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segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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Terremoto no Nepal é descartado após correção do USGS

Sinal inicialmente classificado como tremor de magnitude 4,4 foi provocado pelo colapso de uma geleira e pelo deslocamento de gelo, rochas e detritos.

Por Matias Gomesagosto 26, 20267 min de leitura
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O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) corrigiu o registro de um suposto terremoto no Nepal e concluiu que não houve um tremor de magnitude 4,4 antes da avalanche e das enchentes devastadoras registradas na fronteira com o Tibete.

O sinal detectado pelos equipamentos foi provocado pelo colapso de parte de uma geleira e pelo deslocamento de uma enorme quantidade de gelo, rochas e detritos. As vibrações produzidas por esse movimento foram inicialmente interpretadas pelos sistemas de monitoramento como atividade sísmica.

  • O USGS descartou a ocorrência de um terremoto de magnitude 4,4.
  • O sinal sísmico foi produzido pelo colapso glacial e pelo fluxo de detritos.
  • A causa inicial da ruptura da geleira ainda está sendo investigada.

A correção, divulgada em 26 de agosto de 2026, muda uma parte importante da explicação inicial para a tragédia. Nas primeiras horas após o desastre, autoridades e veículos de imprensa trabalhavam com a possibilidade de que um terremoto tivesse desestabilizado a montanha e provocado a avalanche.

A Xplora News também havia informado anteriormente sobre a hipótese de que um terremoto e uma avalanche estivessem relacionados às inundações no Nepal. A revisão do USGS mostra que a relação ocorreu no sentido contrário ao inicialmente considerado: foi o colapso da geleira que gerou o sinal sísmico, e não um terremoto que provocou o colapso.

Por que o suposto terremoto no Nepal foi descartado

O USGS havia classificado um sinal registrado na região como um terremoto de magnitude 4,4. O evento teria ocorrido pouco antes de uma onda de água, lama e pedras atingir comunidades próximas à fronteira entre o Nepal e a Região Autônoma do Tibete, na China.

Após examinar informações adicionais, o órgão concluiu que o registro não apresentava as características de um terremoto tectônico. A revisão considerou dados de estações sísmicas próximas, ondas de longo período e imagens de satélite da região atingida.

De acordo com as informações divulgadas pelo G1 e pelo UOL, o USGS passou a classificar o evento como um colapso glacial acompanhado por um fluxo de detritos.

Grandes avalanches e deslizamentos também podem ser registrados por sismógrafos. Quando uma massa gigantesca de gelo e rochas cai por uma encosta, ela transfere energia para o solo e produz ondas sísmicas. Dependendo da intensidade e dos dados disponíveis naquele momento, o sinal pode ser confundido inicialmente com um pequeno terremoto.

Isso não significa que os equipamentos tenham registrado algo inexistente. A energia foi realmente detectada, mas sua origem foi reinterpretada após uma análise mais completa: em vez da movimentação de uma falha geológica, o sinal veio do deslocamento de materiais sobre a superfície.

Imagens mostram o colapso de parte da geleira

Imagens de satélite da Planet Labs analisadas por pesquisadores mostram uma alteração significativa na área de origem do desastre entre os dias 25 e 26 de agosto. Uma região antes coberta por gelo e vegetação apareceu posteriormente tomada por sedimentos e destroços.

O cientista Dan Shugar, professor associado da Universidade de Calgary, afirmou à Reuters que a parte inferior de uma geleira teria se rompido a aproximadamente 5.200 metros de altitude. O material caiu cerca de 1.200 metros até o fundo do vale.

O geólogo Dave Petley, autor do The Landslide Blog, publicado pela revista científica Eos, também analisou as imagens e identificou a origem do fluxo como uma avalanche de gelo e rochas. Segundo sua avaliação, o sinal interpretado inicialmente como um terremoto provavelmente correspondia ao próprio movimento da avalanche e dos detritos.

Petley ressaltou, porém, que a sequência exata dos acontecimentos ainda precisa ser reconstruída. Também permanece sem resposta definitiva a origem do enorme volume de água que acompanhou o fluxo.

