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Megaterremoto de Cascadia pode causar tremores até 17% mais intensos

Nova estimativa coloca a placa de Juan de Fuca cerca de 5 quilômetros mais perto da superfície em parte do Oregon e pode alterar cálculos sobre os efeitos de um futuro terremoto de grande magnitude.

Por Matias Gomessetembro 15, 20267 min de leitura
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Cientistas obtiveram novos dados sobre a estrutura da Zona de Subducção de Cascadia que podem alterar as estimativas de intensidade dos tremores provocados por um futuro grande terremoto na costa oeste da América do Norte. A nova análise indica que parte da placa de Juan de Fuca, sob o norte do Oregon, está aproximadamente 5 quilômetros mais próxima da superfície do que sugeriam modelos utilizados anteriormente.

Os resultados foram apresentados pela sismóloga Erin Wirth, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), durante a reunião anual de 2026 da Seismological Society of America (SSA). Segundo a equipe, a nova geometria poderia fazer com que um megaterremoto de Cascadia produzisse aceleração máxima do solo aproximadamente 9% a 17% maior em partes da costa norte do Oregon.

Isso não significa que a magnitude de um futuro terremoto tenha aumentado em 17%. O número se refere ao movimento esperado do solo em determinadas áreas caso ocorra um grande rompimento da zona de subducção.

Megaterremoto de Cascadia: o que a nova análise descobriu

A Zona de Subducção de Cascadia existe onde placas oceânicas, incluindo a placa de Juan de Fuca, mergulham sob a placa Norte-Americana. Esse tipo de limite tectônico é capaz de produzir alguns dos maiores terremotos existentes no planeta.

Uma das dificuldades para estimar exatamente os efeitos de um futuro evento em Cascadia é saber com precisão onde está localizada a interface entre as placas abaixo da superfície.

Os novos resultados sugerem que o topo da placa de Juan de Fuca está a aproximadamente 20 quilômetros de profundidade perto da costa do norte do Oregon. Isso representa cerca de 5 quilômetros a menos do que indicavam alguns dos modelos de placa utilizados anteriormente.

A diferença é importante porque a distância entre a fonte de um terremoto e a superfície influencia a forma como a energia sísmica chega às áreas habitadas. Em termos gerais, uma ruptura localizada mais perto da superfície pode produzir movimentos mais fortes do solo do que uma fonte semelhante localizada em maior profundidade.

A equipe calcula que essa diferença poderia elevar em aproximadamente 9% a 17% a aceleração máxima do solo estimada para terremotos de megathrust em Cascadia ao longo da costa norte do Oregon.

192 sismômetros ajudaram a mapear a placa

Para analisar a estrutura subterrânea da região, os pesquisadores utilizaram dados coletados por 192 sismômetros temporários instalados nos verões de 2021 e 2022.

Os equipamentos foram distribuídos em uma faixa entre Tillamook, na costa, e Portland, mais para o interior do Oregon. Os pesquisadores combinaram essas medições com informações obtidas por levantamentos sísmicos realizados no oceano.

Com esses dados, a equipe conseguiu produzir uma visão mais detalhada da geometria da placa e da velocidade com que as ondas sísmicas atravessam diferentes materiais no subsolo.

Esse tipo de informação é importante para aperfeiçoar modelos que estimam quais localidades podem experimentar os movimentos mais intensos durante um grande terremoto.

Bacia sob Tillamook pode amplificar os tremores

Outra descoberta chamou a atenção dos pesquisadores. Os dados indicaram uma camada sedimentar com aproximadamente 2,5 quilômetros de espessura sob Tillamook.

Bacias preenchidas por sedimentos mais macios podem modificar a propagação das ondas sísmicas. Em determinadas condições, essas ondas podem ser amplificadas e permanecer circulando dentro da bacia por mais tempo, prolongando o movimento do solo.

Esse fenômeno já é estudado em outras áreas do noroeste dos Estados Unidos, incluindo a região de Seattle. Estruturas maiores e edifícios altos podem ser particularmente sensíveis a determinados períodos de vibração produzidos por essas bacias.

