Avalanche no Monte Mizhirgi mata 11 alpinistas na Rússia
Grupo de 33 pessoas foi atingido no desfiladeiro de Bezengi; seis continuam desaparecidos e as buscas foram suspensas após novo desprendimento.

Resumo:
- Uma avalanche no Monte Mizhirgi, no Cáucaso do Norte da Rússia, atingiu um grupo registrado com 33 pessoas.
- O balanço oficial mais recente confirma 11 mortos, seis feridos hospitalizados, dez pessoas que desceram por conta própria e seis desaparecidos.
- As buscas foram suspensas na noite de 7 de setembro por mau tempo, terreno difícil e um novo desprendimento na montanha.
Uma avalanche no Monte Mizhirgi, na região de Kabardino-Balkária, no Cáucaso do Norte da Rússia, matou 11 alpinistas e deixou outras seis pessoas desaparecidas após atingir um grupo registrado com 33 integrantes. O desastre ocorreu na tarde de domingo, 6 de setembro, no desfiladeiro de Bezengi, uma das áreas de montanhismo de alta altitude mais conhecidas da região.
Segundo a atualização do Ministério de Situações de Emergência da Rússia (MChS), dez pessoas conseguiram descer por conta própria e seis feridos foram levados a unidades médicas. A situação de outros seis integrantes permanece desconhecida.
Na atualização mais recente, divulgada no início da noite de 7 de setembro no horário local, o MChS informou que as buscas haviam sido temporariamente suspensas. O mau tempo impediu o deslocamento de toda a equipe de resgate, enquanto o relevo acidentado e um novo desprendimento de uma cornija na montanha elevaram o risco para os socorristas.
Avalanche no Monte Mizhirgi atingiu grupo de 33 pessoas
As primeiras informações sobre o acidente eram bem diferentes do balanço atual. Às 17h de 6 de setembro, o MChS informou inicialmente que uma avalanche havia atingido uma equipe de 15 alpinistas. Naquele momento, havia confirmação de dois mortos, três feridos e dez pessoas cuja situação ainda era desconhecida.
Horas depois, os dados começaram a ser revisados. Na manhã de 7 de setembro, as autoridades confirmaram que o grupo registrado era composto por 33 pessoas. O novo balanço passou a indicar 11 mortos, seis feridos hospitalizados, dez pessoas que conseguiram deixar a região por conta própria e seis desaparecidos. A atualização também foi confirmada pela agência Interfax.
Essa mudança ajuda a explicar por que publicações feitas nas primeiras horas após a tragédia apresentam números menores. Os balanços iniciais eram preliminares e foram sendo corrigidos à medida que as equipes de emergência identificavam todos os integrantes registrados e obtinham novas informações sobre o local.
Grupo participava de treinamento, segundo federação russa
Uma das questões que surgiu após o desastre foi o que exatamente os alpinistas faziam na região atingida. Alexander Yakovenko, presidente do comitê de montanhismo esportivo da Federação Russa de Montanhismo, afirmou ao Kommersant que os participantes não estavam realizando uma tentativa convencional de chegar ao cume.
Segundo Yakovenko, o grupo participava de atividades programadas de treinamento em terreno de gelo. Ele também afirmou que os exercícios faziam parte de uma rotina de preparação e que, em sua avaliação, os participantes não haviam entrado conscientemente em uma área considerada inadequadamente perigosa.
Essa versão, porém, deve ser tratada como a avaliação de um representante da federação. Ela não substitui a investigação oficial sobre as circunstâncias do acidente. A causa exata do desprendimento ainda não foi estabelecida pelas autoridades.
Buscas foram suspensas após novo desprendimento
Durante o dia 7, equipes especializadas permaneceram na base do Monte Mizhirgi e trabalharam na preparação dos corpos para retirada, além de estruturar uma área para o acampamento operacional. Um helicóptero Mi-8 foi utilizado para levar socorristas até a região.
Ao fim do período de luz natural, 12 especialistas do MChS permaneceram no local, enquanto outros 46 ficaram de prontidão no acampamento de Bezengi. As autoridades planejam reforçar novamente a operação quando houver condições meteorológicas adequadas.
O principal obstáculo não é apenas a altitude. O órgão russo informou que houve um novo desprendimento de uma cornija na montanha, enquanto o tempo ruim dificultou o transporte das equipes. Isso significa que os socorristas precisam avançar em uma área que continua sujeita a novos movimentos de neve e gelo.
A previsão informada pelo MChS é de retomada da operação com a chegada da luz do dia em 8 de setembro, caso o tempo permita. Um helicóptero Mi-8 deverá voltar a ser utilizado para transportar equipes.
Investigação por possível negligência foi aberta
Além da operação de resgate, o caso passou a ser investigado pelas autoridades russas. O Comitê de Investigação abriu um processo criminal com base no artigo relacionado a possível negligência. A Procuradoria de Kabardino-Balkária informou que acompanha a apuração das circunstâncias da morte dos alpinistas.
A abertura de uma investigação não significa que uma falha tenha sido comprovada. O objetivo é determinar as causas e as condições que levaram ao desastre, incluindo procedimentos de segurança, organização das atividades e decisões tomadas antes do desprendimento.
Yakovenko contestou a ideia de que o episódio tenha ocorrido porque o grupo assumiu deliberadamente um risco excessivo. Segundo ele, os treinamentos seguiam procedimentos conhecidos e o desprendimento teve escala excepcional. Essa afirmação, novamente, representa a avaliação da federação e ainda será confrontada com os elementos reunidos pela investigação.
O que ainda não se sabe sobre o desastre
Apesar das atualizações, três pontos importantes continuam sem resposta. O primeiro é a situação dos seis desaparecidos. O segundo é a causa física exata do desprendimento de neve e gelo. O terceiro é se houve alguma falha operacional ou de segurança que possa ter contribuído para o número de vítimas.
O registro em vídeo atribuído ao piloto de helicóptero Alexander Davydov mostra uma grande massa de neve e gelo descendo pela encosta. O material foi publicado por veículos especializados em montanhismo, como o ExplorersWeb, mas as imagens por si só não permitem determinar a causa do colapso.
O episódio também ocorre poucas semanas depois de outro grande desastre envolvendo gelo e detritos em uma região montanhosa da Ásia. A Xplora News acompanhou o desastre no Nepal e no Tibete e a posterior correção do USGS sobre a origem do sinal sísmico. Os casos têm causas e contextos diferentes, mas mostram como grandes deslocamentos de gelo, neve e rochas podem produzir impactos rápidos em áreas de alta montanha.
Qual é a situação agora
O balanço oficial permanece em 11 mortos, seis feridos, seis desaparecidos e dez pessoas que conseguiram descer por conta própria, dentro de um grupo de 33 integrantes. As buscas foram suspensas temporariamente por questões de segurança e devem ser retomadas quando as condições permitirem.
Nas próximas atualizações, os principais pontos a acompanhar serão a localização dos desaparecidos, a retomada efetiva da operação de resgate e os resultados iniciais da investigação sobre o que provocou o desprendimento no Monte Mizhirgi.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.
Fontes consultadas
- MChS da República de Kabardino-Balkária — atualização do balanço e mobilização de equipes
- MChS da República de Kabardino-Balkária — suspensão das buscas em 7 de setembro
- Interfax — confirmação do balanço de 11 mortos e seis desaparecidos
- Kommersant — informações da Federação Russa de Montanhismo e investigação
- Procuradoria de Kabardino-Balkária — acompanhamento da apuração
- ExplorersWeb — contexto do montanhismo e registro em vídeo




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