InícioMundoEnxame de gafanhotos no Daguestão mobiliza operação aérea

Enxame de gafanhotos no Daguestão mobiliza operação aérea

Imagens mostram uma grande concentração de insetos sobre uma estrada no norte da república russa, onde autoridades utilizam equipes terrestres e aeronaves para conter o avanço da praga.

  • Uma nuvem de gafanhotos foi registrada sobre uma estrada no norte do Daguestão, dificultando a visibilidade dos motoristas.
  • Autoridades agrícolas mobilizaram pulverizadores terrestres e aeronaves para tratar as áreas atingidas.
  • Mais de 50 mil hectares receberam tratamentos até o fim de julho, acima da previsão inicial para todo o ano.

Imagens de uma grande nuvem de gafanhotos sobre uma estrada no norte do Daguestão, no sul da Rússia, ganharam repercussão nas redes sociais. A concentração de insetos era tão densa que atingia os veículos e dificultava a visão dos motoristas que atravessavam a região.

A presença de grandes enxames no norte do Daguestão é confirmada por informações divulgadas por autoridades agrícolas e veículos regionais. A data e o ponto exatos do vídeo que circula atualmente, entretanto, ainda não foram verificados de forma independente.

Em 29 de junho, a emissora regional RGVK noticiou uma ocorrência semelhante na estrada entre Artezian e Kochubey, próxima à divisa entre o Daguestão e a Calmúquia.

No fim de julho, o braço regional do Centro Agrícola Russo, o Rosselkhozcenter, também reconheceu que imagens de grandes concentrações de gafanhotos migratórios estavam sendo publicadas a partir da zona norte do Daguestão. O órgão informou que o monitoramento e os tratamentos continuavam em diferentes áreas da república.

Área tratada superou a previsão inicial para 2026

O problema já era acompanhado pelas autoridades antes de os vídeos ganharem repercussão. Em março, o Rosselkhozcenter estimava que aproximadamente 35 mil hectares precisariam receber tratamentos contra gafanhotos durante 2026.

Os principais pontos considerados vulneráveis estavam nos distritos de Nogai, Kizlyar, Tarumovsky, Babayurtovsky e Kumtorkalinsky, áreas rurais situadas principalmente no norte do Daguestão. A previsão inicial pode ser consultada no comunicado do Rosselkhozcenter.

A extensão das operações, porém, cresceu rapidamente. No fim de maio, cerca de 5 mil hectares haviam recebido tratamentos. Durante a primeira parte de junho, a área atendida chegou a aproximadamente 20 mil hectares, conforme outra atualização oficial.

Em 16 de julho, as autoridades informaram que 251,4 mil hectares já haviam sido inspecionados. Larvas de espécies gregárias, capazes de formar enxames, foram encontradas em 65,87 mil hectares, com uma concentração média de 12 insetos por metro quadrado.

A maior densidade foi identificada no distrito de Kizlyar, onde foram contabilizados até 150 exemplares por metro quadrado em uma área de aproximadamente 300 hectares. Naquele momento, 44.197 hectares já haviam recebido tratamentos, incluindo pouco mais de 4 mil hectares atendidos por aeronaves. Os dados constam em um levantamento regional publicado em julho.

Até o fim do mês, a área tratada havia ultrapassado 50 mil hectares. Desse total, mais de 4,7 mil hectares receberam aplicações aéreas. A extensão corresponde a mais de 500 quilômetros quadrados e supera em aproximadamente 43% a previsão inicial de 35 mil hectares para todo o ano.

Área tratada, porém, não significa necessariamente área destruída. Os produtos podem ser aplicados preventivamente ou logo após a identificação de concentrações consideradas perigosas, com o objetivo de evitar que os gafanhotos avancem sobre plantações e pastagens.

Áreas protegidas dificultam o combate aos gafanhotos

Uma das principais dificuldades está relacionada às características ambientais do norte do Daguestão. A região possui pântanos, planícies inundáveis, baías, reservatórios e outras áreas de preservação nas quais a aplicação de pesticidas é limitada ou proibida.

Entre esses locais estão a Baía de Agrakhan, as áreas úmidas próximas aos reservatórios de Mekteb e Aksai, as planícies dos rios Terek e Sulak e a Baía de Kizlyar.

