Ciclone extratropical no Sul pode elevar acumulados acima de 200 mm
Cemaden prevê mais de 200 milímetros em pontos do RS e de SC, enquanto órgãos meteorológicos alertam para temporais, enxurradas, deslizamentos e elevação de rios.

Um ciclone extratropical no Sul deve reforçar a instabilidade nesta segunda-feira, 31 de agosto, ampliando os volumes de chuva já registrados principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A previsão mais recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica que os acumulados podem ultrapassar 200 milímetros em alguns pontos nas próximas 48 horas.
As áreas destacadas pelo órgão incluem a Serra Gaúcha, o Planalto Norte e as Missões, no Rio Grande do Sul, além do centro-sul e do leste de Santa Catarina. A preocupação aumenta porque diversas regiões já acumulam chuva dos últimos dias, deixando o solo mais saturado e ampliando a possibilidade de impactos hidrológicos e deslizamentos.
- O que está previsto: formação de um ciclone extratropical e intensificação da instabilidade na segunda-feira.
- Áreas de maior atenção: principalmente norte do RS e diferentes regiões de Santa Catarina.
- Principais riscos: alagamentos, enxurradas, extravasamento de córregos, deslizamentos e elevação dos níveis dos rios.
Ciclone extratropical no Sul deve reforçar chuva acumulada
Em briefing divulgado na manhã deste domingo (30), o Cemaden informou que a instabilidade deve continuar entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o centro-sul e leste do Paraná.
O cenário deve ganhar força durante a segunda-feira, quando está prevista a formação do ciclone extratropical. Com isso, novas áreas de chuva devem se somar aos volumes acumulados anteriormente.
O Cemaden trabalha com a possibilidade de mais de 200 mm em pontos isolados nas próximas 48 horas. Isso não significa que todo o Rio Grande do Sul ou Santa Catarina receberão esse volume, mas indica potencial para acumulados muito elevados em áreas específicas.
A situação dá continuidade ao período de instabilidade acompanhado nos últimos dias. O Xplora News já havia mostrado que as chuvas aumentaram o risco de enchentes no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com monitoramento de diferentes bacias hidrográficas.
Santa Catarina pode ter até 200 mm em algumas regiões
A Epagri/Ciram atualizou neste domingo a previsão para Santa Catarina e aponta chuva intensa, persistente e volumosa durante a segunda-feira.
Os maiores acumulados previstos entre domingo e segunda variam entre 150 e 200 mm no Oeste, Meio-Oeste, Planalto Sul, Litoral Sul e Grande Florianópolis. No Extremo Oeste e Vale do Itajaí, a estimativa fica entre 100 e 150 mm, enquanto o Litoral Norte pode receber entre 50 e 90 mm.
A previsão também menciona possibilidade de temporais localizados, descargas elétricas, granizo e rajadas de vento superiores a 70 km/h. A Epagri/Ciram considera favoráveis as condições para ocorrência isolada de tempestades severas.
Santa Catarina já vinha enfrentando instabilidade. No sábado (29), granizo de grande tamanho atingiu pontos de Florianópolis e Biguaçu, com relatos de danos em veículos, telhados e vidraças.
Rio Grande do Sul tem risco de temporais severos
No Rio Grande do Sul, o Centro de Monitoramento da Defesa Civil estadual prevê risco de tempestades severas neste domingo e na segunda-feira, principalmente na metade norte do estado.
Entre os fenômenos previstos estão granizo, que pode atingir grande tamanho, e rajadas de vento que podem superar os 90 km/h. Há ainda possibilidade de chuva intensa de aproximadamente 100 mm em 12 horas em áreas da Serra, Norte e Nordeste.
Considerando o período entre sábado (29) e segunda-feira (31), os acumulados podem ultrapassar 150 mm pontualmente em áreas dos Vales, Serra, Nordeste, Norte e Litoral Norte.
A nova atualização se soma às projeções apresentadas anteriormente sobre o período de instabilidade associado ao ciclone extratropical no Sul.
