Pular para o conteúdo
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
XPLORANEWS
Início / Clima
Clima

Super El Niño pode elevar mortes por calor em 451 mil

Relatório estima 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre junho de 2026 e fevereiro de 2027; Brasil pode registrar 13,3 mil nos próximos seis meses.

Por Matias Gomessetembro 23, 20266 min de leitura
Comentar

O atual episódio de El Niño pode estar associado a cerca de 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo em todo o mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, segundo uma nova projeção do Climate Impact Lab. O levantamento coloca países tropicais e regiões do chamado Sul Global entre os locais com maior risco.

A estimativa chama atenção também para o Brasil. Entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, os pesquisadores projetam cerca de 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no país, em comparação com o que seria esperado para os mesmos meses de um ano considerado normal.

Os números, porém, não representam mortes já registradas nem uma previsão de que exatamente esse total necessariamente ocorrerá. Trata-se de uma projeção estatística construída a partir de previsões de temperatura, dados históricos de mortalidade e diferenças de vulnerabilidade e capacidade de adaptação entre milhares de regiões.

Super El Niño e mortes por calor: de onde vêm os 451 mil

Um ponto importante é a janela temporal utilizada pelo estudo. Os 451 mil óbitos adicionais projetados correspondem aos primeiros nove meses do episódio de El Niño, de junho de 2026 até fevereiro de 2027.

Para o período futuro de seis meses analisado a partir de setembro — setembro de 2026 a fevereiro de 2027 — o Climate Impact Lab calcula aproximadamente 239 mil mortes adicionais, com margem de incerteza de cerca de 11 mil para mais ou para menos.

Isso significa que os 451 mil não devem ser interpretados como a quantidade de pessoas que ainda morrerá nos seis meses seguintes. Parte da estimativa corresponde ao período entre junho e agosto de 2026.

Segundo o relatório, as temperaturas médias sobre as áreas continentais do planeta podem ficar aproximadamente 1,2°C acima do normal nos próximos meses. Os pesquisadores estimam ainda cerca de 44% mais dias extremamente quentes do que seria esperado em condições normais.

Brasil aparece entre as áreas mais afetadas

A distribuição do impacto projetado é bastante desigual. Segundo o Climate Impact Lab, as maiores concentrações de mortes relacionadas ao calor nos próximos seis meses devem ocorrer principalmente em países tropicais e em regiões com menor capacidade de adaptação às temperaturas extremas.

O Sahel, faixa africana localizada ao sul do deserto do Saara, concentra a maior projeção regional: aproximadamente 66,8 mil mortes adicionais entre setembro e fevereiro. A Nigéria responde por cerca de 31,4 mil desse total, enquanto o Sudão aparece com 17,5 mil, Níger com 10 mil e Chade com 8 mil.

No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somam uma projeção de aproximadamente 19,4 mil mortes adicionais. A Indonésia aparece com 19,3 mil e a Índia, com 15,8 mil.

Na América do Sul, o Brasil apresenta a maior estimativa citada pelo levantamento, com aproximadamente 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Os pesquisadores calculam que aproximadamente 8 mil dessas mortes no Brasil poderiam se concentrar somente entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Como a projeção foi calculada

Para chegar aos números, os pesquisadores analisaram a relação entre temperatura e mortalidade em 24.378 regiões ao redor do planeta, levando em consideração fatores como clima local, vulnerabilidade da população e capacidade de adaptação.

Essas relações foram combinadas com previsões sazonais de temperatura do sistema SEAS5, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

A mortalidade projetada é comparada aos mesmos meses de um período de referência entre 1996 e 2025. Assim, os números representam mortes adicionais estimadas em relação ao que seria esperado em um ano médio, e não a mortalidade total causada pelo calor.

O próprio Climate Impact Lab ressalta a existência de incerteza nas estimativas. O relatório incorpora tanto as diferenças entre os cenários das previsões meteorológicas quanto as incertezas da relação estatística entre temperatura e mortalidade.

Os detalhes completos da metodologia ainda deverão ser publicados em um periódico científico revisado por pares.

“Super El Niño” não é uma classificação oficial da OMM

Embora o relatório utilize a expressão “Super El Niño”, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) não utiliza oficialmente esse termo em sua classificação operacional.

A organização classifica os episódios de El Niño por intensidade e afirma que o evento atual está firmemente estabelecido e deve continuar se fortalecendo, podendo atingir intensidade muito forte antes de alcançar seu pico próximo ao fim de 2026.

A atualização publicada em setembro aponta uma probabilidade próxima de 100% de permanência do El Niño durante os períodos de setembro a novembro de 2026 e de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027.

A própria OMM também ressalta que a intensidade de um El Niño não determina automaticamente a gravidade dos impactos em cada região. Os efeitos sobre temperatura e chuva podem variar consideravelmente de um local para outro.

Medidas podem reduzir parte do impacto

O Climate Impact Lab afirma que as projeções podem ser utilizadas para direcionar recursos antes dos períodos de calor mais perigoso.

Entre as medidas apontadas estão sistemas de alerta para temperaturas extremas, acompanhamento de populações vulneráveis, centros de resfriamento, pontos de hidratação, proteção para trabalhadores expostos ao calor e ampliação temporária da capacidade dos sistemas de saúde.

O objetivo do levantamento, segundo os pesquisadores, é permitir que governos e organizações humanitárias identifiquem antecipadamente os locais onde intervenções podem evitar mortes.

O que ainda precisa ser acompanhado

O cenário poderá mudar conforme novas previsões sazonais forem divulgadas. O Climate Impact Lab afirma que continuará atualizando as estimativas conforme o El Niño evoluir.

A previsão atual alcança fevereiro de 2027, mas os pesquisadores avaliam que temperaturas acima da média e seus impactos sobre a mortalidade podem persistir posteriormente, especialmente durante os meses mais quentes em algumas regiões do Hemisfério Norte.

Portanto, os 451 mil óbitos representam uma projeção, e não um balanço de vítimas ou uma quantidade inevitável de mortes. A evolução do fenômeno, as temperaturas realmente observadas e as medidas de adaptação adotadas podem alterar significativamente o resultado final.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

Compartilhe:WhatsAppFacebookX
Avatar de Matias Gomes

Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

0 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *