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segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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Navio de guerra peruano recebe autorização para entrar no Brasil

BAP Castilla viajará com 58 militares até Manaus para participar de exercício multinacional entre Brasil, Colômbia e Peru.

Por Matias Gomesagosto 25, 20266 min de leitura
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Resumo da notícia:

  • O BAP Castilla, da Marinha de Guerra do Peru, foi autorizado a viajar até o Brasil.
  • A embarcação deverá permanecer em Manaus durante a terceira fase da Operação BRACOLPER Naval 2026.
  • A missão reúne militares do Brasil, da Colômbia e do Peru em atividades de cooperação na Amazônia.

Um navio de guerra peruano no Brasil participará de exercícios militares e atividades comemorativas programadas para setembro de 2026. A embarcação escolhida para a missão é o BAP Castilla (CF-16), uma unidade de combate fluvial pertencente à Marinha de Guerra do Peru.

Segundo o Metrópoles, a Marinha do Brasil autorizou a entrada da embarcação em águas brasileiras. Documentos oficiais publicados pelo Peru confirmam que o navio foi convidado pelo 9º Distrito Naval brasileiro e viajará até Manaus para participar da terceira fase da Operação BRACOLPER Naval 2026.

A atividade está marcada para ocorrer entre os dias 3 e 8 de setembro, durante as comemorações do 204º aniversário da Independência do Brasil. O cronograma oficial estabelece que o navio retorne ao Peru depois do encerramento da programação.

Por que o navio de guerra peruano entrará no Brasil?

O BAP Castilla não foi enviado ao Brasil em resposta a uma crise ou tensão militar. Sua presença faz parte de uma operação multinacional previamente planejada entre as forças navais de Brasil, Colômbia e Peru.

A Resolução Ministerial nº 00995-2026-DE, publicada pelo governo peruano em 19 de agosto, informa que o convite foi encaminhado pelo comandante do 9º Distrito Naval da Marinha do Brasil em 6 de março de 2026.

O documento autoriza o envio dos militares peruanos a Manaus em comissão de serviço. A missão está vinculada à terceira fase da Operação BRACOLPER Naval, exercício tradicional realizado na região amazônica.

A sigla BRACOLPER reúne as primeiras letras de Brasil, Colômbia e Peru. O exercício procura melhorar a capacidade das três Marinhas de trabalharem juntas em rios amazônicos, região marcada por grandes distâncias, fronteiras compartilhadas e dificuldades logísticas.

Entre os objetivos estão o aperfeiçoamento das comunicações, a resposta a ameaças transfronteiriças e a preparação para ações de assistência humanitária. A edição de 2026 é a 52ª realização da operação, conforme informações da Agência Marinha de Notícias.

Qual é o navio autorizado a viajar até Manaus?

A unidade titular da missão é o BAP Castilla (CF-16), uma canhoneira fluvial construída no Peru pelo estaleiro estatal Servicios Industriales de la Marina, conhecido como SIMA, em Iquitos.

Trata-se de uma embarcação desenvolvida especialmente para operar nos rios da Amazônia. Diferentemente de fragatas e destróieres projetados para o oceano, o Castilla possui dimensões e calado adaptados à navegação em águas interiores.

O navio tem aproximadamente 45,5 metros de comprimento, 10,6 metros de largura e deslocamento próximo de 340 toneladas. Sua velocidade máxima informada é de cerca de 14 nós, equivalente a aproximadamente 26 km/h.

O BAP Castilla pertence à Classe Clavero e é considerado navio-irmão do BAP Clavero (CF-15). Por isso, as duas embarcações apresentam formato, dimensões e capacidades bastante semelhantes.

Embora seja chamado genericamente de “navio de guerra”, o Castilla não possui o tamanho de grandes embarcações oceânicas. Sua principal função é patrulhar rios, transportar militares e apoiar operações de controle, vigilância e segurança na Amazônia peruana.

Quantos militares viajarão no BAP Castilla?

A resolução peruana prevê o envio de 58 militares no BAP Castilla: quatro oficiais superiores, quatro oficiais subalternos, 47 integrantes do pessoal subalterno e três marinheiros.

O navio deveria deixar Iquitos em 20 de agosto. As atividades em Manaus estão programadas para o período de 3 a 8 de setembro, com partida do porto brasileiro no dia 9. A chegada de volta a Iquitos está prevista para 26 de setembro.

As datas e os portos ainda podem ser alterados em caso de condições meteorológicas desfavoráveis, problemas mecânicos, emergências logísticas, questões de segurança ou necessidade de atendimento médico a algum tripulante.

O governo peruano reservou US$ 20.250,55 para as despesas de permanência da tripulação do Castilla no porto de Manaus durante cinco dias. O pagamento será realizado com recursos do orçamento da própria Marinha de Guerra do Peru.

BAP Río Yavarí aparece como embarcação suplente

Além do Castilla, a autorização menciona o BAP Río Yavarí (PIAS-3105). No entanto, o documento deixa claro que essa embarcação foi designada como suplente.

Isso significa que o Río Yavarí somente deverá assumir a missão caso o BAP Castilla fique impossibilitado de participar. Para a unidade suplente, o Peru prevê uma tripulação de 38 militares e despesas de até US$ 13.596,90 durante a permanência em Manaus.

Portanto, salvo mudança operacional, o navio esperado no Brasil é o BAP Castilla. A existência de uma embarcação reserva é uma medida logística para evitar que uma falha técnica ou outro imprevisto impeça a participação peruana na operação.

Como funciona a Operação BRACOLPER?

A BRACOLPER é desenvolvida em diferentes etapas nos territórios dos três países participantes. Em 2026, a primeira fase ocorreu em julho, na cidade colombiana de Letícia. A segunda foi realizada em Iquitos, no Peru, e incluiu um exercício de assalto fluvial.

Durante o deslocamento entre a Colômbia e o Peru, o BAP Castilla e o navio-hospital Río Yavarí navegaram ao lado de embarcações brasileiras e colombianas. Foram realizados treinamentos de comunicação por sinais, inspeção de embarcações e resposta a ameaças assimétricas.

Os militares brasileiros também participaram de um exercício avançado de interdição fluvial. Na atividade, um integrante da Marinha do Brasil desceu por guincho de uma aeronave até uma embarcação peruana, demonstrando a integração entre as forças participantes.

A etapa brasileira encerra o ciclo de atividades da operação em 2026. Além dos exercícios militares, a programação em Manaus inclui compromissos protocolares relacionados à Independência do Brasil.

Entrada autorizada não representa movimentação hostil

A presença de uma embarcação militar estrangeira costuma chamar atenção, mas as informações disponíveis apontam para uma missão oficial, temporária e previamente coordenada entre os países envolvidos.

O documento peruano registra expressamente que a participação pretende ampliar a cooperação entre as Marinhas e compartilhar experiências relacionadas à segurança na Amazônia.

Até o momento, o BAP Castilla permanece como unidade titular da missão. O principal ponto a ser acompanhado é se o itinerário será mantido integralmente ou se alguma condição operacional exigirá a substituição pelo BAP Río Yavarí.

Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.


Fontes consultadas

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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