A identificação mais precisa da estrutura existente sob Tillamook pode, portanto, ajudar pesquisadores a produzir estimativas de risco sísmico mais específicas para a região.

Por que Cascadia é capaz de gerar terremotos de magnitude 9?

A Zona de Subducção de Cascadia se estende por aproximadamente 1.300 quilômetros entre o norte da Califórnia, nos Estados Unidos, e o sul da Colúmbia Britânica, no Canadá.

Ao longo dessa região, placas oceânicas avançam lentamente sob a placa continental da América do Norte. Partes da interface podem permanecer travadas durante séculos enquanto a tensão tectônica continua se acumulando.

Quando um segmento muito grande se rompe de uma só vez, pode ocorrer um terremoto de megathrust. Eventos desse tipo estão entre os terremotos mais poderosos conhecidos e também podem deslocar o fundo oceânico, provocando tsunamis.

O último grande terremoto conhecido de Cascadia ocorreu em 26 de janeiro de 1700. Estudos modernos estimam que o evento teve magnitude entre aproximadamente 8,7 e 9,2.

Não havia instrumentos sísmicos na América do Norte naquele período, mas cientistas reconstruíram o acontecimento utilizando evidências geológicas, árvores que morreram após o rebaixamento da costa e registros históricos de um tsunami que atingiu o Japão sem que um terremoto local tivesse sido sentido.

Qual é a chance de um novo terremoto de magnitude 9?

O USGS atualizou em 2025 as estimativas de probabilidade para grandes terremotos no noroeste dos Estados Unidos.

Para um rompimento de praticamente toda a margem de Cascadia, capaz de produzir um terremoto próximo de magnitude 9, os modelos indicam uma probabilidade de aproximadamente 10% a 15% nos próximos 50 anos.

A diferença entre os números depende do modelo estatístico utilizado. Um cálculo considera uma taxa de recorrência independente do tempo, enquanto outro leva em conta que o último grande terremoto conhecido ocorreu em 1700.

Probabilidade, entretanto, não é uma previsão de quando o terremoto acontecerá.

A nova descoberta significa que um terremoto está próximo?

Não. Os novos dados ajudam a estimar o que poderia acontecer durante um futuro terremoto, mas não indicam que uma ruptura de Cascadia esteja prestes a ocorrer.

O próprio USGS afirma que atualmente não existe método científico capaz de prever com precisão a data, o local e a magnitude de um grande terremoto.

O que os pesquisadores conseguem fazer é estudar terremotos anteriores, movimentação das placas, geologia subterrânea e outros dados para calcular probabilidades e estimar como diferentes regiões podem ser afetadas.

A distinção é importante porque a descoberta divulgada em 2026 trata principalmente da intensidade esperada dos tremores no solo, e não do momento em que acontecerá o próximo terremoto.

O que pode mudar com os novos dados

Uma representação mais precisa da profundidade e da geometria da placa pode ser incorporada a futuras simulações de terremotos e mapas de ameaça sísmica.

Esses modelos são importantes para áreas como engenharia estrutural, planejamento urbano, infraestrutura e preparação para emergências. Entretanto, os pesquisadores não anunciaram uma alteração imediata nos códigos de construção do Oregon como consequência direta dos resultados.

Há também uma ressalva importante: os resultados divulgados em 2026 foram apresentados na reunião anual da Seismological Society of America. Nas fontes consultadas para esta matéria, os novos números aparecem no resumo da apresentação e na divulgação da entidade científica.

O que a descoberta realmente muda sobre Cascadia

O risco de um grande terremoto na região não é uma descoberta nova. Cientistas sabem há décadas que Cascadia já produziu terremotos gigantes e continuará sendo uma importante fonte de risco sísmico para o noroeste da América do Norte.

A novidade é o refinamento da imagem do que existe abaixo do norte do Oregon. Se a placa realmente estiver mais rasa nessa região, os modelos utilizados para calcular o movimento esperado do solo precisarão considerar essa geometria mais próxima da superfície.

O resultado pode ajudar cientistas e autoridades a compreender melhor quais áreas seriam submetidas aos movimentos mais intensos durante um futuro grande terremoto. Ele não permite, porém, determinar quando esse evento acontecerá.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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