A Itália apresentou na ILA Berlin 2026 o AW249 Fenice, também designado AH-249A NEES, novo helicóptero militar de exploração, escolta e ataque desenvolvido pela Leonardo para o Exército Italiano. A aeronave foi criada para substituir a frota de AW129 Mangusta, que se aproxima do fim do ciclo operacional.
Mais do que um novo helicóptero de combate, o Fenice representa uma mudança na forma como esse tipo de aeronave deve atuar nas guerras modernas. O projeto foi pensado para operar em ambientes com drones, sensores, defesa antiaérea, guerra eletrônica, troca constante de informações e decisões cada vez mais rápidas no campo de batalha.
Segundo a Leonardo, o AW249 é o único helicóptero de combate ocidental totalmente novo, desenvolvido do zero, para atender às necessidades operacionais dos próximos 30 anos. A aeronave combina digitalização, conectividade, fusão de sensores e capacidade de atuar em operações multidomínio, envolvendo ar, terra, mar, espaço e ambiente cibernético.
Um dos principais diferenciais do Fenice está na sua arquitetura aberta. Isso significa que o helicóptero foi projetado para receber atualizações, novos sistemas, sensores e armamentos ao longo do tempo, sem depender de uma estrutura fechada e difícil de modernizar. Em uma área militar que muda rapidamente, essa flexibilidade pode ser decisiva.
O cockpit também foi redesenhado para reduzir a carga da tripulação. A aeronave conta com telas digitais de grande área, interface homem-máquina avançada, capacetes modernos para os pilotos e um sistema de gerenciamento de batalha desenvolvido pela Leonardo. A empresa afirma que inteligência artificial e automação são usadas para apoiar a tomada de decisão em diferentes fases da missão.
Na prática, o Fenice não foi criado apenas para atacar alvos. Ele pode funcionar como um nó de comando e controle no campo de batalha, coletando, processando e distribuindo informações em tempo real. A própria Leonardo descreve o helicóptero como uma plataforma capaz de reunir dados de sensores, identificar ameaças e compartilhar informações com centros de comando e outras unidades.
Essa capacidade mostra uma tendência cada vez mais importante nas Forças Armadas: veículos militares deixando de ser apenas plataformas de combate e passando a operar como centros móveis de informação. Em conflitos recentes, quem detecta primeiro, compartilha dados mais rápido e toma decisões com mais precisão tende a ter vantagem.
O Fenice também foi projetado para trabalhar com sistemas não tripulados. A Leonardo já iniciou o desenvolvimento de capacidades de integração entre tripulação e drones, conceito conhecido como crewed-uncrewed teaming. Segundo a Breaking Defense, executivos da empresa afirmaram em Berlim que a interface do helicóptero foi desenhada para funcionar com múltiplos drones.
Em missões militares, isso pode permitir que drones avancem primeiro para reconhecimento, vigilância ou identificação de ameaças, enquanto o helicóptero permanece em posição mais segura. Esse tipo de operação se tornou ainda mais relevante após a expansão do uso de drones em guerras recentes.
O armamento também segue uma configuração flexível. De acordo com a Leonardo, o AW249 pode operar com foguetes guiados e não guiados de 70 mm, mísseis ar-ar, mísseis ar-superfície e um canhão Gatling de 20 mm. A aeronave também conta com sistemas defensivos avançados, proteção balística, tanques de combustível tolerantes a impacto, baixa detectabilidade e proteção cibernética.
O helicóptero tem peso máximo de decolagem de 8,3 toneladas e foi projetado para atuar em diferentes missões, incluindo escolta aérea e terrestre, apoio aéreo aproximado, ataque, interdição e reconhecimento. A Leonardo afirma que o modelo também foi pensado para operar em condições extremas de calor e altitude, além de ter capacidade embarcada desde o início do projeto.
O programa já entrou em fase final de desenvolvimento e qualificação. Quatro aeronaves foram construídas até agora, incluindo três unidades de pré-produção. A produção em série já começou, e as primeiras entregas ao Exército Italiano estão previstas para 2028. Atualmente, 19 unidades já foram adquiridas, com negociações para mais 14, dentro de uma necessidade total de 48 helicópteros.
A apresentação do Fenice na ILA Berlin 2026 também teve um objetivo internacional. A Leonardo quer posicionar o AW249 como uma nova opção europeia de helicóptero de combate para países aliados, especialmente em um momento em que a Europa busca ampliar sua autonomia militar e modernizar equipamentos diante de ameaças mais complexas.
O ponto central é que o Fenice não chama atenção apenas pelo armamento. O que torna o helicóptero importante é a forma como ele combina ataque, sensores, IA, drones e troca de dados em tempo real. Ele mostra que as guerras do futuro tendem a depender menos de veículos isolados e mais de plataformas conectadas, capazes de enxergar, decidir e compartilhar informações antes do adversário.
Fontes: Leonardo, Breaking Defense e Revista Força Aérea.

