O tráfego no Estreito de Hormuz despencou para um nível extremo. Segundo dados citados pela Reuters, apenas cinco navios atravessaram a rota em 24 horas entre os dias 23 e 24 de abril, um colapso em comparação com a média de cerca de 140 passagens diárias registrada antes do início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro.
A queda mostra que a crise na região já saiu do terreno militar e passou a afetar diretamente o comércio marítimo global. O Estreito de Hormuz é uma das passagens mais estratégicas do planeta, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Quando essa rota trava, o impacto não fica restrito ao Golfo: ele alcança energia, frete, seguros, logística e preços internacionais.
Segundo a Reuters, a retração do tráfego ocorre depois da apreensão de dois navios cargueiros pelo Irã nesta semana e em meio à continuidade do bloqueio americano a portos iranianos. Mesmo com um cessar-fogo instável entre Washington e Teerã, a percepção das companhias marítimas continua sendo de alto risco.
A Reuters também destacou que, para a maioria das empresas de navegação, não basta um cessar-fogo formal. Elas querem garantias concretas de segurança antes de voltar a operar normalmente pela região. Jakob Larsen, diretor de segurança da associação internacional de armadores BIMCO, afirmou que, sem essas garantias, o tráfego continuará restrito a rotas mais próximas da costa do Irã e de Omã — caminhos que não têm capacidade para absorver o volume normal de embarcações.
Essa limitação ajuda a explicar por que a retomada está tão lenta. Mesmo quando a rota não está oficialmente fechada, ela continua insegura na prática. A Reuters já havia mostrado em 21 de abril que o tráfego seguia amplamente paralisado, com apenas três navios passando em 24 horas naquele momento e centenas de embarcações ainda afetadas.
Além do impacto no transporte, a crise em Hormuz também está prendendo trabalhadores no mar e em portos da região. A Reuters informou hoje que a guerra no Irã deixou milhares de tripulantes retidos no Golfo, com navios atacados, dificuldade de repatriação e medo de novas explosões e abordagens. A agência relata que centenas de embarcações e cerca de 20 mil marítimos seguem afetados pela instabilidade.
Na prática, isso transforma Hormuz em mais do que um gargalo energético. O estreito virou um ponto de estrangulamento de toda uma cadeia de comércio e transporte. Essa leitura é uma inferência jornalística baseada nos dados da Reuters sobre a queda abrupta do tráfego, o peso de Hormuz no petróleo e no GNL e o número de navios e tripulantes impactados.
Outro sinal de que a crise está longe de terminar é que nem todos os poucos navios que seguem passando representam normalização real. A Reuters cita, por exemplo, a presença do petroleiro iraniano Niki, sujeito a sanções dos EUA, entre as raras embarcações que cruzaram a região, enquanto outras companhias seguem operando com extrema cautela.
O mercado acompanha esse cenário porque Hormuz não é apenas uma passagem marítima comum. Ele é um termômetro global de risco. Quando o fluxo desaba dessa forma, o recado é claro: a crise ainda não voltou ao normal, e o custo da instabilidade pode continuar se espalhando por energia, frete e preços internacionais. Essa conclusão é uma análise jornalística baseada no papel estrutural do estreito e no colapso do tráfego reportado pela Reuters.
Curadoria Xplora com base em informações da Reuters.

