EUA dizem que Colômbia autorizou operações militares conjuntas
Segundo Pete Hegseth, Washington foi autorizado a atuar ao lado das forças colombianas contra redes ligadas ao narcotráfico; alcance das missões e detalhes jurídicos ainda não foram divulgados.

Os Estados Unidos afirmam ter recebido autorização da Colômbia para realizar operações militares conjuntas em território colombiano como parte do combate ao narcotráfico e a organizações armadas. O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, em 12 de agosto, durante um encontro regional de segurança realizado na Cidade do Panamá.
Em pronunciamento oficial, Hegseth afirmou que o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, pediu a colaboração dos Estados Unidos na luta contra o que Washington e o novo governo colombiano classificam como “narcoterrorismo”. Segundo o secretário americano, a solicitação inclui autorização para operações militares conjuntas contra organizações consideradas terroristas e redes associadas a elas.
A informação também foi reportada pela Reuters e pela Associated Press. No entanto, até o momento, não foram divulgados publicamente todos os detalhes jurídicos e operacionais sobre como essas missões funcionarão.
O que os Estados Unidos dizem que foi autorizado
O anúncio ocorreu durante uma reunião da Americas Counter-Cartel Coalition, iniciativa liderada pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação entre países da região no enfrentamento a cartéis e redes de tráfico de drogas.
O governo americano informou que a Colômbia passará a integrar a coalizão como seu 19º membro. A entrada colombiana foi anunciada pelo próprio Departamento de Defesa dos EUA durante a visita de Hegseth ao Panamá. O comunicado pode ser consultado no site oficial do Departamento de Defesa.
Durante o encontro, a Reuters perguntou a Hegseth se ele havia discutido com autoridades colombianas possíveis operações contra organizações como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e remanescentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Hegseth confirmou que esses grupos fizeram parte das discussões e indicou que organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas podem ser consideradas alvos de ações realizadas em cooperação com governos parceiros.
Isso significa que a nova parceria pode ir além de atividades tradicionais de treinamento, inteligência e interceptação de drogas e incluir operações diretamente relacionadas a organizações armadas.
Apesar disso, não existe informação pública suficiente para afirmar que ataques aéreos, bombardeios ou operações terrestres americanas específicas já estejam programados. As fontes consultadas não apresentam, até agora, locais, datas ou alvos concretos de futuras missões.
[LINK INTERNO SUGERIDO: matéria sobre operações dos Estados Unidos contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico]
Novo governo aproxima novamente Colômbia e Estados Unidos
A decisão ocorre poucos dias após Abelardo de la Espriella assumir a Presidência da Colômbia. De acordo com a Reuters, o novo presidente prometeu intensificar o combate às plantações ilícitas e às organizações armadas que operam no país.
A aproximação representa uma mudança em relação ao período de tensões entre Washington e o governo anterior de Gustavo Petro.
Em novembro de 2025, Petro chegou a determinar a suspensão do compartilhamento de inteligência com os Estados Unidos enquanto Washington mantivesse ataques militares contra embarcações suspeitas de envolvimento no transporte de drogas, conforme registrado pela Associated Press.
Apesar das divergências políticas de diferentes governos, a cooperação de segurança entre Colômbia e Estados Unidos possui décadas de história.
Plano Colômbia criou uma parceria militar de longo prazo
Desde o início dos anos 2000, o chamado Plano Colômbia transformou Bogotá em um dos principais parceiros de segurança dos Estados Unidos na América Latina.
O programa envolveu financiamento, fornecimento de equipamentos, treinamento militar, inteligência e operações voltadas ao combate ao tráfico de drogas e a organizações armadas.
Dados históricos divulgados pelo Departamento de Estado indicam que os Estados Unidos investiram mais de US$ 10 bilhões desde 2000 em iniciativas relacionadas à segurança, combate ao narcotráfico e fortalecimento institucional colombiano. As informações constam em um documento oficial do Departamento de Estado.
