Pular para o conteúdo
domingo, 6 de setembro de 2026
XPLORANEWS
Início / Clima
Clima

Nevasca deixa mais de 1.500 caminhões retidos entre Argentina e Chile

Paso Cristo Redentor completou 24 dias fechado na sexta-feira (7), enquanto equipes retiram grandes volumes de neve e transportadores aguardam uma data segura para a reabertura.

Por Matias Gomesagosto 8, 20267 min de leitura
Comentar

O Paso Cristo Redentor, principal ligação rodoviária entre Mendoza, na Argentina, e a região central do Chile, completou 24 dias consecutivos fechado na sexta-feira (7). Mais de 1.500 caminhões aguardavam em território argentino, enquanto equipes trabalhavam para retirar grandes volumes de neve acumulados na Cordilheira dos Andes.

  • O que aconteceu: sucessivas nevascas bloquearam o Sistema Internacional Cristo Redentor, uma das principais ligações terrestres entre Argentina e Chile.
  • Quem foi afetado: milhares de transportadores tiveram viagens interrompidas, incluindo caminhoneiros brasileiros.
  • Por que importa: além das semanas de espera, o fechamento afeta uma importante rota internacional utilizada no transporte de mercadorias pelo Cone Sul.

Uma sequência de fortes nevascas na Cordilheira dos Andes mantém interrompida uma das principais rotas comerciais entre Argentina e Chile. O Sistema Internacional Cristo Redentor, que conecta a província argentina de Mendoza ao Chile, completou 24 dias consecutivos fechado em 7 de agosto, sem uma data definitiva de reabertura anunciada até a última atualização consultada.

De acordo com o Chicureo Hoy, autoridades chilenas afirmaram que os trabalhos de limpeza avançaram até a entrada do túnel Cristo Redentor, mas as condições de segurança ainda impediam a retomada do tráfego internacional.

O problema atinge principalmente o transporte de cargas. Uma atualização publicada pelo NoticiasNQN em 7 de agosto apontava que mais de 1.500 caminhões permaneciam esperando em Mendoza.

Em 30 de julho, uma estimativa da Associação de Proprietários de Caminhões de Mendoza (Aprocam), publicada pelo Diario UNO, indicava que o número havia ultrapassado 1.800 veículos distribuídos por diferentes pontos da província.

Brasileiros estão entre os caminhoneiros afetados

Entre os transportadores atingidos pelo fechamento estão caminhoneiros brasileiros que utilizam a Argentina como rota terrestre para chegar ao Chile.

Em reportagem publicada em 8 de agosto, a Banda B relata que mais de 500 caminhoneiros e motoristas paranaenses estariam entre os afetados pela paralisação.

Segundo o veículo, alguns motoristas relatam estar longe de casa há até 27 dias e enfrentam dificuldades para manter estoques de alimentos e outros mantimentos durante a espera.

Esses números específicos sobre os paranaenses são atribuídos à reportagem e aos relatos dos próprios transportadores. Até o momento desta apuração, a Xplora News não encontrou um balanço oficial independente detalhando quantos caminhoneiros do Paraná permanecem retidos.

Por que demora tanto para retirar a neve?

A dimensão do acúmulo ajuda a explicar por que a passagem não pode simplesmente ser liberada assim que a nevasca termina.

Segundo o Chicureo Hoy, o delegado presidencial provincial de Los Andes, Ricardo Figueroa Ayala, informou que equipes conseguiram chegar até a entrada do túnel depois de remover uma grande quantidade de neve, com acúmulos próximos de sete metros em determinados pontos.

As temperaturas muito baixas também endurecem a camada de neve, formando blocos de gelo e tornando mais lento o trabalho de máquinas pesadas.

Em alguns setores, a publicação chilena relata concentrações ainda maiores devido às características do terreno e ao deslocamento da neve. Esses registros localizados não significam, porém, que toda a estrada esteja coberta por uma camada dessa altura.

Além da retirada física da neve, as autoridades precisam avaliar outros riscos antes de autorizar a circulação de centenas ou milhares de veículos, incluindo gelo sobre a pista, possibilidade de avalanches, visibilidade e estabilidade das encostas.

Mais de 1.500 ou quase 5 mil caminhões?

Os diferentes números divulgados nos últimos dias podem causar confusão, mas eles não representam necessariamente a mesma contagem.

O NoticiasNQN informou que mais de 1.500 caminhões estavam aguardando em Mendoza em 7 de agosto.