Rios do RS podem continuar subindo até quarta-feira
Além da chuva intensa em curtos períodos, outra preocupação é o comportamento dos rios. De acordo com o Cemaden, existe tendência de elevação dos níveis entre este domingo e pelo menos quarta-feira, 2 de setembro.
O monitoramento destaca as bacias do Alto Uruguai, Taquari-Antas, Caí, Sinos e Guaíba. No momento da atualização divulgada pelo órgão, os níveis ainda eram considerados baixos, mas a concretização dos volumes previstos poderia provocar elevação significativa e levar alguns pontos a cotas críticas.
O risco hidrológico também envolve cursos d’água menores. Na região de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e de Lages, em Santa Catarina, o Cemaden aponta alta possibilidade de ocorrências como extravasamento de córregos, enxurradas e alagamentos urbanos.
Em cidades como Porto Alegre, Criciúma, Caçador, Florianópolis, Blumenau, Joinville e Curitiba, o órgão também não descarta ocorrências desse tipo caso a chuva prevista se confirme e os sistemas de drenagem sejam sobrecarregados.
Solo saturado aumenta risco de deslizamentos
A chuva acumulada anteriormente é um dos fatores que tornam o episódio mais preocupante. Quanto mais água o solo recebe durante vários dias consecutivos, menor pode ser sua capacidade de absorver novos volumes de precipitação.
O Cemaden chama atenção especialmente para a região de Caxias do Sul e para o leste catarinense, onde há possibilidade de deslizamentos pontuais em áreas urbanas, encostas naturais e cortes de rodovias.
O risco pode aumentar durante a segunda-feira caso os maiores volumes previstos realmente se concretizem. A faixa leste de Santa Catarina merece atenção adicional devido à suscetibilidade de determinadas áreas a movimentos de massa.
O ciclone não é o único fator de risco
Embora a formação do ciclone extratropical seja o elemento que chama mais atenção, os impactos dependem da combinação de diferentes fatores: intensidade da chuva, duração do evento, condições do solo, relevo, níveis dos rios e capacidade de drenagem das cidades.
Por isso, a previsão de mais de 200 mm não deve ser interpretada como um volume uniforme para toda a Região Sul. Trata-se de uma estimativa para pontos específicos dentro de uma extensa área de instabilidade.
Também é importante diferenciar previsão de ocorrência confirmada. Os volumes, a localização das tempestades e a intensidade das rajadas podem mudar conforme o sistema atmosférico evolui.
O que acompanhar nas próximas horas
A segunda-feira será o período decisivo para acompanhar a organização do ciclone e a localização das áreas de chuva mais intensa. Atualizações de radar, níveis dos rios e avisos emitidos pelas Defesas Civis serão fundamentais para determinar quais localidades enfrentarão os maiores impactos.
Em Santa Catarina, a Epagri/Ciram prevê melhora gradual do tempo a partir de terça-feira, com condições mais firmes posteriormente. No Rio Grande do Sul, porém, o comportamento das bacias hidrográficas pode continuar exigindo acompanhamento mesmo depois da redução da chuva.
Moradores das áreas afetadas devem consultar os avisos específicos das Defesas Civis estaduais e municipais, já que alertas meteorológicos podem ser atualizados conforme novas informações forem disponibilizadas.
Nota editorial: o Xplora News não realiza previsão do tempo nem emite alertas meteorológicos. Esta matéria organiza informações divulgadas por órgãos oficiais e fontes meteorológicas. Para decisões de segurança, consulte os alertas da Defesa Civil e dos serviços meteorológicos responsáveis pela sua região.
Sobre as imagens: registros utilizados na cobertura podem ser do próprio evento ou imagens de apoio. Uma imagem ilustrativa não significa que aquela situação ocorreu exatamente no local citado nem que o fenômeno previsto ocorrerá na cidade de quem visualiza o conteúdo. Consulte sempre os alertas oficiais específicos para sua localização.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.




0 comentários