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Acordo de petróleo entre EUA e Venezuela prevê controle americano

Delcy Rodríguez prevê US$ 100 bilhões em investimentos e US$ 209 bilhões em arrecadação, enquanto Trump aposta no petróleo venezuelano para ampliar a segurança energética dos EUA.

Por Matias Gomesagosto 29, 20267 min de leitura
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Estados Unidos e Venezuela anunciaram um novo acordo petrolífero que poderá mudar profundamente a relação energética entre os dois países. O presidente americano Donald Trump afirma que Washington obteve controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas venezuelanas, enquanto a presidente interina Delcy Rodríguez apresenta a negociação como parte de um plano para recuperar a economia e a indústria petrolífera do país.

Apesar do tamanho anunciado, o acordo de petróleo entre EUA e Venezuela ainda possui pontos importantes sem resposta. O texto integral do entendimento não foi tornado público, e detalhes como a estrutura de propriedade, o financiamento dos investimentos e a participação exata das empresas privadas ainda precisam ser esclarecidos.

  • Trump: afirma que os EUA terão controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas.
  • Delcy Rodríguez: prevê o desenvolvimento de 17 campos e US$ 100 bilhões em investimentos.
  • Ponto em aberto: especialistas alertam que transformar reservas subterrâneas em aumento real de produção poderá levar anos.

O que prevê o acordo de petróleo entre EUA e Venezuela

Donald Trump anunciou o entendimento na sexta-feira, 28 de agosto, afirmando que o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth participaram das negociações ao lado de Delcy Rodríguez e de representantes da iniciativa privada.

Segundo a Reuters, Trump declarou que os Estados Unidos garantiram controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas da Venezuela por meio de uma parceria com empresas privadas.

O número, no entanto, não significa que 65 bilhões de barris serão imediatamente enviados aos Estados Unidos. Ele representa o potencial comprovado dos campos incluídos na iniciativa e cuja exploração dependerá de investimentos, infraestrutura e capacidade de produção.

A Associated Press informou, citando uma autoridade americana familiarizada com o acordo, que o governo dos Estados Unidos e um operador privado ainda não identificado formariam uma nova companhia para explorar os campos venezuelanos.

Segundo essa autoridade, os direitos de desenvolvimento teriam duração de 100 anos. Os Estados Unidos receberiam 55% da produção efetiva da nova empresa, combinação que envolveria participação societária e o direito de adquirir petróleo pelo custo de produção.

Delcy prevê US$ 100 bilhões em investimentos

Para Delcy Rodríguez, a negociação deve funcionar como um instrumento de recuperação econômica. Em comunicado repercutido pela CNN Brasil, a presidente interina afirmou que a iniciativa terá impacto significativo no que classificou como “renascimento” da Venezuela.

O governo venezuelano afirma que 17 campos petrolíferos estão previstos para desenvolvimento e possuem potencial comprovado de aproximadamente 65 bilhões de barris.

Delcy estima que os projetos poderão atrair cerca de US$ 100 bilhões em investimentos e gerar mais de US$ 209 bilhões em arrecadação tributária para o governo venezuelano ao longo do projeto.

Esses valores devem ser tratados como projeções apresentadas pelo governo da Venezuela, e não como recursos que já tenham sido investidos ou arrecadados.

A expectativa de Caracas é usar o capital para recuperar e modernizar uma indústria que perdeu capacidade após anos de baixo investimento, problemas de manutenção, dificuldades de infraestrutura, sanções e instabilidade política.

Por que Trump quer o petróleo venezuelano

Para Washington, o acordo possui uma dimensão que vai além da Venezuela. A administração Trump enfrenta pressão para reduzir o custo dos combustíveis nos Estados Unidos e garantir fontes adicionais de petróleo em meio às incertezas do mercado internacional.

A Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris de reservas de petróleo, aproximadamente 17% das reservas mundiais segundo dados citados pela Associated Press a partir da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos.

