Erupção do Anak Krakatau lança cinzas a 15 km de altitude
Satélite Himawari-9 detectou a nuvem vulcânica chegando ao nível FL500; imagens registradas no Estreito de Sunda mostram forte incandescência durante a atividade.

O Anak Krakatau, na Indonésia, registrou uma forte erupção durante a noite de 4 para 5 de setembro de 2026, com uma nuvem de cinzas que atingiu aproximadamente 15 quilômetros de altitude e intensa incandescência observada no vulcão. Imagens que começaram a circular nas redes sociais mostram a atividade vista a partir de uma embarcação no Estreito de Sunda.
- O que aconteceu: uma erupção de alta altitude foi detectada no Anak Krakatau durante a noite na Indonésia.
- Altitude: o Darwin VAAC estimou cinzas chegando ao nível FL500, aproximadamente 15,2 quilômetros acima do nível do mar.
- Situação: o vulcão permanece no Nível III, ou Siaga, e autoridades mantêm uma zona de exclusão de 3 quilômetros.
A confirmação mais importante veio do Darwin Volcanic Ash Advisory Centre (VAAC), órgão responsável por acompanhar nuvens de cinzas vulcânicas que possam representar risco para a aviação em uma extensa área da região.
Dados do satélite Himawari-9 mostram que a coluna aumentou rapidamente de altitude. Às 23h30 de 4 de setembro, no horário do oeste da Indonésia, o centro identificou cinzas chegando ao nível de voo FL450. Cerca de dez minutos depois, uma nova análise elevou a estimativa para FL480.
Posteriormente, a nuvem atingiu FL500, equivalente a aproximadamente 50 mil pés ou 15,2 quilômetros de altitude. O VAAC classificou o episódio como uma erupção de alta altitude.
Erupção do Anak Krakatau levou cinzas até cerca de 15 km
Os avisos emitidos durante a madrugada mostram uma rápida evolução. Às 16h30 UTC de 4 de setembro, correspondentes às 23h30 na região do vulcão, o Darwin VAAC identificava material vulcânico em FL450, aproximadamente 13,7 quilômetros.
Dez minutos depois, às 16h40 UTC, a estimativa passou para FL480, cerca de 14,6 quilômetros. Às 17h50 UTC, o centro já registrava a nuvem chegando ao FL500.
O dado continuou aparecendo nas atualizações seguintes. Em um aviso emitido às 20h10 UTC, já durante a madrugada de 5 de setembro na Indonésia, o Darwin VAAC informou que cinzas em FL500 ainda eram identificáveis nas imagens de satélite e avançavam para oeste a aproximadamente 40 nós.
Uma segunda camada de cinzas, mais baixa, era observada até o nível FL180, cerca de 5,5 quilômetros, deslocando-se em direção ao sul-sudeste.
O VAAC informou que a estimativa máxima foi baseada, entre outros dados, na temperatura infravermelha observada pelo satélite, de aproximadamente -68 °C. Modelos atmosféricos e imagens de satélite também foram utilizados para estimar o deslocamento da nuvem.
O que significa FL500?
A sigla FL significa Flight Level, ou nível de voo. O número é utilizado principalmente pela aviação e representa centenas de pés de altitude sob uma referência atmosférica padronizada.
Assim, FL500 corresponde aproximadamente a 50 mil pés, ou 15,2 quilômetros.
Isso não significa que a lava do Anak Krakatau tenha sido arremessada a 15 quilômetros. O valor corresponde ao topo estimado da nuvem formada por cinzas, gases e outros materiais da erupção.
Uma nuvem vulcânica nessa altitude merece atenção especial porque pode alcançar níveis utilizados por aeronaves comerciais. Cinzas vulcânicas representam risco à aviação e, por isso, centros como o Darwin VAAC acompanham sua posição e trajetória.
Vídeo mostra erupção observada de uma embarcação
Paralelamente aos dados de satélite, imagens registradas no Estreito de Sunda começaram a ganhar repercussão nas redes sociais. Um vídeo atribuído à conta GR Garage mostra forte brilho avermelhado no Anak Krakatau enquanto uma embarcação navega pelo mar durante a noite.
O veículo local Radar TV Lampung informou que a transmissão ocorreu por volta das 00h21 de 5 de setembro, no horário local. A publicação descreve o barco como transportando um grupo de pescadores e relata que a embarcação tentava aumentar sua distância do vulcão enquanto enfrentava ondas no estreito.