Já o Diario UNO havia citado uma estimativa superior a 1.800 veículos alguns dias antes.

No Chile, uma estimativa mencionada pelo Chicureo Hoy indicava que aproximadamente 5 mil caminhões poderiam estar aguardando para realizar a travessia.

Esse último número tem alcance mais amplo e não significa que cinco mil veículos estejam estacionados juntos na fronteira. Parte dos caminhões permanece em diferentes áreas de espera, cidades e corredores logísticos, justamente para evitar o colapso da região de alta montanha.

Fechamento afeta uma importante rota comercial

O Sistema Cristo Redentor liga a Ruta Nacional 7, na Argentina, à estrada 60-CH, no Chile. O corredor é estratégico para o transporte terrestre entre os dois países e também é utilizado por empresas brasileiras que enviam mercadorias ao mercado chileno.

Com a passagem fechada, alguns transportadores optaram por deslocar seus veículos para travessias localizadas mais ao sul, como Pino Hachado e Cardenal Samoré, na região de Neuquén.

O problema é a distância. Segundo o Diario UNO, utilizar Pino Hachado a partir de Mendoza pode acrescentar aproximadamente 778 quilômetros ao deslocamento, além de aumentar custos e o tempo necessário para chegar ao destino.

O impacto financeiro cresce a cada dia de paralisação. A Aprocam estima que um caminhão parado representa cerca de US$ 450 por dia em perdas ou custos para a operação. Para veículos que transportam cargas refrigeradas, a entidade calcula aproximadamente US$ 600 por dia.

Os valores são estimativas da associação de transportadores e não representam um balanço oficial do prejuízo econômico total causado pela nevasca.

Existe um protocolo para impedir que a Ruta 7 fique tomada por caminhões

A concentração dos veículos em diferentes regiões não ocorre por acaso. Depois de fechamentos anteriores do Cristo Redentor, autoridades argentinas e representantes do setor de transportes desenvolveram um sistema específico para situações prolongadas.

Um relatório do Conselho Federal de Investimentos da Argentina (CFI) descreve um protocolo que prevê dez pontos de contenção ao longo da Ruta Nacional 7, com capacidade para até 2.240 caminhões.

O objetivo é evitar que milhares de veículos avancem ao mesmo tempo para Uspallata e para a região da fronteira, onde o espaço e a infraestrutura são mais limitados.

O sistema também será importante quando o corredor finalmente for reaberto. A liberação da estrada não significa que todos os caminhões conseguirão cruzar imediatamente.

O que acontece quando o Cristo Redentor reabrir?

A Aprocam calcula que aproximadamente 4 mil caminhões podem buscar o corredor rapidamente quando uma reabertura for anunciada, considerando veículos que permanecem em diferentes áreas e transportes que retomariam o trajeto.

Por isso, mesmo após a melhora do tempo e a autorização para circulação, a normalização deve exigir organização e liberação gradual dos veículos.

Além das condições da rodovia, os caminhões precisam passar pelos procedimentos de imigração, alfândega e controle de cargas dos dois países.

Autoridades chilenas também destacaram que a reabertura depende das avaliações técnicas realizadas na estrada. Não basta abrir uma faixa entre a neve: o corredor precisa apresentar condições consideradas seguras para o tráfego internacional.

Quando a fronteira será reaberta?

Até a última atualização consultada para esta matéria, não havia uma data oficialmente confirmada para a reabertura completa do Sistema Cristo Redentor.

Na sexta-feira (7), autoridades chilenas afirmavam que os trabalhos de limpeza continuavam e que a situação permanecia sob monitoramento. A decisão depende da evolução das condições meteorológicas e das avaliações de segurança realizadas pelos órgãos responsáveis.

Por isso, previsões mencionando dias específicos para a reabertura devem ser tratadas como expectativa enquanto não houver uma confirmação oficial das autoridades argentinas e chilenas.

Para os caminhoneiros brasileiros que estão na região, a liberação da passagem será apenas o primeiro passo. O grande número de veículos acumulados ao longo das últimas semanas significa que ainda poderá haver filas e demora até que o fluxo internacional volte ao normal.

O principal ponto a acompanhar agora é a evolução dos trabalhos de retirada da neve e a decisão conjunta sobre as condições de segurança da estrada. Enquanto a autorização não ocorrer, milhares de transportadores continuarão dependendo das áreas de espera ou de rotas alternativas para chegar ao Chile.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

Fontes consultadas

Compartilhe:WhatsAppFacebookX
Avatar de Matias Gomes

Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

0 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *