Pular para o conteúdo
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
XPLORANEWS
Início / Mundo
Mundo

Trump critica Brasil por PCC e CV e cobra medidas mais duras

Documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos afirma que facções transformaram o Brasil em um centro dos fluxos internacionais de cocaína; país, porém, ficou fora das listas formais de grandes produtores e rotas de drogas.

Por Matias Gomessetembro 16, 20267 min de leitura
Comentar

O governo dos Estados Unidos fez uma crítica direta ao Brasil nesta quarta-feira (16) por sua atuação no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Em uma determinação presidencial enviada ao Congresso norte-americano em 15 de setembro, o presidente Donald Trump afirmou que o governo brasileiro “falhou em confrontar” as duas facções.

A declaração faz parte da avaliação anual de Washington sobre países envolvidos na produção ou no trânsito internacional de drogas. Ao mesmo tempo em que Trump critica Brasil por PCC e CV, há uma distinção importante no documento: o país não foi incluído nas listas formais de grandes produtores ou rotas de entorpecentes nem entre os governos considerados pelos Estados Unidos como tendo falhado de maneira comprovada em suas obrigações internacionais de combate às drogas.

  • O que aconteceu: Trump fez uma crítica nominal ao governo brasileiro por sua atuação contra PCC e CV.
  • Quem está envolvido: governos dos Estados Unidos e do Brasil, além das duas principais facções criminosas brasileiras.
  • Por que importa: a declaração aumenta a pressão diplomática sobre Brasília e ocorre após Washington ter classificado PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras.

Trump critica Brasil por PCC e CV em documento oficial

A declaração aparece na determinação presidencial referente aos grandes países de trânsito ou produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027. O documento foi entregue ao Congresso em 15 de setembro e divulgado pela Casa Branca no dia seguinte.

No trecho dedicado ao Brasil, Trump afirma que, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental estariam adotando medidas para reduzir o fluxo de drogas e combater cartéis, o governo brasileiro não teria conseguido enfrentar adequadamente o PCC e o Comando Vermelho.

Segundo a avaliação apresentada por Washington, as duas organizações teriam transformado o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína. O governo dos Estados Unidos também afirma que PCC e CV representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacional e cobra das autoridades brasileiras medidas mais firmes para impedir a expansão dos grupos.

Essas declarações representam a posição oficial do governo norte-americano. O documento, entretanto, não apresenta nesse trecho dados detalhados sobre volumes de cocaína movimentados pelas facções nem especifica quais medidas adicionais Washington espera que o Brasil adote.

Brasil ficou fora das listas formais do relatório

A crítica ao governo brasileiro não significa que o Brasil tenha sido classificado formalmente pelos Estados Unidos como um dos principais países produtores ou de trânsito de drogas.

A lista para o ano fiscal de 2027 contém 23 países: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Mianmar, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela. O Brasil não aparece nessa relação.

A própria Casa Branca explica que estar nessa lista também não significa, por si só, que um governo esteja deixando de combater o tráfico. A classificação leva em consideração fatores geográficos, comerciais e econômicos que favorecem a produção ou o trânsito de drogas e de substâncias utilizadas em sua fabricação.

Existe ainda uma segunda classificação, mais específica, para países que, na avaliação dos Estados Unidos, “falharam demonstravelmente” nos 12 meses anteriores em cumprir obrigações internacionais relacionadas ao combate ao narcotráfico.

Para 2027, Washington colocou Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia nessa categoria. Mais uma vez, o Brasil não aparece.

Isso significa que a referência ao país deve ser interpretada como uma crítica política e diplomática específica à atuação contra PCC e Comando Vermelho, e não como uma inclusão do Brasil nessas duas classificações formais.

PCC e Comando Vermelho foram classificados como terroristas pelos EUA

A nova cobrança ocorre poucos meses depois de uma mudança importante na política dos Estados Unidos em relação às facções brasileiras.

Em 28 de maio de 2026, o secretário de Estado Marco Rubio assinou a determinação que classificou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como Foreign Terrorist Organizations (FTOs), ou Organizações Terroristas Estrangeiras segundo a legislação norte-americana.

A medida entrou formalmente em vigor com a publicação no Federal Register em 5 de junho de 2026.

Outra determinação norte-americana também incluiu as duas organizações na categoria de Specially Designated Global Terrorists (SDGT), instrumento utilizado pelos Estados Unidos para aplicar restrições e bloqueios relacionados a pessoas e organizações consideradas envolvidas com terrorismo.

É importante destacar que essas são classificações adotadas pelos Estados Unidos sob sua própria legislação. Elas não significam automaticamente que o Brasil tenha alterado a classificação jurídica das duas organizações em seu território.

Governo brasileiro já havia rejeitado classificação americana

A posição brasileira sobre a classificação das facções já havia provocado divergências entre Brasília e Washington meses antes da nova determinação antidrogas.

Em maio, após o anúncio norte-americano, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a medida. Conforme relatado pela Reuters, o governo brasileiro considerou a classificação unilateral contraproducente e manifestou preocupação com seus possíveis efeitos sobre a soberania nacional e a cooperação internacional contra o crime organizado.

Lula afirmou na ocasião que o Brasil continuaria combatendo PCC e Comando Vermelho, mas rejeitou a possibilidade de decisões tomadas no exterior serem utilizadas para justificar interferências em assuntos internos brasileiros.

Essa manifestação ocorreu em maio e, portanto, não deve ser tratada como uma resposta direta ao documento divulgado em 16 de setembro. Ela serve como contexto para compreender a divergência já existente entre os dois governos sobre a forma de enquadrar juridicamente essas organizações.

Qual é a importância da nova declaração

A menção nominal ao Brasil chama atenção porque a determinação anual antidrogas não se limitou à lista de países formalmente classificados. Trump reservou um trecho específico para criticar a atuação brasileira contra as duas facções.

Com PCC e Comando Vermelho já enquadrados como organizações terroristas pela legislação dos Estados Unidos, a declaração também insere o combate ao crime organizado brasileiro de maneira mais direta na política externa e de segurança de Washington.

Isso não significa, por si só, a aplicação automática de novas sanções ao governo brasileiro. O documento divulgado em setembro não anuncia punições específicas contra o Brasil nem apresenta uma lista de medidas concretas que Brasília deveria adotar.

O que está confirmado é que Washington elevou publicamente o tom contra a atuação brasileira e passou a associar diretamente a expansão internacional do PCC e do Comando Vermelho aos fluxos globais de cocaína.

O que ainda precisa ser acompanhado

Os próximos desdobramentos dependerão de eventuais manifestações oficiais do governo brasileiro e de novas decisões de Washington relacionadas às duas facções.

Também será necessário observar se a crítica permanecerá apenas no campo diplomático ou se será acompanhada por novas medidas financeiras, policiais ou de cooperação internacional contra pessoas e empresas que os Estados Unidos considerem vinculadas ao PCC ou ao Comando Vermelho.

Até aqui, a principal distinção permanece clara: o governo Trump acusa o Brasil de falhar no enfrentamento às duas facções, mas o país não foi formalmente classificado como grande produtor ou rota de drogas nem como um dos governos que “falharam demonstravelmente” em suas obrigações antidrogas.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

Compartilhe:WhatsAppFacebookX
Avatar de Matias Gomes

Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

0 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *