Novo jogo de futebol da Electronic Arts mantém a versão básica em R$ 349, mas aposta em pacotes de até R$ 749,50. Benefícios podem compensar para quem já compra FC Points, embora o valor continue distante da realidade da maioria dos brasileiros.
A Electronic Arts abriu a pré-venda do EA Sports FC 27 no Brasil com três versões diferentes. A edição Standard custa R$ 349, a Ultimate sai por R$ 499 e a nova Ultimate Plus chega a R$ 749,50 no PlayStation. No Xbox, os valores divulgados são praticamente os mesmos: R$ 349, R$ 499 e R$ 749.
O número mais chamativo, naturalmente, é o da Ultimate Plus. Ela custa R$ 299,60 a mais que a edição básica de GTA VI, oferecida por R$ 449,90, e R$ 199,60 acima até mesmo da Ultimate Edition do novo jogo da Rockstar, vendida por R$ 549,90 no Xbox.
Isso não significa que o EA Sports FC 27 inteiro seja mais caro que GTA VI. A versão Standard do jogo de futebol continua R$ 100,90 mais barata que a edição básica de GTA VI. Já a Ultimate de R$ 499 ultrapassa o GTA VI Standard em R$ 49,10, mas permanece abaixo da versão Ultimate da Rockstar.
Ainda assim, o fato de uma edição do EA Sports FC atingir R$ 749,50 inevitavelmente provoca uma discussão sobre até onde pode chegar o preço de um jogo anual.
Um preço difícil de encaixar na realidade brasileira
O salário mínimo nacional em 2026 é de R$ 1.621. Isso significa que a Ultimate Plus representa aproximadamente 46% de um salário mínimo bruto. Mesmo a versão básica de R$ 349 equivale a cerca de 21,5% desse valor.
É claro que videogames são produtos de entretenimento, não itens essenciais, e nenhuma empresa é obrigada a tornar sua edição mais completa acessível a todos. Entretanto, também não é possível analisar esses valores ignorando o poder de compra do consumidor brasileiro.
Para muitas famílias, R$ 749,50 não é apenas “um jogo caro”. É uma quantia que disputa espaço com contas domésticas, alimentação, transporte e outras despesas do mês. O impacto psicológico fica ainda maior quando o consumidor sabe que uma nova edição da franquia provavelmente chegará no ano seguinte.
Esse é o ponto em que a comparação com GTA VI ganha força. Não se trata apenas de dizer que um jogo é melhor que o outro, porque são propostas completamente diferentes. A questão é a percepção de valor.
GTA VI é apresentado como uma grande produção de mundo aberto, enquanto o EA Sports FC pertence a uma franquia atualizada anualmente. O FC 26 foi lançado em setembro de 2025, e o FC 27 chega em setembro de 2026.
Por isso, ver a edição mais cara de um jogo anual superar até a versão premium de um dos lançamentos mais aguardados da indústria produz uma comparação desconfortável para a Electronic Arts.
A Ultimate Plus não oferece apenas o jogo
Apesar da crítica ao preço, seria injusto tratar a Ultimate Plus como se fosse apenas a edição Standard colocada em uma embalagem mais cara.
O pacote inclui até sete dias de acesso antecipado, 10.000 FC Points distribuídos ao longo de cinco meses, os Passes Premium das temporadas 1 a 5, um ÍDOLO com classificação geral 85 ou superior, uma escolha de atleta do Hall do FUT, espaço adicional de evolução e outros conteúdos para o Football Ultimate Team.
A edição Ultimate de R$ 499 oferece 6.000 FC Points durante três meses, o Passe Premium da primeira temporada, acesso antecipado, um ÍDOLO e outros bônus.
Para quem já compra FC Points e passes durante o ano, os pacotes podem ter uma lógica financeira. Na tabela atual do FC 26, por exemplo, 5.900 FC Points custam R$ 269,90, enquanto 12.000 pontos chegam a R$ 534,90 no Xbox.
Nesse contexto, pagar R$ 150 a mais para sair da edição Standard de R$ 349 e chegar à Ultimate de R$ 499 pode ser vantajoso para o jogador que já pretendia comprar 6.000 pontos, além do acesso antecipado e do Passe Premium.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado parcialmente à Ultimate Plus. A diferença de R$ 250,50 em relação à Ultimate acrescenta 4.000 FC Points, quatro Passes Premium adicionais e outros itens do Ultimate Team.
