Temporal em Ipatinga tem ventos de 76 km/h e deixa estragos
Tempestade com granizo provocou alagamentos, derrubou árvores e postes e afetou o fornecimento de energia em diferentes cidades do Vale do Aço.

Um forte temporal em Ipatinga, no Vale do Aço, em Minas Gerais, provocou alagamentos, quedas de árvores e postes, destelhamentos e uma ampla interrupção no fornecimento de energia elétrica na noite de quarta-feira, 16 de setembro.
A tempestade veio acompanhada de granizo e fortes rajadas de vento. Imagens registradas por moradores e compartilhadas nas redes sociais mostraram a intensidade da ventania em diferentes pontos da cidade, incluindo um estacionamento de supermercado onde pessoas buscaram proteção enquanto chuva, granizo e objetos eram arrastados pelo vento.
Dados divulgados pela Prefeitura de Ipatinga mostram que, entre 18h50 e 19h50, foram registrados 38,8 milímetros de chuva. No mesmo período, as rajadas chegaram a 76,2 km/h.
Temporal em Ipatinga teve quase 40 mm de chuva em uma hora
O volume registrado ajuda a dimensionar a intensidade do episódio. Praticamente 39 litros de água por metro quadrado caíram sobre a cidade no intervalo de apenas uma hora.
Além da chuva intensa, o vento derrubou árvores e postes, espalhou galhos e outros materiais pelas vias e provocou pontos de alagamento. Equipes da Defesa Civil Municipal, trânsito, serviços urbanos, Corpo de Bombeiros e Cemig foram mobilizadas para atender os chamados e desobstruir as áreas afetadas.
A Defesa Civil municipal informou, no balanço inicial divulgado após a tempestade, que não havia registro de ocorrências graves ou vítimas em Ipatinga. O Corpo de Bombeiros relatou posteriormente duas ocorrências de corte de árvores entre quarta e quinta-feira que poderiam estar relacionadas à chuva.
As imagens que circularam nas redes sociais chamaram atenção principalmente pela força da ventania, mas os registros oficiais disponíveis até sexta-feira indicavam que, apesar dos importantes danos materiais, não havia confirmação de mortes ou feridos graves provocados diretamente pelo temporal em Ipatinga.
Árvores e postes bloquearam trecho da BR-381
Um dos pontos mais críticos após a tempestade foi registrado na BR-381, na altura do km 250, no sentido de Governador Valadares. Árvores e postes caíram sobre a pista e bloquearam a passagem de veículos.
A Defesa Civil e a concessionária responsável pela rodovia atuaram na retirada dos obstáculos e na sinalização do local. Após os trabalhos de limpeza, o trânsito voltou a fluir.
Os transtornos provocados pela chuva também afetaram a rede municipal de ensino. Inicialmente, quatro escolas tiveram as aulas suspensas na manhã de quinta-feira (17) para permitir avaliações e serviços necessários com segurança.
Foram afetadas a Escola Municipal Padre Bertollo, Escola Municipal Pato Donald, Escola Municipal Infantil 07 de Outubro e Escola Municipal Carlos Drummond de Andrade.
Mais de 120 mil clientes ficaram sem energia no Vale do Aço
Um dos impactos mais amplos da tempestade ocorreu na rede elétrica. Segundo informações repassadas pela Cemig, mais de 120 mil clientes ficaram sem energia elétrica no Vale do Aço após a passagem do temporal.
As quedas de árvores e o lançamento de objetos contra a rede, incluindo galhos e partes de telhados, provocaram curtos-circuitos, rompimento de cabos e danos a estruturas de distribuição.
O fornecimento começou a ser restabelecido gradualmente ainda depois da tempestade. Na manhã desta sexta-feira, 18 de setembro, a Cemig informou que aproximadamente 90% dos clientes afetados em toda a região já haviam recuperado o serviço.
Os atendimentos mais complexos, porém, continuavam. Havia registros de interrupções em pontos de bairros de Ipatinga como Bela Vista, Bom Retiro, Horto, Veneza e Iguaçu.
A companhia mobilizou cerca de 290 profissionais, entre eletricistas, técnicos de campo e engenheiros, exclusivamente para os trabalhos de recuperação no Vale do Aço.
Temporal também atingiu outras cidades da região
Ipatinga não foi o único município atingido. A mesma instabilidade provocou estragos em outras cidades do Vale do Aço, incluindo Timóteo e Coronel Fabriciano.
Foram registrados destelhamentos, quedas de árvores e postes e interrupções nos serviços de energia e comunicação. Em Timóteo, também houve alagamentos, quebra de vidraças e danos a imóveis.
O episódio ocorreu em um dia no qual o Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais já indicava condições atmosféricas favoráveis à ocorrência de tempestades severas em grande parte do estado, com possibilidade de chuva intensa, granizo e fortes rajadas de vento.
Isso não significa que todos os municípios mineiros teriam necessariamente tempestades severas, já que esse tipo de fenômeno pode ocorrer de forma bastante localizada. No Vale do Aço, entretanto, as condições acabaram resultando em tempestades capazes de causar danos significativos em poucos minutos.
Como está a situação após o temporal
Dois dias depois da tempestade, os trabalhos estavam concentrados principalmente na recuperação da rede elétrica, retirada de árvores e materiais e normalização dos serviços afetados.
Em Ipatinga, o balanço disponível até sexta-feira continuava sem registro de vítimas fatais ou feridos graves diretamente relacionados ao temporal. A maior parte dos clientes que perdeu energia no Vale do Aço já havia recuperado o fornecimento, embora equipes permanecessem atuando nos pontos de reparo mais complexos.
A Defesa Civil orienta a população a evitar áreas de risco durante novos episódios de chuva forte, não atravessar vias alagadas e manter distância de árvores, postes e fiações elétricas danificadas.
O temporal de 16 de setembro mostra como uma tempestade de curta duração pode causar impactos expressivos quando reúne chuva intensa, granizo e rajadas superiores a 70 km/h, especialmente em áreas urbanas com árvores, redes elétricas e grande circulação de veículos.
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