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USA Rare Earth compra Serra Verde por US$ 2,8 bilhões e coloca o Brasil no centro da disputa por terras raras

A americana USA Rare Earth anunciou a compra da brasileira Serra Verde em uma operação de US$ 2,8 bilhões entre dinheiro e ações. O negócio dá à empresa o controle da mina Pela Ema, em Goiás, e amplia a ofensiva dos Estados Unidos para fortalecer sua cadeia de suprimento de terras raras fora da China.

A movimentação é relevante porque a Serra Verde opera um ativo considerado raro no Ocidente: uma mina rica em terras raras pesadas, como disprósio e térbio, matérias-primas essenciais para aplicações em defesa, eletrônicos, imãs permanentes e transição energética. A Reuters destaca que esse perfil torna o ativo brasileiro especialmente atraente num momento em que países ocidentais tentam criar cadeias produtivas menos dependentes de Pequim.

Hoje, a China segue com enorme domínio nesse mercado. Segundo a Reuters, o país responde por cerca de 90% da produção global processada de terras raras, o que lhe dá forte influência sobre preços e oferta. É justamente essa dependência que EUA e aliados tentam reduzir ao investir em novos projetos, financiamento estatal e acordos de longo prazo com produtores fora da órbita chinesa.

O acordo também mostra que a Serra Verde deixou de ser apenas uma mineradora brasileira promissora para virar um ativo estratégico dentro da guerra industrial por minerais críticos. Nos últimos meses, a empresa já havia encurtado contratos de fornecimento com clientes chineses para ganhar flexibilidade e atender compradores ocidentais, diante do interesse crescente de Estados Unidos, Japão, Europa e Canadá.

Além da compra em si, o negócio vem acompanhado de forte apoio institucional dos EUA. A Reuters informou que a USA Rare Earth fechou em janeiro um pacote de financiamento de US$ 1,6 bilhão com o governo americano. Já a Serra Verde acertou em fevereiro um financiamento de US$ 565 milhões com Washington, incluindo opção de participação minoritária via U.S. International Development Finance Corporation.

Outro ponto central é o acordo comercial que acompanha a transação. A Serra Verde passará a contar com preço garantido para sua produção, por meio de um contrato de fornecimento de 15 anos envolvendo 100% da produção da mina com um veículo de propósito específico capitalizado por recursos do governo dos EUA e fontes privadas. Na prática, isso ajuda a proteger o projeto contra oscilações fortes de preços, um dos maiores riscos do setor.

A mina da Serra Verde entrou em produção comercial no início de 2024 e ainda não atingiu sua capacidade total. Segundo a Reuters, a expectativa é que a operação chegue a cerca de 6.400 toneladas por ano de óxidos totais de terras raras até 2027. Esse crescimento é um dos fatores que explicam o interesse americano no ativo brasileiro.

Depois da aquisição, o atual CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, passará a ser presidente da USA Rare Earth e também integrará o conselho da companhia combinada. O chairman da Serra Verde, Mick Davis, ex-Xstrata, também entrará no board. Os acionistas atuais da Serra Verde ficarão com 34% da empresa combinada, enquanto o fechamento da operação é esperado para o terceiro trimestre de 2026.

Para o Brasil, a operação reforça o peso estratégico do país em uma cadeia que deve ganhar cada vez mais importância nos próximos anos. Terras raras são insumos decisivos não só para carros elétricos e turbinas eólicas, mas também para equipamentos militares, eletrônicos avançados e infraestrutura tecnológica. Quando uma mina brasileira desse porte entra no radar direto de Washington, o assunto deixa de ser apenas mineração e passa a ser também geopolítica, indústria e segurança econômica. Essa leitura é uma inferência jornalística baseada nos fatos reportados pela Reuters sobre o valor do ativo, o apoio estatal dos EUA e o papel das terras raras pesadas na indústria.

O mercado reagiu rápido. As ações da USA Rare Earth subiram 9% após o anúncio, refletindo a percepção de que a companhia deu um salto importante em sua estratégia de montar uma cadeia integrada de mineração, processamento e fabricação de ímãs fora da China.

Num cenário em que Washington acelera a corrida por minerais críticos e tenta blindar sua indústria de gargalos estratégicos, a compra da Serra Verde pode virar um marco não só para a empresa, mas para o papel do Brasil na nova disputa global por recursos essenciais.

Curadoria Xplora com base em informações da Reuters.

Matias Gomes
Matias Gomes
Matias Gomes é fundador e editor do Xplora News, plataforma de curadoria jornalística dedicada a geopolítica, tecnologia, clima, Brasil e mundo. Atua na seleção, contextualização e análise de temas de alto impacto, com base em fontes nacionais e internacionais, priorizando clareza, responsabilidade editorial e precisão informativa.
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