do fenômeno. É possível afirmar que as águas atingiram níveis excepcionalmente elevados, mas a classificação do El Niño utiliza médias mais longas e considera também a evolução da atmosfera.
Por que o El Niño 2026 pode entrar para a história
Os dados oficiais da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmam que o El Niño está se fortalecendo rapidamente.
No boletim publicado em 10 de setembro, o Centro de Previsão Climática da NOAA informou que as anomalias da temperatura da superfície do mar já ultrapassavam +3°C no Pacífico Equatorial oriental. Em agosto, o índice relativo da região Niño 3.4 havia alcançado +1,8°C, enquanto a região Niño 1+2 chegou a +3,4°C.
A agência calcula mais de 90% de probabilidade de o evento atingir intensidade muito forte durante o fim de 2026 e o início de 2027. Os modelos indicam ainda que o fenômeno deve continuar se intensificando até o final deste ano.
Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, a previsão é ainda mais incomum. A NOAA estima 75% de probabilidade de um evento histórico, com um RONI de pelo menos +2,5°C, nível que superaria os episódios anteriores na série utilizada pela agência, iniciada em 1950.
A previsão central da NOAA para esse período coloca o RONI próximo de +2,67°C. Como se trata de uma projeção probabilística, o valor poderá mudar à medida que novas observações forem incorporadas aos modelos.
Um pico diário de 3°C não significa El Niño oficial de 3°C
Existe uma diferença importante entre a temperatura registrada em um único dia e a intensidade oficial do El Niño.
O valor diário mostra quanto a temperatura da superfície do mar naquele momento está acima da referência climatológica. Ele pode variar rapidamente em resposta a ventos, correntes e outras condições oceânicas.
A NOAA acompanha atualmente o fenômeno também pelo Relative Oceanic Niño Index (RONI), que utiliza a média da região Niño 3.4 durante períodos de três meses e desconta parte do aquecimento observado no conjunto dos oceanos tropicais.
Por esse motivo, uma anomalia diária superior a +3°C não significa automaticamente que o El Niño tenha oficialmente alcançado essa intensidade. O número, entretanto, é mais um sinal da quantidade excepcional de calor presente no Pacífico durante o evento atual.
O que o El Niño pode provocar no Brasil
O Brasil já acompanha oficialmente a evolução do fenômeno. INMET, INPE, Cemaden, ANA, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil e outros órgãos mantêm um painel conjunto para avaliar possíveis consequências do El Niño 2026–2027.
Historicamente, episódios de El Niño estão associados a padrões distintos entre as regiões brasileiras. No Sul, aumenta a tendência de chuvas acima da média, enquanto áreas do Norte e Nordeste podem registrar redução das precipitações.
Para o trimestre setembro-outubro-novembro de 2026, órgãos brasileiros indicam maior probabilidade de chuva acima da média na Região Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste apresentam setores com previsão de precipitação abaixo da média.
Temperaturas acima da média também são previstas em grande parte do país. Dependendo da evolução do fenômeno, isso pode aumentar riscos relacionados à disponibilidade hídrica, incêndios florestais e agricultura em regiões mais secas, enquanto o excesso de chuva pode representar preocupação adicional para áreas do Sul.
Esses impactos não ocorrem automaticamente. A própria NOAA ressalta que um El Niño mais intenso aumenta a probabilidade de determinados padrões climáticos, mas não garante que todas as regiões experimentarão exatamente os mesmos efeitos observados em eventos anteriores.
Recorde ainda precisa ser confirmado
Os números observados em setembro colocam o Pacífico Equatorial em um patamar excepcional, mas é importante separar observação de previsão.
O aquecimento intenso das águas e o fortalecimento do El Niño estão confirmados. Também está confirmado que os modelos atualmente indicam elevada probabilidade de um evento muito forte.
O que ainda não pode ser afirmado é que o El Niño 2026 já seja o mais forte da história moderna. Para isso, será necessário acompanhar as médias dos próximos meses e verificar se as projeções da NOAA se concretizam.
As próximas semanas serão decisivas. O boletim oficial seguinte da NOAA está previsto para outubro, quando novas observações poderão mostrar se o fenômeno continua avançando em direção aos valores históricos atualmente projetados.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.




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