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quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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BYD ETT 44 estreia com 1.000 cv e recarga de 20 minutos

Caminhão pesado foi desenvolvido para conjuntos de até 44 toneladas e pode recuperar energia equivalente a cerca de 400 km em aproximadamente 20 minutos.

Por Matias Gomessetembro 17, 20266 min de leitura
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A BYD apresentou o ETT 44, seu novo caminhão elétrico pesado desenvolvido especialmente para o transporte rodoviário de média e longa distância. O modelo foi um dos principais destaques da fabricante chinesa na IAA Transportation 2026, realizada em Hannover, na Alemanha, e marca uma nova etapa da expansão da empresa no mercado europeu de veículos comerciais.

O ETT 44 é um cavalo-mecânico 4×2 desenvolvido desde o início sobre uma plataforma elétrica. A configuração permite trabalhar com conjuntos de até 44 toneladas de peso bruto combinado, enquanto a fabricante anuncia potência máxima de até 1.000 cv, bateria de 651 kWh e autonomia de até 600 quilômetros.

Mais do que a potência, porém, é a velocidade de recarga que pode definir a viabilidade do projeto nas estradas. Segundo a BYD, uma estação compatível com carregamento em megawatts permite elevar a bateria de 20% para 80% em aproximadamente 20 minutos.

BYD ETT 44 combina bateria de 651 kWh e até 1.000 cv

O armazenamento de energia é feito por uma Blade Battery de 651 kWh, baseada em células de fosfato de ferro-lítio, conhecidas pela sigla LFP. A tecnologia Blade já é utilizada pela BYD em diferentes categorias de veículos elétricos, mas neste caso foi dimensionada para as exigências de um caminhão pesado.

A ficha técnica divulgada durante o lançamento indica potência de tração nominal na casa dos 743 cv, enquanto o sistema pode alcançar um pico próximo de 1.000 cv.

O ETT 44 também é relativamente pesado mesmo antes de receber a carga e o semirreboque. Dependendo da configuração, a massa do cavalo-mecânico fica em aproximadamente 10,95 a 11,14 toneladas. O conjunto completo pode chegar às 44 toneladas que ajudam a explicar a denominação do modelo.

A cabine utiliza teto alto, piso plano e espaço para descanso do motorista, características importantes para uma proposta voltada também a viagens de longa distância. Entre os equipamentos estão central multimídia de 12,8 polegadas, Apple CarPlay, Android Auto e sistemas de conectividade para gerenciamento de frotas.

Recarga de 1,5 MW é um dos principais destaques

Um dos maiores obstáculos para caminhões elétricos de longa distância é o tempo necessário para recuperar centenas de quilowatts-hora de energia durante uma viagem. A solução apresentada pela BYD é o suporte ao Megawatt Charging System, ou MCS.

O ETT 44 pode receber potência superior a 1,5 MW. Segundo a fabricante, isso permite passar de 20% para 80% de carga em aproximadamente 20 minutos, recuperando energia equivalente a até cerca de 400 quilômetros de autonomia.

O número ajuda a dimensionar a diferença para carregadores utilizados por automóveis elétricos convencionais. Uma potência de 1,5 MW corresponde a 1.500 kW, exigindo infraestrutura elétrica, cabos, refrigeração e equipamentos específicos para veículos pesados.

O MCS foi desenvolvido justamente para aplicações como caminhões e ônibus com grandes baterias. A especificação IEC TS 63379 avançou a padronização internacional desse tipo de conexão de alta potência, um ponto importante para evitar que cada fabricante desenvolva sistemas incompatíveis.

Para locais sem MCS, informações técnicas divulgadas sobre o ETT 44 apontam ainda suporte ao padrão CCS2 com até 420 kW. Nesse caso, a passagem de 20% para 80% pode levar até cerca de uma hora.

