Manifestações de 7 de Setembro têm atos em várias cidades do Brasil
Principal ato da direita reuniu 28,5 mil pessoas na Avenida Paulista, segundo monitor da USP; movimentos sociais também realizaram mobilizações em mais de 50 cidades, segundo organizadores.

As manifestações de 7 de Setembro voltaram a ocupar ruas e avenidas de diferentes cidades brasileiras nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, em paralelo aos tradicionais desfiles cívico-militares do Dia da Independência.
O principal movimento político do dia partiu de grupos de direita e de oposição ao governo federal. Atos foram realizados em diferentes regiões do país, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de cobranças por seu impeachment e manifestações de apoio ao ministro André Mendonça.
O maior destaque ficou para a Avenida Paulista, em São Paulo, onde o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores durante a tarde. Segundo o Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com a More in Common, o ato atingiu um pico estimado de 28,5 mil participantes.
Manifestações de 7 de Setembro têm foco em Lula, Moraes e STF
Levantamentos publicados antes e durante o feriado apontaram manifestações de grupos de direita em pelo menos 15 cidades brasileiras. São Paulo concentrou a principal mobilização, enquanto atos também foram registrados em locais como Brasília, Belo Horizonte, Goiânia e outras capitais.
Na Paulista, palavras de ordem contra Lula e Moraes dominaram a manifestação. Flávio Bolsonaro dividiu o palanque com aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de outras lideranças políticas e conservadoras.
O protesto ocorreu em meio ao aumento da tensão política envolvendo o STF. Nas últimas semanas, uma disputa institucional relacionada aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ganhou espaço no debate político e passou a ser utilizada pelos grupos de oposição como uma das principais bandeiras das manifestações.
As alegações relacionadas à atuação dos ministros ainda estão inseridas em processos de apuração e disputas institucionais. Por isso, questionamentos e acusações apresentados por políticos e manifestantes não devem ser tratados como comprovação definitiva de irregularidades.
Em Brasília, centenas de manifestantes participaram de um ato com palavras de ordem contra Lula e Moraes e manifestações de apoio a André Mendonça. A mobilização ocorreu separadamente do desfile oficial realizado na Esplanada dos Ministérios, que contou com a presença do presidente Lula.
No desfile oficial, equipamentos militares e novas tecnologias também chamaram atenção. O Xplora News mostrou a exibição do MANSUP e do sistema ASTROS no 7 de Setembro e os robôs apresentados pelo Exército durante a cerimônia em Brasília.
Paulista reúne 28,5 mil pessoas, segundo monitor da USP
O número mais detalhado divulgado até o momento sobre o público das manifestações veio da Avenida Paulista. O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap estimou 28,5 mil pessoas no horário de maior concentração.
A metodologia utiliza fotografias aéreas e ferramentas computacionais para realizar a contagem da multidão. O levantamento informou margem de erro de 12%, o que coloca a estimativa aproximadamente entre 25 mil e 32 mil participantes.
O resultado também permite comparar a mobilização com outros atos realizados no Dia da Independência. Em 7 de setembro de 2025, o mesmo monitor havia calculado 42,2 mil pessoas na Paulista. Em 2024, foram estimadas 45,4 mil.
Considerando a mesma série de levantamento, o público de 2026 ficou cerca de 32% abaixo do registrado em 2025 e aproximadamente 37% abaixo de 2024. Em 2022, o monitor havia calculado 32,7 mil participantes, enquanto em 2023 não ocorreu uma manifestação equivalente na Paulista.
A comparação deve ser feita com cautela. Estimativas de multidões podem variar bastante dependendo da metodologia, do horário da medição e da área considerada. Por isso, números produzidos por organizadores, autoridades ou sistemas de contagem diferentes não devem ser comparados diretamente como se utilizassem o mesmo critério.
Grito dos Excluídos ocorre em mais de 50 cidades
Outra mobilização realizada neste 7 de Setembro foi a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas. Trata-se de um movimento distinto dos atos organizados pela direita e com uma pauta diferente.
Segundo os organizadores, ocorreram marchas e manifestações em mais de 50 cidades de todas as regiões do país. Entre as reivindicações estavam moradia digna, reforma agrária, educação pública, defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), combate à violência contra as mulheres, enfrentamento ao racismo e à LGBTfobia e o fim da escala de trabalho 6×1.
Em São Paulo, participantes percorreram ruas do centro da capital e encerraram a mobilização com uma missa na Catedral da Sé dedicada à população em situação de rua. No Rio de Janeiro, o movimento passou pela Avenida Presidente Vargas depois do desfile de Independência.
O número de mais de 50 cidades é atribuído aos próprios organizadores do Grito dos Excluídos e não representa uma contagem independente do público total presente nesses atos.
7 de Setembro ocorre a menos de um mês das eleições
As manifestações deste ano também ganharam uma dimensão eleitoral. O primeiro turno das eleições gerais está marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral para 4 de outubro de 2026, apenas 27 dias depois do feriado da Independência.
Flávio Bolsonaro, responsável pela convocação do principal ato na Paulista, disputa a Presidência contra Lula e outros candidatos. A Reuters destacou que a campanha do senador tenta utilizar a atual crise envolvendo o Supremo como um dos elementos de mobilização de seus apoiadores.
No próprio dia 7 de setembro, uma pesquisa Quaest encomendada pela Globo mostrou Lula e Flávio numericamente empatados, com 41% para cada um, em uma simulação de eventual segundo turno. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.
A proximidade das eleições ajuda a explicar a presença de candidatos e lideranças partidárias nos atos. Ao mesmo tempo, tamanho de manifestação e intenção de voto são indicadores diferentes: uma multidão em uma determinada cidade não pode ser utilizada isoladamente para prever o resultado de uma eleição nacional.
O que ainda não se sabe sobre os atos
Até o fechamento desta matéria, não havia uma contagem nacional padronizada do número total de pessoas que participaram das manifestações de direita em todo o Brasil.
A estimativa de 28,5 mil se refere especificamente ao pico do ato realizado na Avenida Paulista e não pode ser extrapolada para outras cidades. Da mesma forma, a informação de mais de 50 cidades no Grito dos Excluídos é baseada no balanço dos organizadores, e não em uma contagem independente de participantes.
Novos números e balanços locais ainda podem ser publicados após o encerramento das manifestações.
O 7 de Setembro de 2026 terminou, portanto, marcado por diferentes formas de mobilização: de um lado, manifestações políticas de oposição concentradas nas críticas a Lula, Alexandre de Moraes e ao STF; de outro, movimentos sociais utilizando a data para defender pautas trabalhistas, sociais e de direitos humanos.
Com o primeiro turno das eleições marcado para 4 de outubro, a repercussão política dos atos e a disputa em torno do Supremo devem continuar entre os principais temas da campanha presidencial nas próximas semanas.
Apuração e curadoria: Xplora News. Conteúdo elaborado a partir das fontes indicadas, com seleção de pauta, verificação e revisão editorial humana. Ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas como apoio à organização e à redação.
Fontes consultadas
- Poder360 — levantamento das manifestações convocadas em diferentes cidades.
- UOL — estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap para a Avenida Paulista e comparação com anos anteriores.
- Agência Brasil — cobertura da 32ª edição do Grito dos Excluídos.
- CNN Brasil — cobertura dos atos em São Paulo, Belo Horizonte, Goiás e Rio de Janeiro.
- Reuters — contexto político e eleitoral das manifestações e da disputa envolvendo o STF.
- Tribunal Superior Eleitoral — calendário oficial das Eleições 2026.




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