A atual administração americana também anunciou uma nova etapa dessa parceria. Em 7 de agosto, o Departamento de Estado informou que pretende disponibilizar US$ 1 bilhão em assistência dentro de um pacote de segurança para apoiar o novo governo colombiano.
O anúncio está disponível no comunicado oficial “A New Era in U.S.-Colombia Relations”.
[LINK INTERNO SUGERIDO: matéria sobre a relação militar entre Colômbia e Estados Unidos]
Operações militares antidrogas dos EUA cresceram na região
A decisão colombiana ocorre em meio a uma ampliação da participação militar americana em operações contra o narcotráfico na América Latina.
Um relatório oficial do governo dos Estados Unidos sobre a Operation Southern Spear mostra que forças americanas já vinham realizando ações contra embarcações classificadas por Washington como ligadas a organizações de tráfico no Caribe e no Pacífico.
Segundo o relatório oficial referente ao período até junho de 2026, pelo menos 19 embarcações foram atingidas e 56 pessoas foram mortas ou consideradas mortas, com base em declarações públicas compiladas pelo próprio governo americano.
O documento também descreve diferentes modalidades de cooperação militar com países da região. Dependendo do parceiro, elas incluem treinamento, compartilhamento de informações e operações conjuntas contra organizações envolvidas no tráfico.
A Colômbia possui importância especial nesse cenário por combinar uma longa relação de segurança com Washington com a presença de cartéis, guerrilhas, dissidências das Farc e outras organizações armadas em seu território.
[LINK INTERNO SUGERIDO: matéria sobre a expansão das operações antidrogas dos Estados Unidos na América Latina]
Questão constitucional pode gerar debate na Colômbia
A eventual entrada e atuação de militares americanos dentro do território colombiano também pode levantar uma questão jurídica e política.
O artigo 173 da Constituição da Colômbia estabelece, entre as atribuições do Senado, a autorização para o trânsito de tropas estrangeiras pelo território nacional.
O dispositivo pode ser consultado diretamente no texto da Constituição disponibilizado pelo Senado colombiano.
Isso, porém, não significa automaticamente que qualquer cooperação militar anunciada entre Estados Unidos e Colômbia dependa da mesma autorização legislativa. A questão deverá ser analisada de acordo com o formato adotado, incluindo eventual presença, trânsito ou permanência de forças estrangeiras no país.
Até o momento, as fontes consultadas não apresentam publicamente um acordo operacional completo que permita determinar exatamente como essa exigência constitucional será aplicada.
O que ainda não se sabe
O ponto mais importante ainda em aberto é a dimensão real da autorização anunciada pelos Estados Unidos.
Não foram divulgados publicamente quantos militares americanos poderiam participar, quais unidades seriam mobilizadas, onde as operações aconteceriam, quais equipamentos poderiam ser empregados ou quando uma primeira missão conjunta poderia ocorrer.
Também não há, nas fontes consultadas, uma relação oficial de alvos específicos aprovada conjuntamente pelos dois governos.
A Associated Press observou que o governo colombiano ainda não havia divulgado uma explicação pública detalhada dos termos anunciados por Hegseth no momento de sua reportagem.
Por isso, a formulação mais cautelosa neste momento é que os Estados Unidos afirmam ter recebido autorização política para ampliar as operações militares conjuntas com a Colômbia, enquanto os termos jurídicos e operacionais ainda precisam ser detalhados publicamente.
As próximas atualizações devem mostrar se a cooperação ficará concentrada em inteligência, treinamento e apoio logístico ou se envolverá a participação direta de forças americanas em missões contra grupos armados dentro do território colombiano.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.
Fontes consultadas
- Departamento de Defesa dos Estados Unidos — pronunciamento de Pete Hegseth
- Reuters — cooperação entre Estados Unidos e Colômbia
- Associated Press — anúncio das operações conjuntas
- Departamento de Estado dos EUA — nova fase das relações com a Colômbia
- Senado da Colômbia — Constituição Política da Colômbia
- Departamento de Defesa dos EUA — relatório sobre a Operation Southern Spear
- Jovem Pan/AFP — Colômbia e operações militares conjuntas com os EUA




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