Operações militares nas águas do Caribe e da América Latina levantam questionamentos legais e aceleram saída de comandante
O almirante Alvin Holsey, chefe do U.S. Southern Command — comando militar responsável pelas operações dos Estados Unidos na América Latina — anunciou sua aposentadoria antecipada após intensas críticas sobre ataques navais contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas. A saída ocorre menos de um ano após assumir o posto, um período considerado incomum para uma função de alto comando.
Imagem: IA/Reprodução
A decisão foi formalizada em uma cerimônia discreta em Doral, na Flórida, onde Holsey transferiu a liderança para o tenente-general da Força Aérea Evan Pettus. Embora autoridades do Departamento de Defesa tenham elogiado sua carreira, a aposentadoria ocorre no momento em que parlamentares americanos pressionam por explicações sobre a legalidade das operações conduzidas contra embarcações no Caribe.
Desde setembro de 2025, dezenas de barcos considerados suspeitos de envolvimento com cartéis foram interceptados ou atacados por forças navais americanas. Em um dos episódios mais polêmicos, um barco foi atingido duas vezes — o segundo ataque teria ocorrido quando sobreviventes já não ofereciam risco, levantando preocupações sobre possível violação das leis de guerra.
Pressão política e questionamentos legais
A repercussão das operações levou membros do Congresso dos Estados Unidos a exigir acesso integral às gravações militares e aos relatórios de inteligência que fundamentaram os ataques. Deputados e senadores afirmam que é necessário esclarecer se houve uso excessivo de força e se as regras de engajamento foram seguidas corretamente.
Apesar da controvérsia, o secretário de Defesa Pete Hegseth declarou que as ações foram necessárias para conter o tráfico de drogas e classificou os alvos como “narcoterroristas”. Porém, especialistas em direito internacional alertam que ataques repetidos contra embarcações civis podem criar precedentes perigosos e comprometer a imagem dos EUA perante aliados.
Desdobramentos
Com a mudança de comando, o futuro das operações navais na região permanece incerto. Analistas acreditam que o Congresso intensificará as investigações e que novas diretrizes deverão ser implementadas para evitar excessos. Enquanto isso, o debate sobre os limites do uso da força no combate ao crime transnacional continua ganhando força dentro e fora das Forças Armadas.
Via: Associated Press

