Um tornado foi registrado na tarde desta sexta-feira, 31 de julho, na zona rural de Bernardo de Irigoyen, município localizado no departamento de San Jerónimo, na província de Santa Fé, na Argentina. O fenômeno ocorreu entre as regiões conhecidas como Campo Soto e Campo Mauro, a cerca de 100 quilômetros ao norte de Rosário.
O Centro de Monitoramento Climático e Meteorológico de Santa Fé confirmou que o funil registrado em vídeos por moradores tocou o solo e, portanto, foi classificado como tornado. Até o início da noite, o balanço era preliminar: não havia registro de pessoas feridas e os danos materiais estavam concentrados em propriedades rurais.
O caso chama atenção não apenas pelas imagens, mas porque ocorreu durante o começo de um novo período de instabilidade no Cone Sul. Argentina e Uruguai têm previsão de tempestades fortes ou severas, enquanto parte do Rio Grande do Sul pode ser atingida de maneira mais localizada.
Tornado atingiu propriedades na área rural
Os vídeos gravados por moradores mostram um funil bem definido avançando sobre uma região de campos. A formação aumentou de tamanho durante parte de seu deslocamento e depois se dissipou, sem atingir diretamente uma área urbana densamente ocupada.
Um morador identificado apenas como Valentín relatou à Radio 2, de Rosário, que o tornado derrubou um tambo — instalação rural usada para a ordenha e o armazenamento de leite — e uma casa em propriedades vizinhas. O relato é uma informação testemunhal e ainda não havia sido acompanhado por um levantamento oficial detalhado dos danos.
As primeiras informações divulgadas pelo monitoramento meteorológico de Santa Fé indicaram poucos danos materiais e ausência de feridos. Como o fenômeno atingiu propriedades afastadas e a avaliação ainda estava em andamento, esse balanço pode ser atualizado pelas autoridades locais.
As tempestades também provocaram chuva e queda de granizo em Rosário e em outros pontos do sul da província de Santa Fé. Motoristas procuraram locais cobertos para proteger os veículos durante os episódios mais intensos.
O que favoreceu a formação do tornado
A MetSul Meteorologia atribuiu o episódio à combinação de ar quente, intensa formação de nuvens de tempestade, corrente de jato em baixos níveis e forte mudança na direção ou na velocidade dos ventos conforme a altitude.
Esse último fator é conhecido como cisalhamento do vento e pode favorecer a rotação dentro de uma tempestade.
O tornado foi associado a uma supercélula. O termo descreve uma tempestade com uma corrente de ar ascendente profunda, persistente e em rotação. Esse tipo de estrutura pode durar mais que uma tempestade comum e criar condições para granizo, rajadas destrutivas e tornados, embora nem toda supercélula produza um tornado.
O centro de monitoramento de Santa Fé também esclareceu que o tornado registrado em Bernardo de Irigoyen já havia se dissipado. O deslocamento da tempestade que o originou não significa que o mesmo tornado continuaria avançando para outras cidades, nem garante que um novo vórtice se formará.
Essa diferença é importante porque vídeos publicados nas redes sociais podem dar a impressão de que um único tornado permanece ativo por várias horas e percorre grandes distâncias. Na realidade, a tempestade pode continuar avançando mesmo depois do desaparecimento do vórtice.
Nova rodada de tempestades avança pelo Cone Sul
O tornado ocorreu durante o início de um episódio mais amplo de tempo severo. Na Argentina, alertas meteorológicos incluíram áreas de Santa Fé, Entre Ríos e Buenos Aires, com possibilidade de chuva intensa, granizo e rajadas fortes.
Na região metropolitana de Buenos Aires, o alerta atribuído ao Serviço Meteorológico Nacional da Argentina indicava possibilidade de volumes entre 40 e 80 milímetros e rajadas superiores a 90 km/h em alguns pontos. Como áreas e níveis de alerta podem mudar ao longo do evento, as informações devem ser acompanhadas diretamente nos canais meteorológicos oficiais.
