Pular para o conteúdo
domingo, 25 de outubro de 2026
XPLORANEWS
Início / Mundo
Mundo

Trump ordena reduzir exercícios com Coreia do Sul e Congresso reage

Parlamentares democratas e republicanos questionam a decisão, enquanto o Pentágono afirma que ainda não há mudanças anunciadas no Ulchi Freedom Shield 2026.

Por Matias Gomesagosto 17, 20267 min de leitura
◯ Comentar

Parlamentares dos Estados Unidos, incluindo integrantes dos partidos Democrata e Republicano, reagiram à decisão do presidente Donald Trump de ordenar uma redução substancial dos exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul. A medida abriu um novo debate em Washington sobre os impactos que uma diminuição dos treinamentos pode ter na prontidão militar dos dois aliados e na segurança da Península Coreana.

A ordem foi anunciada por Trump no domingo, 16 de agosto, poucas horas antes do início do Ulchi Freedom Shield 2026, um dos principais exercícios militares anuais entre Washington e Seul. Segundo a Reuters, Trump afirmou ter instruído o Pentágono a reduzir “substancialmente” os treinamentos conjuntos.

O presidente americano justificou a decisão principalmente pelo custo das operações e afirmou considerar que os exercícios enviam um sinal inadequado e hostil à Coreia do Norte. Trump também voltou a destacar sua relação com o líder norte-coreano Kim Jong-un.

Apesar da ordem presidencial, isso não significa que o exercício atualmente em andamento já tenha sido reduzido. O Pentágono informou nesta segunda-feira que não havia mudanças a anunciar no Ulchi Freedom Shield 2026 naquele momento. Assim, ainda não está definido como e quando a orientação de Trump será implementada.

Congresso dos EUA reage à decisão de Trump

A decisão provocou resistência no Congresso americano. De acordo com o The Korea Times, as críticas partiram principalmente de democratas, mas também chegaram ao Partido Republicano.

O senador democrata Jack Reed, principal representante de seu partido no Comitê de Serviços Armados do Senado, criticou duramente a iniciativa. Em comunicado oficial publicado em 17 de agosto, Reed argumentou que alianças americanas são construídas sobre confiança e força e avaliou que a redução dos treinamentos pode transmitir a aliados e adversários a impressão de que os compromissos dos Estados Unidos são negociáveis.

Reed também afirmou que a decisão representa uma vitória política para Kim Jong-un e alertou que países como China e Rússia acompanham a maneira como Washington trata seus aliados.

A reação não ficou restrita à oposição. O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, também questionou a decisão. Tillis destacou que a Coreia do Sul é uma aliada militar dos Estados Unidos há mais de sete décadas e argumentou que uma redução dos exercícios pode beneficiar indiretamente a Rússia diante da crescente cooperação entre Moscou e Pyongyang.

O senador democrata Mark Kelly, integrante do Comitê de Serviços Armados, chamou atenção para a importância operacional dos treinamentos. Segundo ele, a capacidade das forças americanas e sul-coreanas de atuarem juntas durante uma eventual crise depende da preparação e da coordenação desenvolvidas nos exercícios conjuntos.

Ulchi Freedom Shield 2026 continua em andamento

O Ulchi Freedom Shield 2026 começou em 17 de agosto e está programado para seguir até 27 de agosto. Aproximadamente 18 mil militares sul-coreanos participam das atividades deste ano, em escala semelhante à observada anteriormente.

Segundo a Reuters, os exercícios de 2026 incluem preparação contra ameaças envolvendo drones, interferência em sinais de GPS e ataques cibernéticos, além de outros cenários relacionados à defesa da Coreia do Sul.

Os treinamentos também procuram adaptar as forças às mudanças observadas nos conflitos modernos, como a utilização crescente de sistemas não tripulados, guerra eletrônica e operações cibernéticas.