Como o colapso provocou uma inundação repentina

A massa de gelo, pedras e sedimentos desceu pela montanha e atingiu o sistema fluvial da região. O material avançou pelos rios Lhende, Bhote Koshi e Trishuli, formando uma corrente de água, lama e grandes blocos de rocha.

O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas informou que o nível da água na área de Galchhi, rio abaixo, teria aumentado até nove metros em aproximadamente 30 minutos. A velocidade da elevação reduziu drasticamente o tempo disponível para alertar e retirar os moradores.

Entre as possibilidades analisadas para explicar o volume de água estão o derretimento de gelo causado pela energia liberada na queda, a água presente nos sedimentos, o material incorporado durante o percurso e a água dos próprios rios.

Pesquisadores também avaliam se algum lago glacial participou do evento. Entretanto, ainda não existem evidências conclusivas de que o desastre tenha começado com o rompimento de um desses lagos. Por isso, essa hipótese não deve ser apresentada como uma causa confirmada.

Mortes, desaparecidos e destruição na fronteira

O balanço divulgado na noite de 26 de agosto indicava ao menos 160 mortos. Centenas de pessoas continuavam desaparecidas nos dois lados da fronteira, incluindo moradores, trabalhadores e viajantes estrangeiros. Como as buscas permaneciam em andamento, esses números ainda poderiam sofrer alterações.

As enchentes destruíram casas, arrastaram veículos e danificaram pontes, estradas, redes de comunicação e instalações de energia. Segundo o levantamento publicado pelo UOL, 19 pontes e aproximadamente 40 quilômetros de estradas foram afetados.

Syabrubesi, utilizada como ponto de partida para a rota de trekking de Langtang, ficou entre as localidades atingidas. Áreas usadas por viajantes que seguem para a peregrinação hindu até Kailash Mansarovar também foram afetadas.

O Exército do Nepal mobilizou helicópteros e equipes de resposta a desastres, mas o relevo montanhoso, as estradas bloqueadas e a falta de locais seguros para pouso dificultaram as operações. Autoridades chinesas também enviaram equipes para a região tibetana atingida.

O que ainda não foi esclarecido

A correção do USGS esclarece que não ocorreu o terremoto de magnitude 4,4 inicialmente informado, mas não responde sozinha por que a geleira entrou em colapso.

Entre os fatores investigados estão temperaturas elevadas, derretimento recente da neve, instabilidade das encostas, presença de água no interior dos sedimentos e possíveis mudanças nos lagos glaciais da região. Nenhum deles havia sido confirmado isoladamente como o gatilho da ruptura até a última atualização.

A Reuters informou que cientistas observaram uma redução da cobertura de neve antes do desastre, possivelmente relacionada a um período de temperaturas mais altas. Essa observação ainda não permite afirmar que o aquecimento recente ou as mudanças climáticas tenham provocado diretamente o evento.

Dados das Nações Unidas citados pela agência indicam que as montanhas do Nepal perderam quase um terço de seu gelo em pouco mais de três décadas. Esse processo amplia a preocupação com a estabilidade das geleiras e dos lagos formados pelo derretimento, mas a atribuição de um desastre específico exige estudos próprios.

Correção muda a cronologia da tragédia

O que está confirmado é que uma parte da geleira se rompeu, produzindo uma avalanche de gelo e rochas que evoluiu para um fluxo de detritos e uma inundação repentina. Também está confirmado que o sinal sísmico associado ao evento foi inicialmente classificado como terremoto e posteriormente corrigido pelo USGS.

O que permanece incerto é o gatilho inicial do colapso e a participação exata do derretimento da neve, de lagos glaciais ou de outros fatores ambientais. Imagens de satélite, registros sísmicos e levantamentos de campo deverão ser utilizados para reconstruir a sequência completa.

A principal correção, portanto, é objetiva: não há evidências de que um terremoto tenha provocado a avalanche. As vibrações detectadas foram consequência do próprio colapso glacial e do deslocamento de detritos.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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