No Uruguai, o Instituto Uruguaio de Meteorologia, o Inumet, advertiu oficialmente para tempestades fortes, localmente muito fortes ou severas, entre a tarde de sexta-feira e o sábado, 1º de agosto. A previsão indicava que a instabilidade começaria pelo litoral oeste e pelo centro-sul do país antes de avançar gradualmente em direção ao Nordeste.
Além dos tornados, tempestades severas podem provocar microexplosões. Esse fenômeno acontece quando uma corrente de ar desce rapidamente de uma nuvem, atinge o solo e se espalha com grande intensidade.
Diferentemente do tornado, os ventos de uma microexplosão tendem a se afastar do ponto de impacto, em vez de girar ao redor de um vórtice.
O episódio pode afetar o Brasil?
Para o Rio Grande do Sul, a MetSul avaliou que havia risco menor e localizado de tempestades severas durante o sábado, principalmente na Metade Oeste. A empresa mencionou um risco marginal de tornado, expressão que indica uma possibilidade baixa e restrita, não uma previsão de que o fenômeno necessariamente ocorrerá.
Até a conclusão desta apuração, não havia sido localizado no painel público da Defesa Civil gaúcha um alerta oficial específico para tornado relacionado a esse episódio. A página mantinha avisos associados a inundações e à elevação de rios em diferentes áreas do estado.
A ausência de um aviso específico naquele momento não elimina a necessidade de acompanhar atualizações oficiais.
Durante uma tempestade, a orientação mais segura é permanecer em uma construção resistente, afastado de janelas, coberturas frágeis e objetos que possam ser lançados pelo vento.
Deslocamentos devem ser evitados nas áreas sob alerta, principalmente quando houver granizo, alagamentos ou rajadas intensas.
O que ainda não se sabe
Até o início da noite desta sexta-feira, não havia sido divulgado um levantamento público detalhado sobre o percurso, a duração, a velocidade dos ventos ou a intensidade do tornado na Escala Fujita Aprimorada, usada para classificar o fenômeno a partir dos danos observados.
Também não estava confirmado o número total de construções atingidas. Os relatos disponíveis mencionavam danos em propriedades rurais, incluindo uma casa e uma instalação de produção leiteira, mas ainda dependiam de verificação completa pelas autoridades locais.
Outro ponto a ser acompanhado é a evolução das tempestades durante a noite e a madrugada. O alerta regional não significa que todas as cidades terão fenômenos severos. Tempestades desse tipo podem ser muito intensas em uma área e produzir apenas chuva moderada em locais próximos.
O que pode acontecer agora
As próximas atualizações devem mostrar se houve novos danos na província de Santa Fé e se o tornado receberá uma classificação oficial.
Também será necessário acompanhar os alertas meteorológicos da Argentina e do Uruguai, onde o ambiente permaneceria favorável a tempestades fortes durante a noite de sexta-feira e parte do sábado.
No Brasil, a atenção se concentra principalmente no Oeste do Rio Grande do Sul. Qualquer mudança no risco deve ser confirmada pelos avisos da Defesa Civil, do Instituto Nacional de Meteorologia e dos serviços meteorológicos que acompanham o avanço das tempestades.
O tornado de Bernardo de Irigoyen já havia se dissipado, mas serviu como sinal concreto da intensidade que algumas células de tempestade podem alcançar durante esse episódio. O balanço final dos danos e a eventual classificação do fenômeno ainda dependerão de vistorias e informações oficiais.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.
Fontes consultadas
- MetSul Meteorologia — Nova onda de tempestades começa com tornado na Argentina
- Rosario3 — Tornado em área rural próxima de Rosário
- Instituto Uruguaio de Meteorologia — Informações à população
- Defesa Civil do Rio Grande do Sul — Avisos e alertas
- National Weather Service — Informações sobre supercélulas
- NOAA — Tipos de ventos produzidos por tempestades

