O Brasil revogou as credenciais que permitiam a um agente de imigração dos Estados Unidos atuar oficialmente em Brasília. A decisão foi confirmada pela Polícia Federal e pelo Itamaraty, que disseram ter adotado a medida em resposta a uma ação semelhante tomada pelo governo americano contra um representante brasileiro. Segundo a Reuters, o caso foi apresentado pelas autoridades brasileiras como uma reação baseada em reciprocidade.
A crise começou a subir de tom depois que Washington pediu, na segunda-feira, que Marcelo Ivo de Carvalho, adido brasileiro da área de segurança que atuava em Miami, deixasse o país. De acordo com a Reuters, ele trabalhava como elo com a área de imigração dos EUA e sua saída forçada provocou forte incômodo em Brasília.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em entrevista à GloboNews, citada pela Reuters, que a corporação revogou as credenciais do agente americano “com grande pesar” e que o Brasil não pretende expulsar nenhum oficial dos EUA. Ainda segundo a agência, Rodrigues disse que a PF quis entender por qual procedimento Marcelo Ivo de Carvalho perdeu suas próprias credenciais, já que não teria recebido comunicação formal das autoridades americanas.
Mais tarde, o Ministério das Relações Exteriores informou que convocou um representante da embaixada dos Estados Unidos em Brasília para comunicar a decisão de “interromper imediatamente” as atividades do oficial americano no país. Segundo a Reuters, o Itamaraty não divulgou o nome do agente atingido, mas afirmou que a reciprocidade envolvia um oficial de “área correspondente” à de Marcelo Ivo de Carvalho.
Esse novo capítulo aprofunda uma tensão que já havia explodido no dia anterior. A Reuters reportou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil poderia responder aos Estados Unidos após a expulsão do adido brasileiro, criticando o que enxergou como interferência e abuso de autoridade.
O pano de fundo do caso é ainda mais sensível porque envolve Alexandre Ramagem. Segundo a Reuters, o impasse começou depois que a agência de imigração dos EUA, a ICE, deteve brevemente o ex-chefe da inteligência brasileira, que havia fugido do Brasil após sua condenação por participação em uma tentativa de golpe ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ramagem acabou sendo liberado posteriormente, mas o episódio abriu uma nova frente de atrito entre os dois países.
Na prática, a decisão brasileira mostra que o governo decidiu sair do discurso e partir para uma resposta concreta, ainda que calibrada. O Brasil suspendeu a atuação oficial de um agente americano, mas evitou adotar o passo mais extremo, que seria uma expulsão formal. Essa leitura é uma inferência jornalística baseada nas declarações de Andrei Rodrigues reproduzidas pela Reuters, segundo as quais o país reagiu, mas não quer retirar nenhum representante dos EUA do território brasileiro.
O gesto é importante porque transforma uma crise diplomática pontual em um embate institucional entre duas estruturas de Estado: segurança, imigração e diplomacia. Isso eleva o peso político do episódio e pode prolongar a tensão caso Washington responda novamente ou mantenha a linha dura adotada até aqui. Essa análise é uma inferência plausível sustentada pela sequência dos fatos reportados pela Reuters: primeiro a saída forçada do adido brasileiro, depois a ameaça de reciprocidade feita por Lula e agora a revogação das credenciais do oficial americano em Brasília.
Até o momento citado pela Reuters, a embaixada dos Estados Unidos em Brasília não havia respondido de imediato aos pedidos de comentário sobre a medida brasileira.
Curadoria Xplora com base em informações da Reuters.

