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Tesla Roadster voador: por que nem todas as versões poderão voar?

Novo superesportivo da Tesla utiliza tecnologia da SpaceX para realizar manobras aéreas, mas a versão mais avançada terá acesso restrito.

Por Matias Gomesoutubro 16, 20268 min de leitura
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A Tesla surpreendeu o mundo ao apresentar, em 15 de outubro de 2026, uma demonstração do novo Roadster capaz de sair do chão, realizar giros no ar e pousar de forma controlada. O evento aconteceu nas instalações de testes da SpaceX, em McGregor, no Texas, e mostrou um superesportivo elétrico equipado com propulsores de ar comprimido.

Entretanto, existe um detalhe importante sobre o chamado Tesla Roadster voador: nem todas as versões do veículo terão capacidade de executar as manobras aéreas apresentadas pela fabricante.

A Tesla revelou três configurações do superesportivo, chamadas Performance, Thrust e Rocket. A última é a mais avançada e incorpora um conjunto de dez propulsores capazes de gerar forças em diferentes direções.

O automóvel também chamou atenção ao registrar, segundo dados apresentados pela Tesla, uma aceleração de 0 a aproximadamente 97 km/h em apenas 0,81 segundo.

Vídeo mostra Tesla Roadster realizando manobras no ar

Durante a apresentação, o Roadster subiu uma enorme estrutura curva e permaneceu temporariamente de cabeça para baixo, graças a um sistema de sucção instalado na parte inferior do veículo.

Em seguida, o protótipo deixou a estrutura, utilizou seus propulsores para alterar a orientação no ar e retornou ao solo.

Outra demonstração mostrou o automóvel realizando uma manobra aérea sobre uma sequência de veículos da própria Tesla.

Assista abaixo ao vídeo oficial da apresentação, que inclui as demonstrações aéreas e o teste de aceleração.

Vídeo: Tesla/YouTube. Apresentação oficial do novo Roadster em 15 de outubro de 2026. A reprodução começa no trecho das demonstrações.

Tesla Roadster terá três versões diferentes

Uma das principais novidades reveladas durante o evento foi a divisão do novo Roadster em três configurações, cada uma desenvolvida para oferecer diferentes níveis de desempenho.

  • Performance: versão convencional do superesportivo, equipada com recursos aerodinâmicos e sistemas de sucção para ampliar a aderência do veículo ao asfalto.
  • Thrust: configuração que acrescenta propulsores de ar comprimido na parte traseira, permitindo impulsos adicionais e acelerações extremamente rápidas.
  • Rocket: versão experimental mais avançada, equipada com dez propulsores distribuídos pelo automóvel, capazes de produzir forças em diferentes direções e permitir manobras aéreas.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a configuração Rocket deverá ser oferecida apenas por convite.

Isso significa que a tecnologia mais impressionante apresentada durante o evento não estará necessariamente disponível para todos os consumidores interessados no novo Roadster.

Como funciona a tecnologia do Tesla Roadster voador?

O principal diferencial do projeto está na utilização de um sistema conhecido como propulsão por gás frio, tecnologia também empregada em aplicações aeroespaciais.

Diferentemente dos foguetes convencionais, que dependem de reações químicas para produzir impulso, os propulsores utilizados pelo Roadster liberam gás armazenado sob altíssima pressão.

O funcionamento segue o princípio físico da ação e reação: quando o gás é expelido em determinada direção, uma força atua sobre o veículo no sentido contrário.

Esse mecanismo permite gerar impulsos adicionais e alterar o movimento do automóvel, inclusive durante manobras aéreas.

Durante a apresentação, a Tesla informou que o sistema utiliza dois reservatórios com capacidade total de aproximadamente 600 litros, armazenando cerca de 250 quilos de ar comprimido.

Na configuração Rocket, esse sistema alimenta dez propulsores distribuídos pelo automóvel.

Além disso, o Roadster possui ventiladores capazes de produzir sucção na parte inferior, ampliando significativamente a força que mantém o veículo aderido a determinadas superfícies.

Foi essa combinação de tecnologias que permitiu ao protótipo subir uma estrutura curva, permanecer temporariamente invertido e realizar movimentos no ar antes de retornar ao solo.

O Tesla Roadster realmente voa como um avião?

Apesar das imagens impressionantes, existe uma diferença fundamental entre realizar um salto controlado e manter um voo sustentado.

Um avião utiliza asas para produzir sustentação enquanto se desloca. Um helicóptero depende de rotores para gerar a força necessária para permanecer no ar.

No caso do Roadster demonstrado pela Tesla, as manobras dependem principalmente de impulsos gerados pela expulsão de ar comprimido.

A apresentação mostrou que o veículo consegue realizar movimentos aéreos de curta duração, mas não comprovou que ele possa viajar continuamente pelo céu como uma aeronave convencional.

Uma das limitações está na quantidade de ar disponível nos reservatórios. Quanto maior a força produzida pelos propulsores, mais rapidamente o sistema consome o gás armazenado.

Embora a Tesla tenha apresentado um mecanismo capaz de reabastecer os reservatórios, ainda não existem testes independentes que comprovem a autonomia aérea do veículo em diferentes condições.

