A era dos discos no PlayStation já tem data para começar a chegar ao fim.
A Sony Interactive Entertainment anunciou nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, que deixará de produzir mídias físicas para todos os novos jogos lançados em consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. Depois desse prazo, os novos títulos serão vendidos apenas em formato digital, tanto pela PlayStation Store quanto por revendedores parceiros.
A decisão não significa que os discos atuais deixarão de funcionar. Segundo a própria Sony, jogos já lançados em mídia física, ou que ainda forem lançados nesse formato antes de janeiro de 2028, não serão afetados pela mudança. Ou seja, quem já possui jogos em disco continuará podendo usá-los normalmente nos consoles compatíveis.
Na prática, o anúncio marca uma das maiores mudanças da história recente do PlayStation. Desde o primeiro console da marca, lançado nos anos 1990, a mídia física fez parte da identidade da plataforma. Ter o disco, guardar a capa, emprestar um jogo ou revender um título usado sempre foi parte da experiência para muitos jogadores.
Agora, a Sony passa a tratar o formato digital como o caminho principal para o futuro da marca.
A empresa afirma que a decisão acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores e da própria indústria do entretenimento. Cada vez mais jogadores compram, baixam e acessam seus jogos diretamente pela internet, sem depender de uma cópia física. Segundo a Reuters, os downloads digitais já representaram cerca de 80% das vendas de jogos completos da Sony no ano fiscal de 2025, mostrando que a mídia física vinha perdendo espaço há anos.
Apesar disso, a mudança também levanta preocupações entre jogadores e colecionadores. Sem discos, o consumidor perde parte da liberdade de revender jogos usados, emprestar títulos para amigos ou manter uma coleção física independente de contas digitais e servidores online. A compra digital é mais prática, mas também deixa o acesso ao jogo mais ligado à conta do usuário, às políticas da loja e à continuidade dos serviços da plataforma.
Outro ponto importante é o impacto para lojas físicas. A Sony diz que novos jogos continuarão disponíveis em revendedores parceiros, mas em formato digital. Isso pode significar a venda de códigos, cartões ou outros modelos de compra sem disco dentro da caixa. Para o jogador, a experiência muda: a loja ainda pode vender o jogo, mas o produto deixa de ser uma mídia física tradicional.
O anúncio também chega em um momento em que o PlayStation já vinha reduzindo a importância do leitor de disco. O PS5 ganhou versões digitais, e o PS5 Pro foi lançado sem unidade de disco integrada, exigindo acessório separado para quem quisesse usar mídia física. A decisão de encerrar a produção de discos para novos jogos em 2028 reforça a ideia de que os próximos consoles da marca podem depender ainda mais do digital.
No mesmo dia, a Sony também anunciou o encerramento gradual da PlayStation Store para PS3 e PS Vita. No Brasil e em outros países da América Latina e do Oriente Médio, a loja do PS3 será encerrada a partir do fim de 2026. Nos demais países, a PlayStation Store para PS3 e PS Vita será encerrada em julho de 2027. A empresa afirma que conteúdos já comprados continuarão disponíveis para download por tempo indeterminado, mas novas compras deixarão de ser possíveis após o fechamento.
A soma dos anúncios mostra uma mudança clara de estratégia: o PlayStation está deixando para trás estruturas antigas, como lojas de consoles legados e discos físicos para novos lançamentos, para concentrar sua operação em plataformas digitais e serviços modernos.
Para a Sony, o movimento pode reduzir custos de produção, simplificar a distribuição e aproximar a empresa do comportamento atual da maioria dos jogadores. Para parte do público, porém, o fim dos discos representa a perda de uma camada importante de posse, preservação e liberdade dentro dos videogames.
O PlayStation não vai desligar os discos de uma hora para outra. Mas, a partir de janeiro de 2028, a mensagem é clara: os novos jogos da plataforma passarão a nascer digitais.

