Ilha flutuante no Canadá percorre 30 km em 15 dias
Massa vegetal de aproximadamente 9.800 m² foi confirmada por satélite após mudar de posição no Williston Reservoir; sua formação exata ainda é investigada.

Uma enorme ilha flutuante coberta por árvores percorreu cerca de 30 quilômetros em apenas 15 dias no Williston Reservoir, na Colúmbia Britânica, no Canadá. O fenômeno, que parecia improvável a ponto de levantar suspeitas de imagens geradas por inteligência artificial, foi confirmado pela BC Hydro por meio de imagens de satélite, observações aéreas e relatos de navegadores.
- O que aconteceu: uma massa de vegetação com árvores se desprendeu da margem e passou a flutuar pelo reservatório.
- Dimensão: aproximadamente 140 metros de comprimento por 70 metros de largura, ou cerca de 9.800 m².
- Por que importa: o caso oferece um raro exemplo moderno de uma grande ilha vegetada flutuante e despertou interesse de geólogos e ecólogos.
Ilha flutuante no Canadá percorreu cerca de 30 km
A BC Hydro confirmou em 2 de setembro de 2026 que a estrutura foi localizada junto à margem do braço Ospika, no Williston Reservoir. A posição fica aproximadamente 30 quilômetros a noroeste do ponto onde a ilha havia sido documentada inicialmente, nas proximidades de Finlay Bay.
A empresa foi informada sobre a existência da ilha em 13 de agosto, depois de receber fotos e vídeos atribuídos a um registro feito por volta de 21 de julho. Imagens de satélite daquele dia ajudaram a confirmar que a estrutura realmente existia.
Depois disso, ela deixou de ser vista na posição original e passou a ser tratada nas redes sociais como uma espécie de “ilha desaparecida”. O mistério começou a ser resolvido quando imagens de satélite de 15 de agosto mostraram a massa vegetal em outra área do reservatório. A localização foi confirmada pela BC Hydro em 31 de agosto.
Com base nas posições registradas, a empresa estima que a ilha tenha percorrido aproximadamente 30 quilômetros ao longo de 15 dias antes de encostar novamente na margem.
Qual é o tamanho da ilha?
A estrutura permanece aparentemente intacta e mede cerca de 140 metros de comprimento por 70 metros de largura. Isso representa uma área aproximada de 9.800 metros quadrados.
O tamanho ajuda a explicar por que os primeiros vídeos chamaram tanta atenção. Não se trata apenas de um pequeno aglomerado de plantas: as imagens mostram árvores já estabelecidas sobre uma grande massa que se movimenta com a água.
A BC Hydro informou que não espera impactos operacionais para suas instalações e que, na localização atual, a ilha está mais distante da barragem W.A.C. Bennett do que quando foi observada inicialmente.
Como uma ilha coberta por árvores consegue flutuar?
A origem exata ainda não foi determinada. A principal hipótese apresentada pela BC Hydro é que troncos e outros detritos lenhosos tenham se acumulado durante muitos anos em uma área protegida do reservatório.
Com o tempo, esse material pode ter se decomposto parcialmente e formado uma base entrelaçada capaz de reter matéria orgânica. Plantas teriam criado raízes sobre essa estrutura até que árvores também se estabelecessem no local.
Uma reportagem da National Geographic consultou pesquisadoras que estudam ecologia e grandes acúmulos de madeira. Elas explicaram que ilhas flutuantes podem ser formadas por combinações de plantas aquáticas, raízes, solo e detritos de madeira. Mudanças rápidas no nível da água, ondas ou tempestades podem desprender essas massas da margem.
No caso de Williston, os níveis de água estavam excepcionalmente altos em agosto. A Global News relatou, com base em informações da BC Hydro, que o reservatório atingiu o maior nível em cerca de 14 anos. Essa elevação é considerada uma possível peça da explicação para o desprendimento da ilha.
Por que ela pareceu desaparecer?
A ilha não desapareceu de forma literal. Ela simplesmente deixou a área onde havia sido observada e continuou sendo empurrada pelo vento e pelas correntes.
O Williston Reservoir é enorme. Segundo a BC Hydro, ele cobre cerca de 1.773 quilômetros quadrados quando está em seu nível máximo e é o maior reservatório da Colúmbia Britânica. A empresa também o descreve como o sétimo maior reservatório do mundo em volume.
Além da extensão do lago artificial, existe outro obstáculo para acompanhar estruturas móveis: imagens de satélite não ficam disponíveis necessariamente em tempo real. Uma imagem pode ser registrada em determinada data e só ficar acessível para análise dias ou semanas depois.
Por isso, houve um intervalo entre a captura da ilha em 15 de agosto e a confirmação de sua nova posição no fim do mês.
Fenômeno é raro, mas não impossível
Grandes ilhas vegetadas flutuantes não são desconhecidas pela ciência. Elas podem surgir em lagos, pântanos, rios e reservatórios quando raízes e matéria orgânica formam uma camada suficientemente coesa para permanecer na superfície.
O que torna o caso canadense incomum é a escala e a presença de árvores maduras. Pesquisadoras ouvidas pela National Geographic apontaram que estruturas desse tipo podem ter sido mais comuns no passado, antes de alterações humanas em rios, retirada de madeira e construção de barragens mudarem a dinâmica natural de troncos e sedimentos.
A composição exata da ilha de Williston, porém, ainda precisa ser estudada. Sem uma análise direta da estrutura, não é possível determinar com precisão a idade do material, quando as árvores começaram a crescer ou qual combinação de fatores finalmente provocou o desprendimento.
Casos naturais de aparência incomum frequentemente geram interpretações exageradas nas redes sociais. O Xplora News já explicou, por exemplo, por que o gelo azul do Tibete pode parecer mais misterioso do que realmente é e também acompanhou a confirmação científica de um raro cervo-do-pantanal com melanismo.
BC Hydro pede que visitantes não subam na ilha
Embora a estrutura esteja encostada na margem, a recomendação é não caminhar sobre ela. A BC Hydro afirma que a base é composta por troncos e madeira em decomposição, o que pode tornar a superfície instável e perigosa.
A empresa permite que o público se aproxime de barco ou utilize drones para registrar imagens, desde que não desembarque sobre a massa vegetal. A própria página de segurança do Williston Reservoir alerta para a presença de detritos flutuantes e submersos e para mudanças bruscas de vento e corrente.
O que ainda falta descobrir
O deslocamento de aproximadamente 30 quilômetros está confirmado, assim como o tamanho estimado e a posição atual da ilha. O que permanece em aberto é sua origem detalhada.
Pesquisadores ainda podem tentar determinar a idade das árvores, a composição da base e por quanto tempo o conjunto permaneceu ligado à margem antes de começar a flutuar. Também não está claro se a estrutura permanecerá presa ao Ospika Arm ou poderá voltar a se mover caso o nível da água e os ventos mudem.
Por enquanto, o caso mostra que uma paisagem aparentemente fixa pode se tornar móvel quando madeira, raízes, vegetação e condições do reservatório se combinam de uma forma pouco comum.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.




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