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quinta-feira, 24 de setembro de 2026
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Milei chama ONU de “inútil” e volta a cobrar pelas Malvinas

Presidente argentino afirmou que Buenos Aires não ficará apenas esperando uma atuação da comunidade internacional e pediu que Londres volte à mesa de negociações.

Por Matias Gomessetembro 24, 20267 min de leitura
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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a colocar a disputa pelas Ilhas Malvinas no centro de seu discurso internacional. Durante a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em 23 de setembro de 2026, Milei criticou duramente a organização, pediu ao Reino Unido a retomada das negociações sobre a soberania do arquipélago e afirmou que Buenos Aires pretende adotar uma postura mais ativa sobre o tema.

Ao falar sobre Milei e as Ilhas Malvinas, porém, é necessário separar a retórica política das medidas efetivamente anunciadas. O presidente argentino não declarou intenção de recorrer à força militar. Pelo contrário, definiu a estratégia de seu governo como uma defesa “pacífica, prática e efetiva” da reivindicação argentina.

  • O que aconteceu: Milei criticou a ONU e voltou a reivindicar as Malvinas.
  • Quem está envolvido: Argentina, Reino Unido, habitantes das ilhas e a própria ONU.
  • Por que importa: a disputa de soberania permanece sem solução e voltou a ganhar destaque diplomático.

Milei e as Ilhas Malvinas: o que foi dito na ONU

Durante sua participação na Assembleia Geral, Milei afirmou que as Malvinas representam uma “causa nacional” para a Argentina e voltou a pedir que o Reino Unido retome negociações para buscar uma solução pacífica para a disputa.

O presidente usou o caso para sustentar uma crítica mais ampla à Organização das Nações Unidas. Milei classificou a ONU como uma organização “inútil” e argumentou que existe uma distância entre as resoluções aprovadas pelo organismo internacional e aquilo que efetivamente acontece no mundo.

Ao tratar especificamente das Malvinas, Milei afirmou que a Argentina não ficará simplesmente esperando que a ONU ou a comunidade internacional resolvam o impasse e declarou que Buenos Aires pretende “tomar cartas no assunto”.

A declaração chamou atenção porque sugere uma postura mais ativa do governo argentino, mas o próprio Milei afirmou que a estratégia adotada continuará sendo pacífica.

O que pode significar a promessa de “tomar providências”

O discurso não apresentou um plano militar nem anunciou qualquer tentativa de alterar pela força o controle atual das ilhas.

Parte da pressão argentina está relacionada à exploração de recursos naturais no entorno do arquipélago. Milei voltou a criticar empresas envolvidas na exploração de petróleo e outros recursos em áreas que Buenos Aires considera pertencentes à Argentina.

O governo argentino sustenta que atividades desse tipo realizadas sem sua autorização violam a legislação do país e seus direitos sobre o território.

O Reino Unido rejeita essa interpretação e considera legítimas as atividades econômicas realizadas sob a administração das Falkland Islands, nome utilizado pelos britânicos para o arquipélago.

Reino Unido mantém posição sobre as Falkland Islands

A posição britânica permanece distante da defendida por Buenos Aires.

Londres considera as Falkland Islands um Território Ultramarino Britânico e sustenta que os habitantes das ilhas possuem o direito de determinar seu próprio futuro político.

Para o governo britânico, qualquer discussão sobre uma mudança de soberania precisa considerar a vontade dos moradores do arquipélago.

A Argentina contesta esse argumento. Milei afirmou durante seu discurso que, na interpretação argentina, o princípio da autodeterminação não se aplica da mesma maneira ao caso das Malvinas, pois Buenos Aires considera que a população atual foi estabelecida durante a administração britânica de um território cuja soberania já era contestada.

Essa diferença de interpretação está no centro do impasse diplomático.

O que a ONU reconhece sobre as Ilhas Malvinas

A Organização das Nações Unidas reconhece formalmente a existência de uma disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas.

A Resolução 2065 da Assembleia Geral da ONU, aprovada em 1965, reconheceu a controvérsia entre os dois governos e pediu que ambos buscassem uma solução pacífica por meio de negociações.

Outras resoluções posteriores voltaram a fazer apelos semelhantes, solicitando que Argentina e Reino Unido encontrem uma solução negociada e definitiva.

Isso, no entanto, não significa que a ONU tenha reconhecido definitivamente a soberania argentina sobre as ilhas. A organização registra a existência da disputa e pede uma solução pacífica entre as partes.

O próprio site da ONU dedicado ao processo de descolonização informa que existe uma controvérsia entre os governos argentino e britânico em relação à soberania das Falkland Islands (Malvinas).

Uma disputa que levou os dois países à guerra

Argentina e Reino Unido disputam a soberania do arquipélago há quase dois séculos.

Os britânicos controlam as ilhas desde 1833, enquanto a Argentina afirma ter herdado direitos sobre o território após sua independência da Espanha.

A disputa atingiu seu momento mais grave em abril de 1982, quando a então ditadura militar argentina ocupou as ilhas.

O Reino Unido respondeu enviando uma força militar ao Atlântico Sul. Após 74 dias de combates, a Argentina se rendeu e os britânicos retomaram o controle do arquipélago.

O conflito deixou 649 militares argentinos mortos, além de 255 militares britânicos e três habitantes das ilhas.

Desde então, Buenos Aires mantém oficialmente a reivindicação de soberania, mas afirma buscar uma solução pela via diplomática.

Moradores das ilhas também são parte do impasse

Outro ponto importante da disputa é a posição da população local.

Em um referendo realizado em 2013, praticamente todos os votos válidos foram favoráveis à manutenção do status das ilhas como território britânico ultramarino.

O Reino Unido utiliza esse resultado como argumento de que os habitantes desejam permanecer vinculados a Londres.

A Argentina não reconhece o referendo como instrumento capaz de resolver a questão da soberania e sustenta que o tema deve ser negociado diretamente entre os dois Estados.

Por que as Malvinas voltaram ao centro da discussão

A disputa ganhou nova relevância nos últimos meses por causa de projetos ligados à exploração de petróleo no entorno das ilhas.

Milei já havia elevado a pressão contra empresas envolvidas nessas atividades e voltou a mencionar o tema durante sua passagem pela ONU.

A questão econômica acrescenta uma nova dimensão ao conflito diplomático. Além da soberania territorial, Argentina e Reino Unido divergem sobre quem possui autoridade para conceder licenças e explorar recursos naturais nas águas próximas ao arquipélago.

O desenvolvimento do campo petrolífero Sea Lion, localizado ao norte das ilhas, tornou-se um dos principais pontos recentes de atrito entre Buenos Aires e Londres.

O que pode acontecer agora

Apesar da elevação do tom, não há indicação de que a Argentina esteja preparando qualquer ação militar contra o Reino Unido.

As medidas anunciadas e discutidas até agora permanecem concentradas nos campos diplomático, jurídico e econômico.

O principal ponto a ser acompanhado será quais providências concretas o governo Milei pretende adotar contra empresas ligadas à exploração de recursos nas águas reivindicadas pela Argentina.

Também permanece sem perspectiva imediata uma retomada das negociações formais de soberania.

Enquanto Buenos Aires insiste na reabertura do diálogo bilateral, Londres sustenta que não discutirá uma mudança de soberania contra a vontade dos habitantes das ilhas.

Assim, o discurso de Milei aumenta novamente a pressão política sobre uma disputa histórica, mas não altera o quadro atual: as ilhas continuam administradas pelo Reino Unido, enquanto a Argentina mantém sua reivindicação formal de soberania.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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