Conflitos armados, secas prolongadas e a redução da ajuda internacional devem manter a fome global em níveis críticos em 2026. O alerta está no Global Report on Food Crises 2026, divulgado por uma coalizão de organizações humanitárias e citado pela Reuters nesta quinta-feira.
Segundo a Reuters, 266 milhões de pessoas em 47 países enfrentaram insegurança alimentar aguda em 2025, o dobro do registrado uma década antes. O relatório também aponta que 1,4 milhão de pessoas chegaram ao nível mais grave de fome, classificado como catastrófico, em locais como Gaza, Sudão, Haiti, Mali, Iêmen e Sudão do Sul.
O documento destaca ainda que o problema não está apenas aumentando — ele está ficando mais difícil de conter. De acordo com a Reuters, o financiamento humanitário caiu 39% em 2025, enquanto a assistência ao desenvolvimento para o setor de alimentos encolheu ao menos 15%. Isso significa menos capacidade de resposta justamente quando a pressão sobre os sistemas alimentares está aumentando.
O relatório também traz um dado especialmente preocupante: 35,5 milhões de crianças sofreram desnutrição aguda em 2025, e quase 10 milhões delas em nível severo. Isso mostra que a crise já não é só um problema de produção ou distribuição, mas de sobrevivência em larga escala.
A Reuters relata que, além dos conflitos e da seca, a guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã pode ampliar o problema ao atingir cadeias de energia e fertilizantes, pressionando ainda mais países vulneráveis que dependem de importações. Esse ponto é importante porque mostra como crises geopolíticas e alimentares estão cada vez mais conectadas.
Na prática, o relatório indica que o mundo está entrando em 2026 com menos margem de proteção. Quando guerra, eventos climáticos extremos e queda da ajuda internacional acontecem ao mesmo tempo, o risco não é só de piora localizada, mas de propagação de instabilidade por várias regiões ao mesmo tempo. Essa é uma inferência jornalística baseada no conjunto dos fatores apresentados pela Reuters: conflito, seca, pressão inflacionária e recuo do financiamento humanitário.
Outro ponto central é que a fome deixou de ser tratada apenas como tragédia humanitária e passou a ser vista também como ameaça à estabilidade global. A Reuters cita Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, dizendo que a insegurança alimentar já representa risco sério para a estabilidade mundial.
Embora o relatório aponte uma leve melhora possível no Haiti, o panorama geral continua negativo para 2026. Regiões como África Ocidental, Sahel e África Oriental seguem sob forte risco de deterioração, pressionadas por conflito, inflação e seca.
No fim, o documento reforça uma mensagem dura: o planeta não enfrenta apenas uma crise de comida, mas uma crise de capacidade de resposta. Quando a fome cresce ao mesmo tempo em que a ajuda encolhe, a linha entre emergência e colapso fica muito mais curta. Essa conclusão é uma análise jornalística baseada nos dados da Reuters sobre aumento da insegurança alimentar e queda do apoio humanitário.
Curadoria Xplora com base em informações da Reuters.