Portanto, para uma parcela pequena e altamente envolvida com o FUT, que já gasta dinheiro durante praticamente toda a temporada, a edição mais cara não é necessariamente uma compra irracional. Ela funciona como um pacote antecipado de gastos que esse público provavelmente faria de qualquer maneira.
O problema é para quem esse valor está sendo comunicado
A existência de uma edição premium não é, por si só, um absurdo. Jogos de diferentes empresas oferecem versões especiais, itens digitais, moedas virtuais e acesso antecipado.
A crítica válida está na distância entre o preço e o valor percebido pelo jogador comum.
Quem joga principalmente o modo Carreira, partidas locais ou apenas algumas partidas online provavelmente não encontrará motivos suficientes para pagar R$ 499 ou R$ 749,50. Boa parte dos benefícios mais valiosos está concentrada no Ultimate Team e depende de um envolvimento constante com o sistema de temporadas, cartas e moedas virtuais.
Além disso, os 10.000 FC Points não são dinheiro que pode ser recuperado pelo consumidor. Eles estão presos ao ecossistema do jogo, são entregues gradualmente durante cinco meses e têm utilidade principalmente para quem permanece ativo no FUT.
Isso não elimina o valor do pacote, mas muda a interpretação. A Ultimate Plus não é simplesmente uma edição com “R$ 749,50 em conteúdo”. Ela é um compromisso antecipado com o ciclo de monetização do EA Sports FC 27.
A Electronic Arts acerta ao oferecer opções, mas poderia ir além
A Electronic Arts merece crédito por não elevar a versão Standard ao mesmo patamar da Ultimate Plus. O consumidor que deseja apenas o jogo completo continua encontrando a edição de R$ 349, além do desconto de 10% oferecido por meio do EA Play em determinadas plataformas.
Também existe uma lógica clara na criação de três faixas: uma versão para o público geral, outra para jogadores frequentes do FUT e uma terceira voltada aos consumidores que já gastam mais dentro do jogo.
O problema é que a Ultimate Plus torna explícita uma divisão cada vez maior entre quem compra o jogo e quem compra uma temporada completa de vantagens.
Uma abordagem mais amigável poderia incluir preços regionais mais agressivos, upgrades separados para quem decidisse investir posteriormente e mais benefícios relevantes para os modos Carreira, Clubs e The Grounds. Isso reduziria a sensação de que as melhores vantagens existem principalmente para conduzir o público ao Ultimate Team.
Análise: o pacote pode valer, mas o preço continua excessivo
Minha avaliação é que a edição Standard permanece dentro do padrão atual dos grandes lançamentos, embora R$ 349 continue sendo um valor elevado para a realidade brasileira.
A Ultimate de R$ 499 pode ser defendida para jogadores que já compram FC Points, porque o custo adicional de R$ 150 entrega uma quantidade relevante de moeda virtual, acesso antecipado e outros benefícios.
A Ultimate Plus, entretanto, cruza uma linha mais difícil de justificar. Mesmo oferecendo 10.000 pontos e cinco passes, cobrar quase R$ 750 por uma edição digital de um jogo anual cria uma barreira de entrada enorme e uma comparação inevitável com produções vendidas por valores menores.
Não é uma questão de atacar a Electronic Arts ou negar que o pacote tenha conteúdo. Ele possui valor para um perfil específico de consumidor. A questão é reconhecer que esse perfil representa apenas uma parte mais dedicada e disposta a gastar dentro do jogo.
Para a maioria dos brasileiros, a Ultimate Plus parece menos uma edição especial e mais um produto de luxo dentro de uma franquia popular.
A Electronic Arts tem o direito de oferecer esse pacote, e jogadores que já gastariam o mesmo valor ao longo do ano podem até economizar ao comprá-lo. Mas, quando uma edição do EA Sports FC custa R$ 199,60 a mais que a Ultimate Edition de GTA VI, a empresa também precisa aceitar que o público questione se a escala de preço continua proporcional ao produto entregue.
A crítica mais equilibrada não é dizer que a edição “não vale nada”. É reconhecer que ela pode fazer sentido para poucos, enquanto permanece cara demais para quase todos os demais.