De acordo com o Rosselkhozcenter do Daguestão, os insetos podem se desenvolver nesses ambientes, alcançar a fase adulta e depois se deslocar em direção a estradas, pastagens e terras agrícolas.

As equipes não podem pulverizar indiscriminadamente todas essas áreas devido às restrições ambientais. As operações normalmente começam quando os gafanhotos deixam os locais protegidos e chegam a terrenos nos quais o tratamento químico é autorizado.

Esse deslocamento ajuda a explicar por que grandes nuvens podem aparecer rapidamente sobre estradas ou propriedades rurais, mesmo quando já existem ações de controle em outras partes da região.

Os gafanhotos pertencem ao mesmo grupo de insetos que inclui espécies normalmente encontradas de forma isolada. Algumas espécies, no entanto, podem mudar de comportamento diante de determinadas condições ambientais e passar a se agrupar em grandes enxames.

Quando isso acontece, os insetos começam a se deslocar coletivamente e a consumir vegetação em uma mesma área, aumentando o risco para plantações e pastagens. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura acompanha a formação de enxames no Cáucaso e na Ásia Central devido ao potencial de prejuízos para o setor agrícola.

Inspeções encontraram situações diferentes dentro da região

Em 28 de julho, o Rosselkhozcenter informou que suas equipes não haviam localizado gafanhotos migratórios nas propriedades agrícolas específicas examinadas no norte do Daguestão. Também não foram identificados danos às plantações nesses locais.

O órgão afirmou que parte dos insetos encontrados durante as inspeções pertencia a espécies de comportamento solitário, que não apresentariam ameaça significativa aos cultivos naquele momento. O resultado dessas verificações foi divulgado em um comunicado publicado em 28 de julho.

Três dias depois, o mesmo órgão mencionou vídeos mostrando uma grande concentração de gafanhotos migratórios na zona norte da república e explicou que os insetos poderiam ter saído de áreas úmidas onde a pulverização é proibida.

As informações não necessariamente se contradizem. Os comunicados tratam de locais, datas e inspeções diferentes. Um enxame pode atravessar uma estrada ou uma pastagem e não estar mais presente quando as equipes chegam às propriedades examinadas.

A movimentação constante dos insetos também dificulta a determinação da origem exata de cada grupo. Por isso, os registros em vídeo nem sempre permitem saber imediatamente onde o enxame se desenvolveu ou qual direção seguirá.

Quais são os riscos para a agricultura

Os gafanhotos representam um problema para agricultores quando permanecem em grandes concentrações sobre uma mesma área. Eles podem consumir folhas, pastagens e outras formas de vegetação utilizadas tanto no cultivo de alimentos quanto na alimentação de animais.

O risco não depende apenas da quantidade de insetos. Também são importantes fatores como o tempo de permanência do enxame, a direção do deslocamento, o estágio de desenvolvimento dos gafanhotos e o tipo de vegetação encontrada pelo caminho.

No caso do Daguestão, a extensão da área tratada mostra que as autoridades consideram necessário manter uma operação ampla de monitoramento e controle. Isso não significa, porém, que todos os locais pulverizados tenham sofrido perdas agrícolas.

Até os comunicados consultados, não havia um balanço regional consolidado que apontasse a extensão de eventuais prejuízos causados pelos enxames observados no fim de julho.

O que pode acontecer agora

A operação deve continuar enquanto novas concentrações forem identificadas em áreas rurais. O governo regional mantém uma estrutura de coordenação que reúne o Ministério da Agricultura do Daguestão, administrações distritais, produtores, serviços de emergência e especialistas em proteção vegetal.

O principal desafio será acompanhar os insetos que se desenvolvem em áreas protegidas e agir quando eles alcançarem locais onde o tratamento é permitido. A rapidez da resposta pode determinar se os enxames apenas atravessarão determinada região ou permanecerão tempo suficiente para causar danos às pastagens e lavouras.

A presença dos gafanhotos e a realização de tratamentos terrestres e aéreos estão confirmadas. Ainda precisam ser verificadas de maneira independente, porém, a data e a localização exatas de alguns vídeos compartilhados nas redes sociais.

As próximas atualizações devem indicar se novas áreas agrícolas foram atingidas, se a extensão das operações continuará aumentando e se serão registrados prejuízos relevantes para os produtores do norte do Daguestão.

Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

Matias Gomes
Matias Gomes
Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.
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