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Starlink nas Eleições 2026: entenda como TSE usará rede

Justiça Eleitoral prevê até 1.113 terminais de conexão via satélite em regiões com dificuldade de acesso à internet; urnas permanecem desconectadas da rede durante a votação.

Por Matias Gomessetembro 28, 20267 min de leitura
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) utilizará conectividade baseada na rede Starlink nas Eleições de 2026 para ajudar na transmissão dos resultados de locais de votação situados em regiões onde a infraestrutura convencional de telecomunicações é limitada ou inexistente.

A solução integra uma contratação de serviços de comunicação via satélite realizada pela Justiça Eleitoral. O Pregão Eletrônico nº 90026/2026 do TSE prevê até 1.113 unidades destinadas ao fornecimento de conectividade móvel por satélite para atividades eleitorais.

A empresa vencedora do processo foi a Hughes Telecomunicações do Brasil. Para a execução do serviço, serão utilizados equipamentos que operam com a infraestrutura da Starlink, sistema de internet via satélite desenvolvido pela SpaceX.

O uso da tecnologia, porém, não significa que as urnas eletrônicas estarão conectadas à Starlink ou à internet durante a votação. A conexão entra em outra etapa do processo: depois que a votação termina e os resultados já foram produzidos pela urna.

Como a Starlink nas Eleições 2026 será utilizada

O principal objetivo da conectividade via satélite é atender regiões remotas onde transmitir os dados eleitorais por redes convencionais pode ser difícil.

Segundo informações divulgadas pelo TSE e reunidas pela CNN Brasil, poderão ser disponibilizados até 1.113 terminais para 13 estados, além de equipamentos destinados à própria estrutura da Justiça Eleitoral.

  • Amazonas: 350 terminais;
  • Pará: 350;
  • Mato Grosso: 117;
  • Acre: 91;
  • Maranhão: 60;
  • Roraima: 60;
  • Amapá: 53;
  • Mato Grosso do Sul: 9;
  • Goiás: 5;
  • Piauí: 5;
  • Bahia: 4;
  • Paraná: 4;
  • São Paulo: 3;
  • TSE: 2.

A distribuição mostra que grande parte da estrutura está concentrada na Região Norte, onde distâncias extensas, comunidades isoladas, áreas fluviais e limitações de infraestrutura tornam mais difícil estabelecer conexões terrestres convencionais.

Os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) ficam responsáveis por definir a logística e os pontos específicos em que os equipamentos disponíveis serão utilizados.

Urnas eletrônicas não serão conectadas à Starlink

Uma distinção é fundamental para entender o funcionamento da operação: a urna eletrônica não utiliza internet durante a votação.

O próprio Tribunal Superior Eleitoral explica que as urnas não têm conexão com a internet nem com outras redes de dados.

Quando a votação termina, a urna apura os votos daquela seção e imprime o Boletim de Urna (BU). O documento apresenta os votos registrados para cada candidatura e legenda, além de outras informações da seção eleitoral.

Os dados do resultado também ficam armazenados em uma mídia removível. Essa mídia é retirada fisicamente da urna e levada até um equipamento utilizado para transmitir os arquivos aos sistemas da Justiça Eleitoral.

É nessa etapa posterior que uma conexão convencional ou, nos locais selecionados, uma conexão via satélite pode ser utilizada.

Portanto, a Starlink funciona como meio de comunicação para transportar arquivos que já foram produzidos pela urna após o fechamento da votação. Ela não participa do registro do voto dentro do equipamento.

Como os resultados chegam ao TSE

Depois do encerramento da seção eleitoral, o resultado registrado na mídia é levado para transmissão.

De acordo com a Resolução nº 23.751/2026 do TSE, os arquivos das urnas são enviados para o Centro de Recebimento de Arquivos da Totalização. A partir daí, eles alimentam o Sistema de Gerenciamento da Totalização.

A regulamentação também estabelece mecanismos para autenticação e acompanhamento do processo. Os arquivos produzidos pelas urnas passam por procedimentos próprios da Justiça Eleitoral antes de serem considerados na totalização.

Em entrevista publicada pelo TSE em agosto, a Justiça Eleitoral explicou que a transmissão ocorre por meio de uma conexão criptografada depois que a mídia de resultado é retirada da urna.

