O Google está em negociações com a Marvell Technology para desenvolver dois novos chips voltados à inteligência artificial, em mais um sinal de que as gigantes de tecnologia querem reduzir a dependência de fornecedores externos e ganhar mais controle sobre sua própria infraestrutura de IA. A informação foi divulgada pela Reuters com base em reportagem do The Information.
Segundo a Reuters, a possível parceria inclui dois componentes diferentes: uma unidade de processamento de memória para complementar a linha atual de TPUs do Google e um novo chip voltado à execução de modelos de IA, etapa conhecida no setor como inferência. Esse ponto é estratégico porque a inferência é justamente a fase em que os sistemas respondem a comandos dos usuários em escala, exigindo desempenho alto e custo controlado.
Hoje, o Google já usa TPUs para treinar modelos e também para responder consultas feitas por usuários. A empresa trabalha com a Broadcom no desenho desses chips, mas a nova negociação indica que o grupo pode estar buscando diversificar seus parceiros em um momento em que a demanda por capacidade computacional segue crescendo rapidamente.
Esse movimento não acontece isoladamente. A Reuters destaca que empresas como Google e Meta vêm investindo pesado em chips próprios para diminuir a dependência de fabricantes externos, enquanto a disputa por liderança em IA se intensifica no Vale do Silício. A lógica é simples: quem controla mais da própria pilha de hardware ganha margem para reduzir custos, ajustar desempenho e acelerar lançamentos em um mercado cada vez mais competitivo.
A possível aproximação entre Google e Marvell também chama atenção porque pode representar um esforço do Google para não concentrar sua estratégia em um único parceiro de design de chips. A Reuters observa que a empresa já trabalha com a Broadcom, e que a nova negociação sugere uma tentativa de ampliar opções num momento em que clientes corporativos buscam alternativas aos chips caros da Nvidia.
Para a Marvell, o impacto no mercado foi imediato. As ações da companhia subiram quase 5% após a publicação da notícia, e a Reuters informou que os papéis acumulavam alta de cerca de 64% no ano, depois de terem recuado aproximadamente 23% em 2025. A empresa também vinha ganhando força no ecossistema de IA: no mês anterior, a Nvidia anunciou um investimento de US$ 2 bilhões na Marvell para facilitar a integração entre chips personalizados e a infraestrutura de rede da fabricante.
A disputa por chips próprios virou uma das frentes mais decisivas da corrida global da inteligência artificial. Não se trata apenas de criar modelos melhores, mas de garantir que eles rodem com eficiência, em larga escala e com menor custo energético e financeiro. Nesse cenário, qualquer avanço do Google nessa direção pode pressionar ainda mais rivais e parceiros do setor.
Ainda não há confirmação oficial do acordo. Reuters informou que Google e Marvell não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Mesmo assim, a negociação já reforça uma tendência clara de 2026: as maiores empresas de tecnologia estão correndo para desenhar cada vez mais o próprio hardware, transformando os chips em uma das peças centrais da guerra da IA.
Curadoria Xplora com base em informações da Reuters.

