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Inundações no Nepal deixam 98 mortos e centenas desaparecidos

Autoridades investigam se um terremoto de magnitude 4,4 desencadeou uma avalanche, bloqueou um rio e liberou uma enxurrada sobre comunidades próximas à fronteira com o Tibete.

Por Matias Gomesagosto 26, 20266 min de leitura
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As inundações no Nepal que devastaram comunidades próximas à fronteira com o Tibete deixaram ao menos 98 mortos e centenas de desaparecidos nesta quarta-feira, 26 de agosto. Autoridades e pesquisadores investigam se um terremoto de magnitude 4,4 desencadeou uma avalanche de gelo e rochas, bloqueou um rio e provocou uma violenta enxurrada pelo vale.

O número mais recente divulgado pela Associated Press reúne 95 mortes confirmadas pelo governo nepalês e outras três informadas pela televisão estatal chinesa no condado de Gyirong, no Tibete. Os dados ainda são preliminares e podem mudar durante as operações de busca.

  • O que aconteceu: uma massa de água, lama e pedras avançou repentinamente por áreas do Nepal e do Tibete.
  • Quem foi atingido: moradores, policiais, trabalhadores de usinas, turistas e peregrinos.
  • Por que importa: ainda pode existir um bloqueio no rio, elevando o risco de uma segunda inundação.

Como começaram as inundações no Nepal

O desastre atingiu principalmente o distrito de Rasuwa, no Nepal, e a área de Gyirong, no Tibete. O rio Bhotekoshi transbordou por volta das 9h no horário local, destruindo vilarejos, pontes, estradas e instalações de geração de energia.

A Reuters informou que a principal hipótese envolve uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende, também chamado de Lhende Khola, afluente do Bhotekoshi. A avalanche teria lançado uma grande quantidade de detritos sobre o curso de água, criando uma barreira natural.

A água acumulada atrás desse bloqueio pode ter ultrapassado ou rompido a barreira, liberando repentinamente uma massa de água, lama, gelo e pedras. Esse tipo de processo produz uma inundação muito rápida, capaz de percorrer vales estreitos com força suficiente para arrastar construções e veículos.

Imagens registradas na região mostram moradores correndo enquanto uma parede escura de detritos se aproxima. Outros vídeos exibem edifícios parcialmente soterrados, veículos cobertos de lama e estradas completamente interrompidas.

Qual foi a participação do terremoto

O Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, detectou um terremoto de magnitude 4,4 aproximadamente 100 quilômetros ao norte de Katmandu, próximo à fronteira com a região chinesa do Tibete. O tremor aconteceu antes da inundação.

Apesar de sua magnitude moderada, o abalo pode ter funcionado como gatilho para a avalanche. Em áreas montanhosas, um tremor pode desestabilizar encostas já vulneráveis, especialmente quando existe acúmulo de gelo, pedras, sedimentos ou água.

Essa ligação, entretanto, ainda não foi comprovada de forma conclusiva. A ocorrência do terremoto está confirmada e a avalanche é apontada como a causa provável da inundação, mas ainda será necessário determinar se o tremor realmente provocou o deslocamento da encosta.

Pesquisadores do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, o ICIMOD, consideram provável que uma avalanche vinda de uma geleira tenha iniciado a enchente. O especialista em redução de riscos Saswata Sanyal informou à Associated Press que o material bloqueou o rio e posteriormente liberou uma onda repentina em direção às áreas mais baixas.

Centenas de pessoas continuam desaparecidas

Autoridades nepalesas contabilizavam 403 desaparecidos, incluindo 341 estrangeiros. Entre eles estavam turistas, trabalhadores e peregrinos que viajavam em direção ao Monte Kailash, no Tibete, considerado sagrado por diferentes religiões.

A relação apresentada pelas autoridades incluía cidadãos da Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá. Também havia nepaleses que visitavam a região do lago Gosaikunda durante o período de uma celebração local.

Ao menos 28 policiais nepaleses estavam entre os desaparecidos. Coreia do Sul e Malásia também relataram a perda de contato com cidadãos que se encontravam na região. Como as comunicações foram interrompidas e vários locais ficaram isolados, parte das pessoas inicialmente incluídas nas listas ainda poderá ser localizada.

Equipes militares, policiais e serviços de emergência foram mobilizados. O governo do Nepal pediu apoio à China e à Índia, enquanto autoridades chinesas enviaram centenas de integrantes das equipes de busca para a área de Gyirong.

Estradas e usinas foram destruídas

A força da inundação destruiu trechos de estradas, pontes, casas e projetos hidrelétricos. A passagem terrestre de Gyirong, uma importante ligação comercial entre Nepal e Tibete, também foi atingida por um deslizamento de lama.

Os danos às rotas terrestres dificultam o transporte das equipes de emergência. Helicópteros foram mobilizados, mas o nível elevado da água e a falta de áreas seguras para pouso limitam as operações em determinados pontos.

O Portal de Redução de Riscos de Desastres do Nepal registrou danos em pontes entre os distritos de Dhading e Nuwakot. Comunidades ao longo dos rios também enfrentam interrupções no fornecimento de energia e nas comunicações.

Por que ainda existe risco de outra inundação

Autoridades alertaram que outro bloqueio formado por gelo, pedras e sedimentos pode permanecer no rio Lhende. Caso essa barreira acumule água e se rompa, uma segunda enxurrada poderá alcançar as áreas mais baixas.

Moradores próximos aos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani foram orientados a se afastar das margens e procurar terrenos elevados. Alertas também foram emitidos em áreas da Índia, porque parte dos rios que nasce no Himalaia segue em direção às planícies indianas.

A região já havia registrado uma inundação repentina no ano anterior, quando o transbordamento de um lago glacial no Tibete deixou mortos e danificou a infraestrutura entre os dois países. Esse histórico reforça a vulnerabilidade dos vales diante do derretimento de geleiras, do bloqueio de rios e de eventos extremos.

O que ainda precisa ser esclarecido

A avalanche é apontada como a explicação mais provável para a inundação, mas ainda não existe uma reconstrução definitiva de toda a sequência. Investigações devem esclarecer o local exato onde a encosta desabou, o tamanho do bloqueio e o intervalo entre a formação da barreira e sua ruptura.

Também permanece aberta a questão sobre o terremoto. O tremor pode ter iniciado a avalanche, mas a proximidade temporal entre os dois fenômenos, isoladamente, não comprova uma relação direta.

As prioridades imediatas são localizar os desaparecidos, retirar sobreviventes das áreas isoladas e monitorar os bloqueios existentes nos rios. Os totais de mortos e desaparecidos deverão ser atualizados conforme as equipes conseguirem chegar às comunidades atingidas.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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