Estados Unidos e Coreia do Sul classificam os exercícios como defensivos. A Coreia do Norte, por sua vez, historicamente condena essas operações e afirma que elas representam preparação para uma possível invasão.

Trump relacionou decisão à Coreia do Norte e ao Irã

Além de criticar o custo dos exercícios, Trump vinculou sua decisão à postura da Coreia do Sul em relação às operações americanas contra o Irã.

Trump afirmou que perguntou ao presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, se Seul participaria dos esforços dos Estados Unidos relacionados ao Irã e disse ter recebido uma resposta negativa.

O governo sul-coreano apresentou uma versão mais detalhada. Segundo a Reuters, o gabinete presidencial de Seul afirmou que o país estava discutindo possíveis contribuições militares, levando em consideração a necessidade de manter sua própria prontidão defensiva na Península Coreana e os procedimentos legais internos.

A presidência sul-coreana também afirmou esperar que a relação entre Trump e Kim Jong-un possa contribuir para a retomada de um diálogo voltado à paz e à estabilidade na Península Coreana, ao mesmo tempo em que Washington e Seul continuam coordenando sua postura conjunta de defesa.

Por que os exercícios são importantes?

Estados Unidos e Coreia do Sul mantêm uma parceria militar estabelecida após a Guerra da Coreia. Atualmente, cerca de 28,5 mil militares americanos estão estacionados em território sul-coreano.

Os exercícios conjuntos têm como objetivo aprimorar a capacidade das forças dos dois países de operar de maneira integrada, incluindo comando, comunicação, planejamento e resposta a diferentes cenários militares.

As duas Coreias permanecem tecnicamente em estado de guerra porque a Guerra da Coreia, travada entre 1950 e 1953, terminou com um armistício e não com um tratado de paz definitivo.

O contexto regional também permanece tenso. Antes do início dos exercícios deste ano, a Coreia do Norte voltou a condenar a cooperação militar entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão e realizou lançamentos de mísseis balísticos.

Trump já reduziu exercícios com a Coreia do Sul no passado

A estratégia de reduzir treinamentos militares para tentar diminuir as tensões com Pyongyang não é inédita durante governos de Trump.

Em 2018, depois da histórica cúpula entre Trump e Kim Jong-un em Singapura, os Estados Unidos suspenderam importantes exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. Na época, Trump também criticou o custo das operações e as classificou como provocativas.

As negociações entre Washington e Pyongyang, porém, posteriormente perderam força diante das divergências envolvendo o programa nuclear norte-coreano, e os exercícios acabaram sendo retomados.

Esse precedente ajuda a explicar parte da preocupação atual no Congresso. Para os críticos da nova decisão, reduzir os treinamentos sem uma contrapartida concreta da Coreia do Norte pode afetar a preparação militar dos aliados. Já a postura de Trump indica que o presidente vê a diminuição das operações como uma possível forma de reduzir tensões e criar espaço para uma nova aproximação diplomática com Kim Jong-un.

O que ainda não está definido

A principal dúvida agora é como o Pentágono transformará a ordem de Trump em mudanças concretas.

Até a última atualização, o Departamento de Defesa americano afirmou que não tinha alterações a anunciar no Ulchi Freedom Shield 2026. Portanto, não está confirmado se o treinamento atual será reduzido ou se a orientação presidencial terá efeito principalmente sobre futuros exercícios militares.

Também ainda não foram detalhados quais tipos de treinamento poderiam ser eliminados, reduzidos ou modificados.

A situação coloca três movimentos sob observação: a implementação da ordem pelo Pentágono, a reação do governo sul-coreano e uma eventual resposta da Coreia do Norte. Qualquer mudança nesses pontos poderá indicar se a iniciativa permanecerá restrita à redução dos exercícios ou se fará parte de uma tentativa mais ampla de Trump de retomar negociações com Kim Jong-un.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

Compartilhe:WhatsAppFacebookX
Avatar de Matias Gomes

Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

0 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *