Milei critica ONU e eleva pressão pela soberania das Malvinas
Presidente argentino pediu a retomada das negociações com Londres e afirmou que seu governo não ficará apenas esperando uma atuação da comunidade internacional.

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a colocar a disputa pelas Ilhas Malvinas no centro da política externa argentina. Durante discurso na 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, o presidente criticou duramente a ONU, pediu ao Reino Unido a retomada das negociações sobre soberania e afirmou que Buenos Aires adotará uma postura mais ativa em relação ao arquipélago.
Ao tratar de Milei e das Ilhas Malvinas, entretanto, é importante separar a retórica política das medidas efetivamente anunciadas. O presidente não anunciou uma ação militar nem apresentou um plano para alterar de imediato o controle das ilhas. A principal sinalização concreta foi a intenção de reagir contra empresas que participem da exploração de recursos naturais da região sem autorização argentina.
- O que aconteceu: Milei criticou a atuação da ONU e voltou a reivindicar as Malvinas.
- Quem está envolvido: Argentina, Reino Unido, habitantes das ilhas e empresas que atuam na região.
- Por que importa: a disputa de soberania permanece sem solução e voltou a ganhar destaque no principal fórum diplomático internacional.
Milei e as Ilhas Malvinas: o que o presidente argentino defendeu
Em sua terceira participação na Assembleia Geral como presidente da Argentina, Milei definiu as Malvinas como uma “causa nacional” e pediu novamente que o Reino Unido retome negociações para buscar uma solução pacífica para a disputa de soberania.
O governo argentino afirma que existe uma diferença entre as resoluções aprovadas no âmbito das Nações Unidas e sua aplicação prática. Durante o discurso, Milei questionou a utilidade de decisões internacionais que, na avaliação dele, não produzem consequências suficientes.
Foi dentro desse argumento que o argentino classificou a ONU como uma organização “inútil”. A declaração representa a avaliação política de Milei sobre o funcionamento da instituição, e não uma conclusão jurídica ou institucional sobre as Nações Unidas.
O presidente afirmou ainda que a Argentina não pretende ficar apenas esperando uma atuação da ONU ou da comunidade internacional. Segundo a comunicação oficial do governo argentino sobre o discurso, o país pretende “tomar cartas no assunto”.
O que significa a promessa de a Argentina agir
A frase pode sugerir uma mudança importante na estratégia argentina, mas Milei não anunciou qualquer ação militar contra o Reino Unido.
Na própria fala, o presidente afirmou que Buenos Aires escolheu uma defesa pacífica, prática e efetiva de sua reivindicação. Uma das áreas citadas foi a exploração de recursos naturais.
Milei disse que a Argentina não permanecerá indiferente diante de empresas que explorem recursos em áreas que Buenos Aires considera submetidas a uma ocupação externa ilegal. A declaração ocorre em meio às divergências entre os dois países sobre atividades econômicas e, especialmente, sobre o desenvolvimento de hidrocarbonetos ao redor das ilhas.
O governo argentino considera que atividades realizadas na área sem autorização de Buenos Aires violam sua legislação e seus direitos sobre o arquipélago. O Reino Unido contesta essa interpretação.
Reino Unido rejeita posição argentina
A posição britânica é substancialmente diferente. Para Londres, as Falkland Islands — nome utilizado pelos britânicos para o arquipélago — constituem um Território Ultramarino Britânico e possuem o direito de determinar seu próprio futuro político.
O governo britânico afirmou novamente em setembro de 2026 que considera legítima a exploração dos recursos naturais realizada sob autoridade das ilhas e rejeita tentativas argentinas de aplicar sua legislação a empresas que operam no território.
Londres também mantém a posição de que não discutirá a soberania das ilhas enquanto seus habitantes não desejarem essa negociação.
Essa diferença está no centro do impasse diplomático: a Argentina considera a questão uma disputa bilateral de soberania entre Buenos Aires e Londres, enquanto o Reino Unido coloca o princípio da autodeterminação dos habitantes das ilhas como elemento fundamental de sua posição.