O horário é compatível com a sequência detectada pelo Darwin VAAC: aproximadamente 50 minutos antes, o sistema de monitoramento já havia identificado uma nuvem vulcânica de alta altitude.
A publicação local ajuda a estabelecer o contexto do vídeo, embora detalhes como autoria original e localização exata da embarcação dependam do registro publicado pela própria conta que realizou a transmissão.
Anak Krakatau permanece em nível de alerta III
O Anak Krakatau já apresentava atividade elevada antes desta erupção. Autoridades da Indonésia mantêm o vulcão no Nível III, conhecido localmente como Siaga.
A recomendação técnica do Centro de Vulcanologia e Mitigação de Riscos Geológicos da Indonésia, o PVMBG, determina que moradores, visitantes, turistas e pescadores não realizem atividades dentro de um raio de 3 quilômetros do centro de atividade do vulcão.
Um comunicado da BPBD de Lampung Selatan publicado em 4 de setembro informou que as autoridades continuavam acompanhando uma dinâmica elevada do magma e reforçou a orientação para que moradores e turistas sigam apenas informações oficiais.
A região é especialmente monitorada porque o Anak Krakatau fica no Estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra.
A Indonésia também registrou recentemente outros eventos geológicos importantes. Em agosto, um terremoto de magnitude 7,7 atingiu o leste da Indonésia, em um episódio independente da atual atividade do Anak Krakatau.
Erupção significa que haverá tsunami?
Não. Uma erupção do Anak Krakatau não significa automaticamente que ocorrerá um tsunami.
O assunto recebe atenção especial por causa do histórico do vulcão. Em dezembro de 2018, um colapso parcial do flanco do Anak Krakatau deslocou grande quantidade de material para o mar e gerou um tsunami no Estreito de Sunda.
O Smithsonian Institution registra que grande parte do edifício vulcânico foi destruída naquele episódio. Foi o colapso do flanco e o deslocamento de material no oceano, e não simplesmente a presença de uma erupção, que estiveram associados à geração do tsunami.
A própria BMKG alertou em 2026 que a atividade vulcânica deve ser acompanhada porque deslizamentos significativos de material para o mar podem representar um perigo secundário. Ao mesmo tempo, o órgão orienta a população a não interpretar automaticamente qualquer nova erupção como indicação de tsunami.
Até a atualização consultada para esta matéria, não havia confirmação oficial de um novo colapso de grandes proporções do Anak Krakatau nem informação oficial de tsunami associado à erupção desta madrugada.
Por que o Anak Krakatau é tão conhecido?
O Anak Krakatau, cujo nome significa aproximadamente “Filho do Krakatau”, nasceu dentro da caldeira deixada pela histórica erupção do Krakatau de 1883.
Segundo o Global Volcanism Program, do Smithsonian Institution, o novo cone começou a ser construído por erupções a partir de 1927 e desde então passou por numerosos episódios eruptivos.
O vulcão é, portanto, parte de um sistema que apresenta uma longa história de construção e destruição do edifício vulcânico.
A erupção de 1883 destruiu grande parte da antiga ilha de Krakatau e provocou tsunamis devastadores. Mais de um século depois, em 2018, o colapso parcial do Anak Krakatau voltou a mostrar por que alterações significativas na estrutura da ilha são acompanhadas de perto.
O que deve ser acompanhado agora?
A principal informação das últimas atualizações é que a nuvem vulcânica continuava sendo detectada em FL500 horas depois do início da erupção de alta altitude.
Os próximos avisos do Darwin VAAC deverão mostrar se as cinzas permanecem nessa altitude, se a emissão diminui e para onde a nuvem continuará se deslocando.
No solo e no mar, o acompanhamento do PVMBG e das demais autoridades indonésias será importante para identificar mudanças na intensidade das erupções, deformações no vulcão ou qualquer outro sinal que possa alterar a avaliação de risco.
Por enquanto, o dado confirmado mais significativo é a ocorrência de uma erupção com cinzas alcançando aproximadamente 15,2 quilômetros de altitude. A recomendação oficial continua sendo respeitar a zona de exclusão e acompanhar somente os comunicados das autoridades.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.




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