Irã diz ter capturado drone submarino dos EUA no Estreito de Ormuz
Equipamento identificado como Anduril Dive-LD pode permanecer até 10 dias em operação e atingir 6 mil metros de profundidade; Washington diz que veículo já estava avariado quando foi recolhido.

O Irã afirmou ter capturado um drone submarino dos EUA na entrada do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo. O equipamento apresentado pelas forças iranianas foi identificado como um Anduril Dive-LD, veículo submarino autônomo desenvolvido para operações militares e comerciais em grandes profundidades.
O anúncio foi feito nesta terça-feira, 8 de setembro, pela Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica. Teerã descreveu o episódio como resultado de uma operação de inteligência realizada durante a madrugada. Os Estados Unidos, porém, reconhecem que perderam um veículo submarino na região, mas apresentam uma explicação diferente para o ocorrido.
Segundo o Pentágono, o equipamento havia sofrido uma falha técnica mais de um dia antes enquanto realizava levantamentos das águas da região em apoio às operações americanas. A versão dos EUA coloca em dúvida se houve de fato uma captura operacional, como afirma o Irã, ou se as forças iranianas encontraram e recolheram um veículo que já estava incapacitado.
O que aconteceu com o drone submarino dos EUA
A Guarda Revolucionária afirmou ter localizado na entrada do Estreito de Ormuz aquilo que descreveu como um dos mais modernos submarinos inteligentes e não tripulados utilizados pelos Estados Unidos.
Imagens divulgadas posteriormente mostram um grande veículo cilíndrico parcialmente fora da água. A análise visual feita pelo site especializado Naval News aponta forte correspondência com o Anduril Dive-LD. Entre os elementos identificados estão o formato geral do casco, aberturas, pequenas estruturas na parte superior e os característicos lemes traseiros formando um “X”.
A Reuters também informou que a mídia estatal iraniana identificou diretamente o equipamento como um Dive-LD. A agência, entretanto, ressaltou que não conseguiu verificar de maneira independente todos os detalhes apresentados pelo Irã sobre a suposta operação de captura.
Essa distinção é importante: há evidências públicas de que um veículo americano está sob controle iraniano, mas ainda existe divergência sobre as circunstâncias exatas que levaram o equipamento até as mãos de Teerã.
O que é o drone submarino dos EUA Dive-LD
O Anduril Dive-LD pertence a uma categoria conhecida como AUV, sigla em inglês para veículo submarino autônomo. Diferentemente de um submarino convencional, ele não transporta tripulação e pode executar missões previamente programadas de forma autônoma.
De acordo com a fabricante Anduril, o Dive-LD possui aproximadamente 5,8 metros de comprimento e 1,2 metro de diâmetro. Sua autonomia máxima chega a cerca de 10 dias, enquanto a profundidade operacional pode atingir 6 mil metros.
O sistema possui uma área modular com mais de um metro cúbico destinada à instalação de diferentes sensores e cargas úteis. Isso permite configurar o mesmo veículo para diferentes tipos de missão.
Entre as aplicações apresentadas pela fabricante estão inteligência, vigilância e reconhecimento, guerra contra minas, levantamento hidrográfico, mapeamento do fundo do oceano e inspeção de cabos e oleodutos submarinos.
O projeto nasceu na empresa americana Dive Technologies. Em fevereiro de 2022, a companhia foi adquirida pela Anduril Industries, que passou a desenvolver e comercializar a plataforma dentro de sua linha de sistemas marítimos autônomos.
EUA dizem que Dive-LD sofreu uma pane antes do episódio
A resposta americana muda significativamente a interpretação do caso. Um porta-voz do Pentágono afirmou que um drone submarino operado pelas forças dos Estados Unidos apresentou defeito mais de um dia antes de o Irã anunciar que estava de posse do equipamento.
Segundo Washington, o veículo realizava levantamentos das águas da região quando ocorreu a falha. O Pentágono também classificou o aparelho como um modelo mais antigo e afirmou que ele não estava coletando dados sensíveis nem transportava equipamentos classificados de sonar ou radar.
Os Estados Unidos, portanto, reconhecem que um veículo submarino foi perdido, mas não confirmam a narrativa iraniana de uma operação sofisticada responsável diretamente por neutralizar ou capturar o equipamento.
Até agora, também não foram divulgados publicamente detalhes suficientes para determinar o ponto exato em que o Dive-LD parou de funcionar, como foi localizado pelos iranianos ou qual conjunto específico de sensores estava instalado no veículo.
Ter o Dive-LD em mãos pode interessar ao Irã
Independentemente de o equipamento ter sido capturado em uma operação ou simplesmente encontrado após uma pane, possuir fisicamente um sistema americano permite que engenheiros examinem sua construção, arquitetura, materiais, componentes e soluções técnicas.
Isso não significa automaticamente que o Irã tenha obtido tecnologias militares secretas. O Pentágono afirma justamente que o veículo perdido não levava sonar ou radar classificados e utilizava tecnologia comercial.
Também não é possível saber, apenas pelas imagens divulgadas, quais sensores ou cargas úteis estavam instalados naquele exemplar. O Dive-LD foi projetado de maneira modular, portanto diferentes unidades podem executar missões bastante diferentes entre si.
O Naval News avalia que o acesso ao equipamento pode ter interesse para o desenvolvimento iraniano de veículos submarinos autônomos. O tamanho desse eventual benefício tecnológico, porém, dependerá do estado do aparelho e dos sistemas que estavam instalados nele.
Incidentes envolvendo drones americanos e o Irã não são inéditos
O caso também possui precedentes. Em setembro de 2022, forças iranianas chegaram a apreender temporariamente dois Saildrone Explorer operados pela 5ª Frota dos Estados Unidos no Mar Vermelho.
Na ocasião, segundo a Marinha americana, os veículos de superfície não tripulados operavam em águas internacionais quando foram retirados do mar por um navio iraniano. Depois da aproximação de navios e helicópteros americanos e de contatos entre as forças envolvidas, os equipamentos foram devolvidos no dia seguinte.
O episódio atual é tecnologicamente diferente porque envolve um veículo capaz de operar totalmente submerso e atingir grandes profundidades.
Por que o Estreito de Ormuz torna o episódio ainda mais relevante
A localização aumenta a importância estratégica do caso. O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e funciona como uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás.
A região também é palco constante da disputa militar entre Irã e Estados Unidos. Sistemas autônomos podem realizar vigilância, reconhecimento e levantamento do ambiente marítimo sem a necessidade de manter embarcações tripuladas permanentemente nas áreas de maior risco.
O aparecimento de um Dive-LD nas mãos iranianas oferece, portanto, uma rara demonstração pública de como veículos submarinos autônomos estão sendo empregados em operações reais em uma região altamente disputada.
O que ainda não se sabe
Três pontos permanecem sem confirmação independente: onde exatamente o drone sofreu a pane, como as forças iranianas localizaram o equipamento e quais sensores estavam instalados nele.
Também permanece a divergência central entre as duas versões. O Irã apresenta o episódio como uma captura decorrente de uma operação de inteligência. Washington afirma que o veículo já estava defeituoso havia mais de um dia.
O que está confirmado é que os Estados Unidos reconhecem a perda de um veículo submarino na região e que as imagens divulgadas pelo Irã apresentam características compatíveis com o Anduril Dive-LD. Novas imagens, informações do Pentágono ou dados sobre a configuração do aparelho poderão esclarecer a importância tecnológica e operacional do incidente.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.




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