O que a ONU realmente diz sobre as Malvinas
A Organização das Nações Unidas reconhece formalmente que existe uma disputa de soberania sobre as Ilhas Malvinas. Isso, porém, não significa que a ONU tenha declarado que o território pertence definitivamente à Argentina.
A Resolução 2065 da Assembleia Geral, aprovada em 1965, reconheceu a existência da disputa entre Argentina e Reino Unido e convidou os dois governos a buscar uma solução pacífica.
Outras resoluções posteriores também pediram negociações entre as partes. A Resolução 43/25, de 1988, por exemplo, solicitou aos governos argentino e britânico que encontrassem meios para resolver pacífica e definitivamente os problemas pendentes entre os dois países relacionados ao futuro das ilhas.
O Comitê Especial de Descolonização da ONU também tem reiterado pedidos para que Argentina e Reino Unido retomem negociações sobre a disputa.
Portanto, há uma diferença importante: a ONU reconhece a existência da controvérsia e defende uma solução negociada, mas não atribui de forma definitiva a soberania do território a Buenos Aires.
Uma disputa que levou Argentina e Reino Unido à guerra
A disputa sobre o arquipélago atravessa quase dois séculos. O Reino Unido administra as ilhas desde 1833, período contestado pela Argentina, que afirma possuir direitos históricos e jurídicos sobre o território.
A tensão chegou ao ponto máximo em 1982, quando forças argentinas ocuparam as ilhas e o Reino Unido enviou uma força militar para retomá-las. A Guerra das Malvinas terminou com a derrota argentina e a continuidade da administração britânica.
Mesmo depois do conflito, Buenos Aires manteve oficialmente sua reivindicação por meios diplomáticos.
Em 2013, os moradores das ilhas participaram de um referendo organizado pelo governo local. Entre os votos válidos, 99,8% escolheram manter o status de Território Ultramarino Britânico. Londres usa o resultado como um dos argumentos para sustentar sua posição de autodeterminação.
A Argentina, por sua vez, não considera que esse referendo encerre a disputa e sustenta que o problema deve ser resolvido entre os dois Estados.
Por que a declaração de Milei chama atenção agora
A fala ocorre em um momento de renovada tensão em torno da exploração de recursos naturais das ilhas.
Poucos dias antes do discurso de Milei, o governo britânico divulgou uma declaração defendendo empresas que fazem negócios com as Falkland Islands e criticando medidas argentinas contra companhias ligadas, direta ou indiretamente, ao setor de hidrocarbonetos.
O posicionamento mostra que a divergência não está limitada a uma discussão histórica sobre soberania. Ela também envolve jurisdição, atividade empresarial, exploração de petróleo e outros recursos naturais do Atlântico Sul.
Por enquanto, não existe sinal de retomada das negociações formais de soberania entre Londres e Buenos Aires.
O que pode acontecer agora
A principal questão após o discurso é saber quais medidas concretas o governo Milei pretende adotar ao afirmar que a Argentina vai “tomar cartas no assunto”.
As declarações conhecidas apontam principalmente para instrumentos diplomáticos, jurídicos e econômicos relacionados à exploração de recursos naturais. Não foi apresentado no discurso um cronograma detalhado de novas ações.
Também permanece sem perspectiva imediata uma negociação bilateral sobre a soberania. O governo argentino pede a reabertura do diálogo, enquanto o Reino Unido mantém que não negociará a questão contra a vontade dos moradores das ilhas.
Assim, a fala de Milei aumenta a pressão política sobre um conflito histórico, mas não altera, por si só, o controle atual do arquipélago. As Malvinas continuam administradas pelo Reino Unido, enquanto a Argentina mantém formalmente sua reivindicação de soberania.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.
Fontes consultadas
- Presidência da Argentina — discurso e comunicado oficial de Javier Milei na 81ª Assembleia Geral da ONU.
- Casa Rosada — transcrição oficial do discurso de 23 de setembro de 2026.
- Nações Unidas — documentos e resoluções sobre a questão das Falkland Islands (Malvinas).
- Governo do Reino Unido — posição oficial sobre soberania, autodeterminação e exploração econômica das ilhas.
- EFE — cobertura do discurso de Milei e das declarações sobre exploração de recursos naturais.




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