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terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Irã lança mísseis contra bases usadas pelos EUA na Jordânia

Relatos iranianos apontam pelo menos 20 mísseis contra duas instalações militares; vídeos levantam suspeita de munições cluster, mas essa informação ainda não foi confirmada oficialmente.

Por Matias Gomessetembro 8, 20266 min de leitura
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O Irã lançou uma nova ofensiva com mísseis contra alvos militares na Jordânia utilizados por forças dos Estados Unidos durante a madrugada desta quarta-feira (9), no horário local. O ataque iraniano na Jordânia ocorreu poucas horas depois de uma nova escalada entre Washington e Teerã envolvendo ataques americanos contra petroleiros iranianos.

A imprensa estatal iraniana informou que mísseis foram disparados contra instalações ligadas às forças americanas no território jordaniano. A Associated Press também registrou o episódio e informou que o Comando Central dos Estados Unidos, o CENTCOM, ainda não havia divulgado detalhes sobre possíveis danos provocados pelos ataques no momento da apuração.

Uma das informações mais relevantes veio da agência iraniana SNN, repercutida por serviços internacionais de notícias em tempo real. Segundo a publicação, pelo menos 20 mísseis teriam sido disparados e duas instalações estariam entre os principais alvos: a Base Aérea Muwaffaq Salti e a Base Aérea Prince Hassan.

O que sabemos sobre o ataque iraniano na Jordânia

A Base Aérea Muwaffaq Salti está localizada na região de Al-Azraq e pertence às forças jordanianas, mas tem grande importância para as operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.

A cooperação entre Washington e Amã é ampla. Um acordo de defesa firmado em 2021 concedeu às forças e aos contratados americanos acesso a 12 instalações militares no território jordaniano. Durante a atual guerra contra o Irã, Muwaffaq Salti ganhou ainda mais relevância como centro logístico e operacional.

A Associated Press informou recentemente que a instalação tornou-se um importante ponto de apoio para aeronaves de transporte C-17 e dezenas de aviões de combate americanos. Essa presença também transformou a Jordânia em alvo recorrente de ataques iranianos durante a escalada regional.

A segunda instalação mencionada pelos relatos iranianos é a Base Aérea Prince Hassan, que também já apareceu em reivindicações anteriores de ataques do Irã contra estruturas utilizadas por forças americanas.

Até o momento desta publicação, porém, não havia um balanço independente definitivo sobre quantos mísseis efetivamente chegaram à Jordânia, quantos foram interceptados e se ocorreram impactos diretos nas duas bases.

Vídeos levantam suspeita de uso de munições cluster

Outro elemento chamou atenção nas imagens divulgadas durante a ofensiva. Vídeos gravados no céu da Jordânia mostram diversos pontos luminosos se separando após a trajetória de projéteis, enquanto sistemas de defesa aérea aparentemente realizavam múltiplas interceptações.

O perfil especializado OSINTtechnical afirmou que forças iranianas teriam utilizado mísseis balísticos de médio alcance equipados com munições cluster contra forças americanas na Jordânia. Segundo a publicação, seria a primeira utilização desse tipo de armamento contra esses alvos em meses.

Essa afirmação, entretanto, deve ser tratada separadamente do ataque em si. Até esta apuração, não havia confirmação pública do governo jordaniano, do CENTCOM ou de outra autoridade militar independente demonstrando que as ogivas utilizadas nesta ofensiva eram efetivamente do tipo cluster.

As imagens são compatíveis com diferentes fenômenos associados a ataques e interceptações, e uma gravação isolada não permite determinar com segurança o modelo do míssil ou a carga transportada.

O que são as munições cluster?

As chamadas munições cluster, ou munições de fragmentação, funcionam de maneira diferente de uma ogiva explosiva convencional. Em vez de produzir uma única explosão concentrada, o armamento libera diversas submunições menores sobre uma área mais ampla.

Parte dessas pequenas cargas pode não explodir imediatamente e permanecer no terreno, criando riscos mesmo depois do ataque. Um relatório da Cluster Munition Coalition divulgado em setembro de 2026 apontou que pelo menos 1.063 pessoas foram mortas ou feridas por esse tipo de armamento durante 2025, sendo 87% das vítimas civis.

O mesmo relatório apontou o Irã entre os países que utilizaram munições cluster durante o período analisado. Isso demonstra que Teerã possui histórico recente de utilização desse armamento, mas não serve como confirmação de que ele tenha sido empregado no ataque desta madrugada contra a Jordânia.

Jordânia já enfrentou outras ondas de mísseis iranianos

A ofensiva não representa o primeiro ataque iraniano contra território jordaniano nos últimos meses.

Em 2 de setembro, as Forças Armadas da Jordânia informaram oficialmente que 13 mísseis balísticos vindos do Irã entraram no espaço aéreo do país. Dez foram interceptados e destruídos, enquanto três caíram em áreas remotas. Na ocasião, não foram registradas mortes ou feridos.

Em junho, os militares jordanianos também disseram ter interceptado 20 mísseis disparados do Irã em direção à região de Azraq. Outros episódios foram registrados em julho, demonstrando que a localização estratégica da Jordânia e a presença militar americana colocaram o país diretamente no caminho da confrontação entre Washington e Teerã.

Ataque ocorre após EUA destruírem cinco petroleiros iranianos

A nova ofensiva aconteceu após os militares americanos anunciarem a destruição de cinco petroleiros iranianos. Segundo o CENTCOM, a operação americana foi realizada depois de ataques iranianos contra embarcações militares dos Estados Unidos.

Os navios Kivik, Charminar, Horizon 1 e Riesco foram atingidos no Golfo de Omã, enquanto o Derya foi atacado perto da ilha de Kharg. Segundo os Estados Unidos, as tripulações foram avisadas para abandonar os navios antes das ações.

A Guarda Revolucionária do Irã prometeu novas represálias, ampliando o ciclo de ataques e contra-ataques entre as duas potências.

A escalada também possui consequências econômicas. O Estreito de Ormuz permanece no centro da disputa, e os preços internacionais do petróleo voltaram a reagir às tensões, com o Brent chegando momentaneamente perto da marca de US$ 100 por barril durante esta terça-feira.

O que ainda precisa ser confirmado

Três pontos permanecem essenciais para determinar a dimensão real desta nova ofensiva.

O primeiro é o número definitivo de mísseis disparados e interceptados. O segundo é se Muwaffaq Salti e Prince Hassan sofreram impactos diretos ou danos significativos. O terceiro é a identificação das ogivas vistas nas imagens divulgadas durante a madrugada.

Por enquanto, a informação mais segura é que o Irã anunciou uma nova ofensiva contra alvos ligados aos Estados Unidos na Jordânia e que relatos iranianos apontam pelo menos 20 mísseis. A utilização de munições cluster permanece como uma alegação baseada principalmente em análises de imagens e fontes abertas.

Novos comunicados das Forças Armadas da Jordânia e do CENTCOM deverão esclarecer o número de interceptações, eventuais danos, possíveis vítimas e os tipos de armamento envolvidos.


Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.

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Matias Gomes

Matias Gomes é criador, autor e editor responsável pelo Xplora News. Atua com produção de conteúdo digital desde 2014 e é responsável pela seleção das pautas, consulta e verificação das fontes, contextualização, revisão e aprovação final das publicações sobre Brasil, mundo, geopolítica, tecnologia, clima e atualidades.

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