Portanto, chamar o Roadster de carro voador não significa que ele já tenha capacidade demonstrada para substituir aviões, helicópteros ou outros meios de transporte aéreo.

Roadster acelera de 0 a 97 km/h em apenas 0,81 segundo

Além das manobras aéreas, outro momento marcante da apresentação foi o teste de aceleração realizado com o superesportivo.

Segundo a Tesla, o Roadster equipado com propulsores conseguiu atingir 60 milhas por hora, aproximadamente 96,6 km/h, em apenas 0,81 segundo.

O resultado chamou a atenção porque automóveis convencionais dependem principalmente da aderência dos pneus para transmitir a força dos motores ao asfalto.

Quando essa aderência é ultrapassada, os pneus começam a perder tração, limitando a capacidade de aceleração.

O Roadster utiliza duas soluções para enfrentar essa limitação.

A primeira é o sistema de sucção, que aumenta a força que mantém os pneus pressionados contra o solo.

A segunda são os propulsores de ar comprimido, capazes de acrescentar impulso ao veículo sem depender exclusivamente das rodas.

Segundo a Tesla, os propulsores traseiros podem produzir mais de 80 quilonewtons de força.

Entretanto, o teste de aceleração foi apresentado pela própria fabricante e ainda precisa ser reproduzido de maneira independente para confirmar o desempenho em condições padronizadas.

Por que o Roadster voador ainda não pode circular normalmente?

Apesar do avanço tecnológico, transformar a demonstração em um produto comercial apresenta desafios significativos.

O primeiro deles é a segurança.

Um automóvel equipado com reservatórios de ar sob altíssima pressão e propulsores capazes de produzir forças intensas exige sistemas adicionais de proteção, estabilidade e controle.

Também existem questões relacionadas à segurança de pedestres, outros motoristas e ocupantes do próprio veículo.

Uma manobra aérea realizada em uma instalação de testes controlada apresenta condições muito diferentes das encontradas em ruas movimentadas.

Outro desafio está nas regras de circulação.

A utilização de sistemas capazes de elevar veículos acima do solo poderá envolver exigências tanto do setor automotivo quanto das autoridades responsáveis pela segurança aérea, dependendo das características e do uso pretendido.

Durante a apresentação, Elon Musk reconheceu que o veículo não foi necessariamente otimizado para segurança e que sua utilização poderá enfrentar restrições legais em diferentes regiões.

Além disso, as demonstrações aéreas foram realizadas sem um motorista humano a bordo, o que significa que ainda será necessário avaliar como o sistema se comporta transportando ocupantes.

Quando o novo Tesla Roadster chegará ao mercado?

A segunda geração do Tesla Roadster foi anunciada originalmente em novembro de 2017, com previsão inicial de lançamento em 2020.

Entretanto, sucessivos adiamentos fizeram com que o projeto permanecesse durante anos sem chegar efetivamente às ruas.

Durante a apresentação de outubro de 2026, Elon Musk afirmou que a produção do novo Roadster deverá começar em 2028.

Isso colocaria o início da fabricação aproximadamente onze anos depois da apresentação original do superesportivo.

Segundo a Reuters, a Tesla passou a oferecer reservas para as configurações Performance e Thrust, com depósitos anunciados de US$ 50 mil e US$ 250 mil, respectivamente.

Esses valores correspondem às condições de reserva divulgadas, e não necessariamente ao preço final de compra.

A configuração Rocket, responsável pelas demonstrações aéreas mais avançadas, deverá ter disponibilidade restrita.

O site oficial da Tesla reúne informações sobre o projeto e suas condições de reserva.

No Brasil, ainda não existe confirmação de comercialização, homologação ou prazo de chegada do novo Roadster.

O que a Tesla ainda precisa comprovar?

Embora a apresentação tenha mostrado capacidades incomuns para um automóvel, diversas questões permanecem sem respostas definitivas.

  • Qual será o preço final das diferentes configurações do Roadster?
  • Quantos impulsos o sistema poderá realizar antes de precisar recarregar os reservatórios?
  • Qual será a duração máxima das manobras aéreas?
  • A versão Rocket poderá transportar ocupantes com segurança durante os saltos?
  • Quais tecnologias estarão disponíveis nos veículos efetivamente comercializados?
  • Como os sistemas de propulsão poderão cumprir as exigências de segurança e circulação?
  • O desempenho de aceleração anunciado será confirmado por testes independentes?
  • A Tesla conseguirá iniciar a produção comercial em 2028?

As respostas determinarão se as tecnologias apresentadas poderão chegar ao mercado ou permanecerão restritas a protótipos e demonstrações especiais.

O Tesla Roadster mostrou que tecnologias desenvolvidas para aplicações aeroespaciais podem ampliar as capacidades de um carro elétrico. O próximo desafio será transformar essas manobras impressionantes em recursos seguros, reproduzíveis e comercialmente viáveis.

Por enquanto, a maior diferença entre o Roadster e um verdadeiro veículo de transporte aéreo continua sendo a capacidade de permanecer no céu por períodos prolongados.

A Tesla demonstrou que seu superesportivo consegue sair do chão. Agora, precisará mostrar até onde essa tecnologia realmente pode chegar.


Curadoria Xplora: Tesla, Reuters, MotorTrend e Tesla/YouTube.

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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