Autonomia anunciada de 600 km exige uma observação

A BYD anuncia para o ETT 44 uma autonomia de até 600 quilômetros com uma carga completa. O comunicado oficial de apresentação cita diretamente esse alcance ao lado da bateria de 651 kWh.

É importante, entretanto, não interpretar automaticamente os 600 km como uma distância que será alcançada em qualquer operação. Publicações que tiveram acesso à ficha técnica do veículo relatam que a autonomia final ainda aparecia como informação a ser confirmada em parte da documentação apresentada no lançamento.

Além disso, caminhões elétricos são especialmente sensíveis a fatores como peso da carga, velocidade, relevo, temperatura, vento e estilo de condução. Um cavalo-mecânico rodando sem carga e um conjunto próximo das 44 toneladas podem registrar consumos bastante diferentes.

Por isso, os 600 km devem ser tratados neste momento como autonomia anunciada pela fabricante. Testes independentes e dados de frotas serão importantes para mostrar o alcance do ETT 44 em condições reais de transporte.

ETT 44 recebeu cinco estrelas em segurança

O novo caminhão também passou pela avaliação do Euro NCAP, organização independente conhecida pelos testes de segurança realizados no mercado europeu. O ETT 44 recebeu cinco estrelas e a classificação CitySafe.

Um dos pontos elogiados foi a visibilidade direta proporcionada pela cabine relativamente baixa, pela janela adicional na região inferior da porta e pelo uso de câmeras no lugar de retrovisores convencionais.

A avaliação, porém, não foi totalmente positiva. O Euro NCAP observou que o desempenho de alguns sistemas de prevenção de colisões ainda fica atrás dos melhores caminhões testados, especialmente em determinados cenários de colisão frontal e saída de faixa.

Isso coloca a classificação em perspectiva: cinco estrelas indicam um conjunto amplo de recursos de segurança, mas não significam que todos os sistemas do ETT 44 sejam referência absoluta no segmento.

BYD quer vender mais que apenas o caminhão

A estratégia apresentada na IAA Transportation mostra que a BYD pretende competir no transporte pesado oferecendo não apenas o veículo. A empresa também apresentou soluções de carregamento, armazenamento de energia, gerenciamento elétrico e serviços voltados para operadores de frotas.

Essa integração é especialmente relevante em caminhões elétricos. Diferentemente de um automóvel particular, uma frota com dezenas ou centenas de veículos de bateria pode exigir megawatts de potência no pátio, planejamento de horários de recarga e até sistemas próprios de armazenamento de energia.

A chegada do ETT 44 ocorre justamente enquanto fabricantes tradicionais e novos concorrentes disputam espaço na eletrificação do transporte europeu. Mercedes-Benz, MAN, Scania e Volvo, entre outras marcas, também desenvolvem caminhões elétricos pesados e soluções de carregamento de alta potência.

Na própria IAA Transportation 2026, mais de 150 estreias mundiais e novidades foram anunciadas pela indústria de veículos comerciais, evidenciando o ritmo de transformação do setor.

BYD ETT 44 será vendido no Brasil?

Até 17 de setembro de 2026, a apresentação oficial consultada pela Xplora News era direcionada principalmente à estratégia europeia da BYD e não trazia confirmação de lançamento do ETT 44 no Brasil.

A fabricante também não informou no anúncio consultado um preço oficial para o caminhão. Portanto, qualquer valor ou cronograma brasileiro divulgado sem uma comunicação posterior da BYD deve ser tratado com cautela.

O ETT 44 mostra, entretanto, até onde a eletrificação dos veículos comerciais pesados está avançando. Bateria de centenas de quilowatts-hora, potência próxima de quatro dígitos e recarga acima de um megawatt começam a transformar tecnologias que há poucos anos estavam restritas a protótipos em produtos projetados para operações logísticas reais.

O próximo ponto decisivo será descobrir como números como os 600 km de autonomia e os 20 minutos de recarga se comportam quando o caminhão entrar em operações comerciais intensivas, carregado e percorrendo rotas reais.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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