Apesar desse potencial, o país atualmente produz muito menos do que já produziu no passado. A Reuters estimou a produção venezuelana em aproximadamente 1,25 milhão de barris por dia no momento do anúncio.

Marco Rubio afirmou que o entendimento deverá garantir uma fonte estável e de menor custo para os Estados Unidos e, no longo prazo, contribuir para reduzir o preço da gasolina.

Parte do petróleo adquirido pela nova estrutura também poderá ser direcionada à Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos e para necessidades militares americanas, segundo a autoridade ouvida pela AP.

Queda da gasolina não deve acontecer imediatamente

Embora Trump apresente o petróleo venezuelano como uma possível forma de aumentar a oferta, uma redução significativa nos preços dos combustíveis não deve ocorrer imediatamente.

A principal barreira é a própria infraestrutura da Venezuela. Campos de petróleo precisam de equipamentos, energia elétrica, transporte, oleodutos, terminais e instalações capazes de processar o petróleo pesado produzido pelo país.

A Associated Press ouviu especialistas que estimam que uma expansão expressiva da produção venezuelana poderá exigir bilhões de dólares e vários anos.

Isso significa que há uma diferença importante entre ter acesso a reservas comprovadas e efetivamente extrair milhões de barris adicionais por dia.

A entrada das grandes petroleiras americanas também não está garantida. Empresas ainda precisam avaliar riscos políticos, jurídicos e comerciais antes de comprometer grandes volumes de capital.

Estrutura jurídica do acordo ainda gera dúvidas

Outro ponto central é a legalidade do modelo escolhido. Trump não divulgou todos os documentos, empresas participantes nem explicou detalhadamente como o chamado controle majoritário americano funcionará.

A Reuters informou que especialistas questionam como uma estrutura desse tipo se encaixaria na Constituição e nas leis venezuelanas, considerando a participação histórica do Estado no controle dos recursos petrolíferos.

Também não está claro quem financiará integralmente os investimentos de infraestrutura necessários para desenvolver os 17 campos nem como será dividida a participação acionária da nova companhia.

A AP informou ainda que não foi esclarecido quanto dos 55% destinados aos Estados Unidos estaria relacionado à propriedade da empresa e quanto corresponderia ao direito de comprar petróleo a preço de custo.

Uma mudança profunda na relação entre Washington e Caracas

O acordo representa uma transformação significativa nas relações entre os dois países. Delcy Rodríguez assumiu interinamente o governo venezuelano depois que Nicolás Maduro foi capturado por forças americanas em janeiro de 2026 e levado aos Estados Unidos.

Desde então, Caracas e Washington passaram por uma reaproximação acelerada. As relações diplomáticas foram restabelecidas, e o governo venezuelano abriu mais espaço para investimentos estrangeiros e privados na indústria energética.

O petróleo aparece agora como um dos principais pilares dessa nova relação: Trump busca uma fonte adicional de energia para os Estados Unidos, enquanto Delcy tenta atrair o capital necessário para recuperar a capacidade produtiva venezuelana.

O que ainda precisa ser esclarecido

O tamanho anunciado torna o acordo relevante para todo o mercado internacional de petróleo, mas seu impacto real dependerá da execução.

A existência dos campos e das grandes reservas venezuelanas é conhecida. O que permanece incerto é quanto petróleo adicional poderá ser produzido, em quanto tempo, quais empresas aceitarão investir, quem arcará com os custos e como o controle americano funcionará juridicamente.

Por isso, os US$ 100 bilhões em investimentos, os US$ 209 bilhões de arrecadação e uma eventual redução dos preços dos combustíveis devem ser entendidos como objetivos ou projeções associados ao acordo, e não como resultados já garantidos.

As próximas etapas deverão mostrar quais empresas participarão dos projetos, quais contratos serão formalizados e se o capital prometido realmente chegará aos campos petrolíferos venezuelanos.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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