Outro elemento de conferência é o próprio Boletim de Urna. Uma das vias impressas ao final da votação é disponibilizada na seção eleitoral, permitindo comparar posteriormente aquele resultado local com os dados divulgados pela Justiça Eleitoral.

Maranhão já confirmou uso de antenas Starlink Mini

Um exemplo concreto da operação foi divulgado pelo próprio TSE em 25 de setembro.

No Maranhão, 66 locais de votação terão apoio de transmissão via satélite.

Segundo o Tribunal, equipes técnicas utilizarão antenas Starlink Mini e notebooks nos chamados Postos Avançados de Transmissão (PATs).

Depois da emissão do Boletim de Urna, os dados poderão ser enviados pelos equipamentos até os sistemas responsáveis pela totalização.

O objetivo é reduzir o tempo necessário para transportar fisicamente mídias de resultado de comunidades distantes até locais onde exista conectividade adequada.

Contratação prevê 1.113 unidades de conexão por satélite

Documentos públicos da contratação ajudam a contextualizar o tamanho da operação.

O Pregão Eletrônico nº 90026/2026 foi aberto pelo TSE para registro de preços destinado à contratação de serviços de telecomunicações por meio de Sistemas Móveis de Transmissão de Dados via Satélite.

No Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o objeto da ata aparece como uma solução móvel de conectividade satelital destinada à transmissão de dados e à comunicação operacional de apoio às atividades eleitorais.

A quantidade prevista no edital é de 1.113 unidades de serviço de link via satélite.

A contratação chegou ainda ao Tribunal de Contas da União (TCU) após questionamentos apresentados por uma participante da licitação.

Em decisão de agosto, o TCU analisou alegações relativas ao Pregão 90026/2026. O tribunal não confirmou a alegação de direcionamento a fornecedor único, embora tenha apontado falhas no levantamento de mercado realizado no estudo técnico preliminar e considerado parcialmente procedente a representação.

O processo não impediu a continuidade da contratação.

Por que usar satélites em regiões remotas?

A transmissão dos resultados eleitorais depende de conectividade depois que os arquivos deixam fisicamente as urnas. Em cidades e centros urbanos, essa etapa pode utilizar infraestrutura terrestre disponível.

O desafio aumenta em comunidades indígenas, ilhas, regiões ribeirinhas e outras localidades isoladas.

Uma conexão por satélite reduz a dependência de cabos, fibra óptica ou redes móveis terrestres no ponto de transmissão. O terminal precisa estabelecer comunicação com a constelação de satélites para permitir que o equipamento utilizado pela equipe eleitoral acesse a rede necessária para o envio dos arquivos.

No Maranhão, por exemplo, o TSE afirma que a tecnologia será empregada justamente para atender localidades sem acesso adequado à infraestrutura convencional de comunicação.

O que muda para o eleitor?

Para quem comparece à seção eleitoral, praticamente nada muda no procedimento de votação.

O eleitor continuará registrando seus votos diretamente na urna eletrônica, que permanece operando de forma offline.

A diferença ocorre nos bastidores, depois do encerramento da votação. Em determinados locais remotos, a Justiça Eleitoral poderá utilizar a infraestrutura via satélite contratada para transmitir os arquivos de resultado com mais rapidez.

A medida busca diminuir o tempo entre o encerramento das urnas nessas regiões e a chegada dos respectivos arquivos aos sistemas responsáveis pela totalização.

Conclusão

Está confirmado que a Justiça Eleitoral contará com uma solução de comunicação via satélite nas Eleições de 2026, com previsão de até 1.113 unidades de conectividade e utilização de equipamentos Starlink em parte da operação.

Isso não significa que a urna eletrônica ficará conectada à Starlink durante a votação. O equipamento continua funcionando sem conexão com a internet. A rede via satélite será utilizada posteriormente, quando os arquivos contendo os resultados já tiverem sido produzidos e retirados da urna para transmissão.

A quantidade efetivamente utilizada em cada estado e os locais específicos atendidos dependerão do planejamento dos Tribunais Regionais Eleitorais.

Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.


Fontes consultadas

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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