Incêndio paralisa segunda maior refinaria da Venezuela
Incêndio na Refinaria de Cardón, segunda maior da Venezuela, interrompe operações. Funcionários foram retirados e não há feridos confirmados.

Um incêndio de grandes proporções atingiu nesta terça-feira, 6 de outubro, a Refinaria de Cardón, na Venezuela, levando à interrupção das operações de uma das principais instalações petrolíferas do país. A unidade fica no estado de Falcón, no noroeste venezuelano, e tem capacidade para processar cerca de 310 mil barris de petróleo por dia.
De acordo com informações da Reuters, fontes com conhecimento da situação confirmaram a paralisação da refinaria e relataram a presença de chamas e uma grande quantidade de fumaça no complexo industrial.
Informações posteriores apontaram que o incêndio começou após um problema em uma linha de gás associada a uma unidade de processamento ligada à produção de derivados, incluindo diesel. O incidente obrigou a refinaria a interromper suas atividades enquanto equipes trabalhavam para controlar as chamas.
Incêndio paralisa Refinaria de Cardón
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, uma linha de gás ligada à unidade de hidrotratamento de diesel sofreu uma ruptura. O problema levou à paralisação do complexo, incluindo suas caldeiras.
Funcionários também foram retirados das instalações como medida de segurança. Em uma atualização sobre o caso, fontes afirmaram que o incêndio foi extinto em menos de uma hora.
Até a atualização mais recente divulgada pela agência, não havia registro de trabalhadores feridos. Moradores da região e pessoas com conhecimento das operações também relataram explosões durante o incidente.
Vídeos publicados nas redes sociais mostraram uma enorme coluna de fumaça e grandes chamas saindo da área da refinaria. A Reuters informou que não conseguiu verificar imediatamente de maneira independente todo o conteúdo dessas gravações, mas fontes consultadas pela agência confirmaram ter visto fogo e fumaça na instalação.
Imagens divulgadas posteriormente também mostraram equipes de bombeiros dentro do complexo e indicaram que as chamas haviam sido apagadas.
Cardón é a segunda maior refinaria da Venezuela
A Refinaria de Cardón tem capacidade nominal para processar aproximadamente 310 mil barris de petróleo por dia e é considerada a segunda maior refinaria venezuelana.
A instalação integra o Centro de Refino de Paraguaná, complexo operado pela estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). Somadas, as instalações do centro possuem capacidade aproximada de 955 mil barris por dia.
A importância do complexo vai além de seu tamanho. As refinarias venezuelanas são fundamentais para a produção de combustíveis utilizados dentro do próprio país, especialmente gasolina e diesel.
Problemas operacionais em unidades desse porte, portanto, podem afetar a disponibilidade de derivados caso a interrupção seja prolongada. Até o momento, porém, não há indicação de quanto tempo a Refinaria de Cardón permanecerá paralisada após o incêndio.
Refinaria já enfrentava problemas de produção
O incêndio ocorre em um momento em que Cardón já enfrentava dificuldades operacionais. No mês anterior, a produção em uma unidade de destilação de petróleo bruto e no craqueador catalítico fluido havia sido interrompida por falta de matéria-prima suficiente, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil com base na Reuters.
O craqueamento catalítico é uma das etapas utilizadas pelas refinarias para transformar frações mais pesadas do petróleo em produtos de maior valor comercial, incluindo componentes utilizados na fabricação de combustíveis.
Problemas envolvendo incêndios, interrupções de energia e falhas de equipamentos também já foram registrados anteriormente em refinarias administradas pela PDVSA.
Em março de 2024, por exemplo, outro incêndio atingiu Cardón e provocou a paralisação de unidades de destilação. Na ocasião, duas pessoas ficaram feridas, segundo reportagem da Reuters.
Setor de refino venezuelano enfrenta dificuldades históricas
A Venezuela possui algumas das maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, mas sua infraestrutura de refino enfrenta dificuldades acumuladas ao longo de anos.
Uma reportagem publicada pela Reuters em julho de 2026 descreveu problemas relacionados ao envelhecimento das instalações, falhas de equipamentos e necessidade de investimentos significativos para recuperar plenamente a capacidade produtiva do setor.
Especialistas e executivos consultados pela agência estimaram que uma recuperação mais ampla da infraestrutura venezuelana de refino exigiria bilhões de dólares em investimentos e um processo que poderia levar anos.
Nesse cenário, interrupções em Cardón ganham relevância porque a refinaria representa uma parcela importante da capacidade instalada do país.
PDVSA ainda não detalhou causa do incidente
Apesar das informações obtidas pela Reuters com fontes ligadas à operação da refinaria, a PDVSA não havia divulgado, até a última atualização disponível, um comunicado detalhado explicando oficialmente a causa do incêndio, a dimensão dos danos ou uma previsão para retomada das atividades.
Por isso, ainda não é possível determinar se o rompimento da linha de gás foi provocado por falha técnica, desgaste de equipamentos ou outro problema operacional.
Também não há, até o momento, evidência confirmada de que o episódio tenha relação com ataque ou sabotagem. Qualquer afirmação nesse sentido permanece sem sustentação nas informações disponibilizadas pelas fontes consultadas.
O que está confirmado é que houve um incêndio em uma unidade da Refinaria de Cardón, que o complexo teve suas operações interrompidas, que trabalhadores foram retirados da instalação e que o fogo posteriormente foi controlado.
As próximas atualizações deverão indicar a extensão dos danos e quando a refinaria poderá retomar suas atividades.
Fontes consultadas:
- Reuters, via UOL — Refinaria de Cardón interrompe atividades devido a incêndio
- CNN Brasil/Reuters — Segunda maior refinaria da Venezuela é paralisada após incêndio
- Reuters — Situação da infraestrutura de refino da Venezuela
- Reuters — Incêndio anterior na Refinaria de Cardón em 2024
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