C-17 dos EUA pousa em Moscou com diretor da CIA
Aeronave militar partiu de Riga e levou John Ratcliffe à capital russa; conteúdo das reuniões e eventual carga transportada não foram divulgados.

Um C-17 Globemaster III da Força Aérea dos Estados Unidos pousou em Moscou nesta terça-feira (25), depois de realizar um voo incomum entre Riga, na Letônia, e o Aeroporto Internacional de Vnukovo, na capital russa.
O episódio chamou atenção inicialmente porque não havia explicação pública para a chegada de um grande avião de transporte militar americano à Rússia. Horas depois, porém, surgiu uma informação importante: o diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), John Ratcliffe, viajou de Riga para Moscou a bordo de um C-17 da Força Aérea americana, segundo autoridades dos EUA ouvidas pelo Axios.
A visita de Ratcliffe também foi relatada pela CBS News, Reuters e ABC News. Até agora, entretanto, não foram divulgados oficialmente os nomes dos russos com quem ele se reúne nem o conteúdo das conversas.
O que se sabe sobre o C-17 dos EUA em Moscou
Dados de rastreamento aéreo mostraram que o avião utilizado no voo tinha o número de série 07-7181 e operava com o indicativo RCH4555. A aeronave deixou Riga por volta das 8h50 no horário de Moscou e chegou a Vnukovo aproximadamente às 10h04.
Dois dias antes, em 23 de agosto, o mesmo avião havia chegado à Letônia após partir de Camp Springs, no estado americano de Maryland, região onde está localizada a Joint Base Andrews, importante base usada pelo governo dos Estados Unidos e por aeronaves responsáveis pelo transporte de autoridades.
A Reuters informou inicialmente que não estava claro se o avião transportava passageiros ou carga. Posteriormente, o Axios revelou, citando dois funcionários dos Estados Unidos, que Ratcliffe deixou Washington no domingo, seguiu para a Letônia e, nesta terça-feira, viajou de Riga para Moscou em um C-17 da Força Aérea americana.
Isso esclarece pelo menos parte do mistério envolvendo o voo: uma das funções da aeronave naquela missão foi transportar o chefe da CIA até a Rússia.
Diretor da CIA está em Moscou para reuniões
John Ratcliffe está em Moscou para conversar com autoridades russas, segundo fontes ouvidas por diferentes veículos americanos. O Axios classificou a viagem como a primeira visita de Ratcliffe à capital russa desde que assumiu a direção da CIA.
A CBS News também informou que esta é aparentemente sua primeira viagem conhecida à Rússia como chefe da agência. Ratcliffe ocupa o cargo desde janeiro de 2025 e anteriormente comandou a Inteligência Nacional dos Estados Unidos.
Apesar da confirmação jornalística da viagem por múltiplas fontes, a missão não foi anunciada previamente pelo governo americano. A CIA não informou publicamente qual é a pauta das reuniões. Representantes do Departamento de Defesa e da Força Aérea também evitaram detalhar a operação.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, havia afirmado anteriormente que não possuía informações sobre o pouso do avião militar americano.
Capacidade do C-17 não significa transporte de armas
Uma das características que ajudaram o voo a ganhar repercussão nas redes sociais foi o tamanho do C-17 Globemaster III. De acordo com a própria Força Aérea dos Estados Unidos, o avião possui capacidade máxima para transportar 170.900 libras, equivalentes a aproximadamente 77,5 toneladas de carga.
O modelo é utilizado para transporte estratégico e tático e pode carregar tropas, veículos, equipamentos, cargas em pallets e até realizar missões de evacuação médica.
Essa capacidade, entretanto, não permite concluir que o avião tenha transportado armas ou equipamentos militares para a Rússia. Até o momento, nenhuma das fontes consultadas apresentou evidência de que armamentos estivessem a bordo.
O que está confirmado é que Ratcliffe utilizou um C-17 para realizar o trecho entre Riga e Moscou. Não foi revelado se havia outros passageiros importantes, equipamentos ou carga adicional dentro da aeronave.
Por que a viagem de John Ratcliffe chama atenção
A visita é incomum pelo nível do representante americano envolvido. Segundo o Axios, trata-se da visita de mais alto nível de uma autoridade do atual governo dos Estados Unidos à Rússia desde janeiro.
A Reuters apontou ainda que esta é a primeira visita conhecida de um chefe da CIA à Rússia desde novembro de 2021, quando William Burns, então diretor da agência, viajou a Moscou e participou de conversas com autoridades russas meses antes do início da invasão em larga escala da Ucrânia.
Ratcliffe já manteve contatos com representantes dos serviços de inteligência russos e a CIA participou de negociações relacionadas a cidadãos americanos detidos pela Rússia nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, sua chegada acontece enquanto as relações entre Washington e Moscou permanecem diretamente ligadas a questões como a guerra na Ucrânia e outros conflitos internacionais.
O Axios também informou, citando uma fonte com conhecimento do assunto, que os Estados Unidos avisaram a Ucrânia sobre a viagem de uma delegação de alto nível a Moscou e pediram a suspensão de ataques durante sua permanência na Rússia. Essa informação não foi detalhada publicamente pelo governo americano.
O que ainda não se sabe sobre a missão
Apesar das novas informações, vários pontos permanecem sem resposta.
- Quais autoridades russas estão participando das reuniões com Ratcliffe;
- qual é a pauta principal das conversas;
- se existem negociações relacionadas diretamente à guerra na Ucrânia;
- quem mais viajou no C-17;
- se a aeronave transportava alguma carga além dos passageiros e equipamentos necessários à missão.
Também não existe confirmação pública de que a viagem esteja relacionada a uma troca de prisioneiros, a uma nova rodada de negociações de paz ou a qualquer entrega de material militar. Essas possibilidades circulam nas redes sociais, mas não devem ser apresentadas como fatos enquanto não houver confirmação.
O que está confirmado até agora
O pouso do C-17 americano em Vnukovo é real, a rota entre Riga e Moscou foi registrada por serviços de rastreamento aéreo e John Ratcliffe está na capital russa para reuniões.
O Axios também informa especificamente que o diretor da CIA realizou o trecho entre Riga e Moscou em um C-17 da Força Aérea dos Estados Unidos.
O principal mistério, portanto, deixou de ser simplesmente quem estava no avião. A questão agora é o que o chefe da CIA está negociando em Moscou e com quem ele está conversando.
Enquanto Washington e Moscou não divulgarem mais detalhes, qualquer afirmação sobre transporte de armas, acordos secretos ou o resultado das reuniões permanece especulativa.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.




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