Milei apoia Flávio Bolsonaro e volta a criticar governo Lula
Presidente argentino afirmou esperar que o Brasil abandone o que chamou de “curso socialista decadente”; apoio ao candidato do PL já havia sido declarado publicamente em julho.

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a criticar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e reforçou sua posição favorável a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República em 2026. A manifestação ocorreu após a participação do argentino na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na quarta-feira, 23 de setembro.
- Milei disse esperar uma mudança no rumo político brasileiro;
- o argentino já havia declarado publicamente apoio a Flávio Bolsonaro;
- as declarações acontecem em meio a uma relação diplomática deteriorada entre os governos brasileiro e argentino.
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de o Brasil participar do chamado Escudo das Américas, Milei afirmou que essa é uma decisão brasileira, mas aproveitou a resposta para fazer uma crítica direta ao atual governo.
O presidente argentino disse ter esperança de que o Brasil abandone o que classificou como um “curso socialista decadente” e volte a adotar aquilo que ele chama de “ideias da liberdade”. A expressão reflete a posição ideológica de Milei e não constitui uma caracterização objetiva da situação política ou econômica brasileira.
A declaração foi registrada pelo UOL, com base em entrevista concedida por Milei ao Metrópoles após sua passagem pela Assembleia Geral da ONU.
Milei apoia Flávio Bolsonaro desde convenção do PL
A aproximação de Javier Milei com Flávio Bolsonaro não começou nas declarações feitas em Nova York. O presidente argentino já havia demonstrado publicamente apoio ao candidato do PL durante uma viagem ao Brasil em julho.
Em 25 de julho, Milei participou em São Paulo da convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Na ocasião, o argentino afirmou considerar Flávio o nome capaz de impedir uma nova vitória de Lula e disse esperar que o Brasil também adotasse uma orientação liberal após a eleição de outubro.
Milei também fez críticas à esquerda, ao socialismo e ao próprio presidente brasileiro durante o evento. As declarações são posições políticas do presidente argentino e fazem parte de seu alinhamento ideológico com setores da direita latino-americana.
O apoio de um chefe de Estado estrangeiro a um candidato brasileiro, por si só, não altera as regras da eleição nem representa apoio institucional da Argentina ao candidato. Trata-se de um posicionamento político pessoal e público do presidente argentino.
Declarações aprofundaram tensão entre Brasil e Argentina
A participação de Milei no evento do PL em julho também teve consequências diplomáticas.
Após declarações feitas pelo presidente argentino durante sua passagem pelo Brasil e novos ataques verbais nas semanas seguintes, o governo brasileiro chamou o embaixador Julio Bitelli para consultas em Brasília.
No início de agosto, a relação diplomática entre os dois governos foi reduzida ao nível de encarregados de negócios. Segundo informações publicadas pela Reuters na época, o governo brasileiro decidiu que Bitelli não retornaria a Buenos Aires enquanto continuassem os ataques de Milei a Lula.
A medida não significou rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina. Embaixadas e canais institucionais continuaram funcionando, mas sem a interlocução normal conduzida pelos embaixadores.
A Argentina informou naquele momento que não pretendia responder com uma medida diplomática equivalente.
Críticas de Milei a Lula vêm desde antes da campanha
A relação entre Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva é marcada por divergências políticas desde antes da posse do argentino.
Milei se apresenta internacionalmente como um defensor de políticas liberais e mantém críticas frequentes ao socialismo e a governos de esquerda. Lula, por sua vez, lidera um governo de centro-esquerda e possui posições diferentes das defendidas pelo argentino em diversas áreas.
Com o avanço da campanha presidencial brasileira de 2026, essas divergências passaram a se misturar de forma mais direta à disputa eleitoral no Brasil.
Ao apoiar Flávio Bolsonaro, Milei deixou de apenas criticar o governo brasileiro e passou a manifestar preferência pública por um dos candidatos na eleição.
A declaração feita em Nova York em setembro segue essa mesma linha, embora a resposta do presidente argentino tenha surgido originalmente durante uma pergunta relacionada à política regional de segurança.
O que a declaração de Milei significa para a eleição brasileira
O posicionamento de Milei é um apoio político internacional a Flávio Bolsonaro, mas não determina o resultado da eleição brasileira.
O presidente argentino também não anunciou qualquer acordo eleitoral, medida de governo ou participação institucional da Argentina na campanha.
Para o eleitor, é importante separar três elementos: a crítica de Milei ao governo Lula é uma avaliação política; seu apoio a Flávio Bolsonaro é uma preferência eleitoral declarada; e a crise diplomática entre Brasil e Argentina envolve decisões institucionais dos respectivos governos.
As eleições brasileiras são conduzidas pelas instituições eleitorais nacionais e decididas pelos eleitores brasileiros.
Relação bilateral vai além das divergências entre presidentes
Apesar do confronto político entre Lula e Milei, Brasil e Argentina mantêm uma relação econômica e institucional ampla.
Os dois países integram o Mercosul e possuem forte integração comercial, industrial e diplomática. Isso significa que as relações bilaterais envolvem interesses que vão além das posições individuais dos presidentes.
A redução do nível de representação diplomática em agosto mostrou, no entanto, que as divergências pessoais entre os mandatários passaram a produzir consequências institucionais.
As novas declarações de Milei em setembro indicam que, ao menos no discurso político, a aproximação entre os dois governos continua distante.
O que acompanhar agora
Está confirmado que Javier Milei declarou apoio a Flávio Bolsonaro e voltou a criticar o governo Lula. Também está documentada a deterioração das relações diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires nos meses anteriores.
O que permanece em aberto é como os governos dos dois países administrarão a relação bilateral durante a reta final da campanha eleitoral brasileira e se haverá novos movimentos diplomáticos após as declarações feitas em Nova York.
Também será necessário observar se o governo brasileiro apresentará alguma reação institucional específica à nova fala do presidente argentino.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.
Fontes consultadas
- UOL — reportagem publicada em 23 de setembro de 2026 sobre as declarações de Javier Milei
- Metrópoles — entrevista com Milei após a Assembleia Geral da ONU e cobertura da convenção do PL
- Reuters — cobertura sobre a crise diplomática entre Brasil e Argentina em agosto de 2026




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